domingo, 7 de dezembro de 2008

CATÁLOGO PARA ESTUDO DA ESCRAVIDÃO EM UBERABA

João Eurípedes de Araújo, pesquisador e responsável pelo acervo fotográfico do Arquivo Público de Uberaba, participou do Encontro Regional de História de 2008, na Universidade Federal de Minas Gerais, abordando o tema “Escravidão”.

A partir de suas experiências em trabalhar com a pesquisa em fontes primárias e utilizando a vasta documentação pertencente ao acervo do Arquivo Público, João mostrou aos participantes parte dos registros relacionados à escravidão. Além disso, falou sobre o teor desses documentos e de como eles revelam que as relações entre senhores e escravos, pautadas pela dominação, mesmo após a alforria, foram mantidas.

Presentes no evento, vários historiadores e estudiosos do assunto, de várias regiões do Brasil, “...ficaram maravilhados e espantados com a riqueza e a quantidade de documentos, até então, para muitos, desconhecidos.”, afirma o hsitoriador.

A boa notícia é que, em breve tudo isso estará disponível para pesquisadores de Minas e demais estados, por meio do Catálogo para Estudo da Escravidão em Uberaba. A publicação – elaborada por João, com apoio de Luiz Cellurale, Raquel Blancato, Iara e outros membros da equipe do APU – já se encontra em fase final de revisão.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

LANÇADO LIVRETO "20 DE NOVEMBRO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA"

No mês de novembro, geralmente, intensifica-se, no Arquivo Público de Uberaba, a procura por documentos relacionados à escravidão.

A obra foi lançada, neste ano, no Dia Nacional da Consciência Negra, na sede do Arquivo Público, com a presença do secretário, diretoras de escolas e creches municipais e representantes do movimento negro.

O cuidadoso texto do pesquisador e responsável pelo acervo fotográfico do Arquivo Público de Uberaba, João Eurípedes de Araújo, versa sobre diferentes aspectos relacionados ao tema, abordando desde os primórdios da escravidão de negros vindos da África, o tráfico transatlântico, os quilombos, a questão de titulação de terras para descendentes quilombolas e a presença desses grupos na região, até os registros sobre a vida de Zumbi dos Palmares. Além disso, o documento também enfoca a questão da resistência e o que se faz atualmente em relação à consciência negra.

O Arquivo Público de Uberaba guarda e preserva riquíssimo acervo relacionado à escravidão em Uberaba e coloca-se à disposição para receber escolas e outras instâncias que queiram conhecê-lo. A produção do livreto é uma das maneiras de colaborar para que cada unidade escolar conceba seus próprios projetos relacionados à questão da cultura africana, conforme a lei nº 10.639, e de acreditar na promoção da cidadania e da cultura à memória, como condição essencial para um futuro bem estruturado e mais justo.

As escolas que desejarem adquirir alguns exemplares do livreto, podem entrar em contato com a Secretaria Municpal de Educação e Cultura ou com o Arquivo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Em sua gestão como Agente Executivo:
- providencia uma matança de cães, devido ao grande número de pessoas vitimadas pela hidrofobia.
- oferece isenção de impostos e terrenos gratuitos para as empresas interessadas em se instalarem na cidade (a primeira foi a indústria de fósforo).
- regulamenta e dispõe tarifas para a condução de carros de praça e automóveis em trajeto que parte da Praça da Matriz (Rui Barbosa) até o prado de São Benedito (Praça de São Benedito).
- transfere o Mercado Municipal para o local onde se encontra atualmente.

De janeiro a julho de 1911, a prefeitura subvenciona uma escola de idiomas e, em 03 de maio do mesmo ano, iniciava-se a primeira Exposição Agropecuária. A circulação do jornal Correio Católico é interrompida. A praça situada no alto das Mercês recebe o nome de Praça Dom Eduardo. Iniciam-se as atividades da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, ligando Mato Grosso a São Paulo. Em 1912, o Colégio Diocesano começa a oferecer a seus estudantes o curso de Agrimensura. São registrados ainda, no período de seu exercício: a ida de Hildebrando Pontes ao Rio de janeiro a fim de providenciar a impressão de seu livro sobre a história de Uberaba, o envio de um ofício, escrito pela Câmara, para o Congresso Nacional, solidarizando-se à decisão de proibir a entrada dos restos mortais de D. Pedro II e de D. Tereza Cristina, no Brasil e a doação do Instituto Zootécnico ao Governo de Estado de Minas Gerais, para a instalação de um Instituto Fundamental.

LEITURAS INTERESSANTES

História dos Irmãos Maristas em Uberaba


Pedro dos Reis Coutinho foi Irmão Marista na década de 1960, ex-professor de história no Ensino Médio do Colégio Marista Diocesano e atuou como pesquisador no Arquivo Público de Uberaba. Atualmente, ministra aulas de história no Ensino Médio e integra o Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (CONPHAU).

De acordo com o livro de Coutinho, o Colégio Marista Diocesano foi fundado em 1899, obra de D. Eduardo, primeiro bispo da diocese de Uberaba, e desenvolveu-se por mérito dos Irmãos Maristas, uma congregação religiosa, criada pelo padre católico São Marcelino Champagnat, destinada à educação escolar e cristã de crianças, adolescentes e jovens, no mundo todo. Os religiosos o receberam em 1902, iniciaram as atividades em 1903 e as mantém até os dias de hoje.

Destacam-se o capítulo II, no qual o autor conta, de maneira clara, a história de Uberaba e o capítulo III que apresenta a educação na cidade, no século XIX, fazendo referência a D. Eufrásia Gonçalves Pimenta, primeira professora do município, em 1815, e às primeiras instituições educacionais.

A obra ressalta a ação pedagógica do Colégio Marista e relata que, mesmo com o crescimento da educação em Uberaba, foi preciso investir na formação de professores. Essa formação veio em 1949, quando as Irmãs Dominicanas, com o apoio dos Irmãos Maristas, fundaram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino.

É uma delícia passear pelas páginas dos livros, acompanhando a história, as fotos e as memórias.

Marise Diniz

Obras do acervo:
Ciência e Economia: O Instituto Zootécnico e a Pecuária Zebuína em Uberaba
Monografia apresentada na Universidade Estadual Paulista (Franca) - 2004

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Médico culto e conhecedor de várias regiões, viajou para Índia e fundou, em São Paulo, o Laboratório Ache. Como Agente Executivo:
- encarregou o Dr. Hildebrando Pontes de levantar a estatística do município.
- calçou a Rua do "Comércio" (Atual Artur Machado).
- criou lei para regular construções e reconstruções.
- construiu a Praça Comendador Quintino.
- criou a Biblioteca Municipal Bernardo Guimarães (lei 231 de 08/04/1905),
com acervo precioso e peças de museu.
- incrementou a indústria pastoril.
No ano de 1909, a Câmara propôs a fundação de uma escola prática de agricultura e a construção de um ginásio, porém – por influência dos setores religiosos e devido à concorrência com o Colégio Diocesano – não houve aprovação. Em 1908, a genealogia e o registro geral das diversas raças de animais do município são estabelecidos, a penitenciária (atual UFTM) é construída e instala-se na cidade o 4° Batalhão de Polícia, o serviço de esgoto e a rede telefônica. Em 1909, inaugura-se a agência local do Banco de Crédito Real de Minas Gerais e a navegação do Rio Grande, capaz de resolver os problemas relacionados ao transporte de cereais, chamou a atenção do Estado. Nesse mesmo ano, Fidelis Reis toma posse como presidente da Sociedade Mineira de Agricultura, e na chamada Guerra dos Alfaiates, os profissionais do ramo, liderados por Calixto Rosa, com o apoio de Alexandre Barbosa, conseguem, em três dias, melhorias em seus salários. O município vivia um período de transformações econômicas e o principal fator de mudança foi a transferência do comércio praticado aqui para o interior do Mato Grosso. Com isso, Uberaba não pôde mais contar com os lucros da comercialização que mantinha com as praças de Bebedouro e Barretos. Assim, agricultura e agropecuária passaram a ser as principais fontes de renda da cidade. Segundo Hildebrando Pontes: ...venderam-se aqui, por toda parte, milhares de reprodutores puro-sangue deste gado pelo preço de até uma centena de contos de réis por cabeça, parecendo que por cada quilo de peso de um exemplar de raça indiana se dá a mesma unidade de peso em ouro. No entanto, um dos equívocos foi a transformação das unidades produtivas em pasto para gado e, assim, nada mais se cultivava... (História de Uberaba, p. 96). Os produtores locais participavam de eventos e exposições agropecuárias no Rio de Janeiro, fato que estimulou a construção, na cidade, de um parque destinado exclusivamente à produção desses eventos.
Em 1911, licenciou-se por tempo indeterminado, sendo substituído por Caldeira Júnior.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

LEITURAS INTERESSANTES

A BATALHA DE DELTA


Paulo Fernando Silveira é membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, advogado e professor universitário. Exerceu o cargo de Juiz Federal e desenvolveu estudos e trabalhos nos EUA e na Europa.

O autor abre o livro informando ao leitor que a obra é baseada em fatos reais e que o nome das pessoas citadas são verdadeiros, embora tenha a característica de trazer ao público uma visão mais concreta e particularizada, uma abordagem mais viva dos personagens, evitando fragmentar o fato histórico.

Nas palavras do próprio autor “...o livro versa sobre as batalhas travadas entre as forças legalistas (os paulistas) contra os rebeldes (os mineiros), visando à tomada da ponte de Igarapava, como era conhecida por eles. Para os mineiros, tratava-se da ponte de Delta. (...) A narrativa enfoca a visão dos principais comandantes e líderes militares envolvidos no engajamento bélico, o qual foi documentado em telegramas, radiogramas e jornais da época. Livros e artigos de ilustres autores, que tratam da matéria, foram também consultados...”.

No texto, há afirmações de que, em 1930, Uberaba era a cidade mais importante do Triângulo Mineiro, pois aqui estavam situados o 4° Batalhão de Infantaria da Polícia Militar, a Delegacia Regional dos Correios e todos os serviços públicos. A posição geoeconômica da cidade era estratégica. Além das lavouras de arroz, milho, feijão e café, suas pastagens nutriam o país de carne. Por isso, os paulistas queriam conquistar Uberaba.

Marise Diniz
Obras do acervo:
O Sertão da Farinha Podre: Uberaba e a guerra do Paraguai (2004)
O Morro das Sete Voltas: Guerrilha na Serra da Saudade (2008)


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - DE 1873 AOS DIAS ATUAIS

Era advogado.
Durante sua gestão, inauguraram-se a Igreja São Domingos e o Grupo Escolar Brasil e os fazendeiros se posicionaram contra a criação do imposto territorial, fundando o "Clube da Lavoura e Comércio" transformado, posteriormente, em poderosa organização política, responsável pela publicação do Jornal Lavoura e Comércio – defensor dos interesses da classe – dirigido por Garcia, até 1903.
Nessa época havia dois partidos políticos: Partido Republicano Municipal (Pachola) e o Partido Republicano Mineiro (Arara) e os paulistas desencadearam uma campanha contra o zebu.
Ao ser eleito deputado federal, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

DOCES RÉPTEIS

Que os dinossauros foram extintos há milhões de anos, não é novidade para nenhum vivente deste mundo. O curioso é a presença quase viva desses “milionários” bichões. Nunca deixaram de ser pesquisados pela ciência e, explorados pela mídia, foram reinventados no cinema e estampam camisetas, lancheiras e mochilas escolares, histórias em quadrinhos e portas de geladeira.

Uberaba, terra cheia de acontecimentos que lhe permitem fazer bonita figura perante o mundo, veste-se de cerrado, refresca-se nas cachoeiras, capricha no tratamento dado ao gado zebu e tem sua “Terra dos Dinossauros”. É... O precioso pedaço tem nome e sobrenome e corre à boca pequena que será transformado, pela UNESCO, em patrimônio da humanidade.

Frederico Peiró saiu de Linares (Espanha), quase no final do século XIX. Por volta de 1895, já morava em uma região próxima 20 km de Uberaba, conhecida como Estação Paineiras[1] e administrava uma fábrica de cal. Meia dúzia de anos mais tarde, fundou a própria empresa e prosperou de um jeito que chegou a 150 funcionários e aproximadamente 90 toneladas de cal por dia. Sua produção era exportada para São Paulo, via estrada de ferro.

Imagem: http://www.estacoesferoviarias.com.br/

Tanto fez por sua Paineiras, implantando por lá escola e filial dos correios que, em 1924, o empenho foi reconhecido e seu nome carimbado na estação. O povo continuou na luta de cada dia, mas o trecho da linha férrea não mais quis ser. Peirópolis[2], quase foi a pique sem o remelexo do trem, não fosse a notícia de matéria dura e pedras esquisitas.

Em tempos de segunda guerra, operários trabalhavam na região, na expansão da linha de ferro, e encontraram uns estranhos ossos. A notícia chegou aos ouvidos de um farejador paleontológico, o gaúcho Llwellyn Price, que veio ligeiro. Langerton Neves da Cunha, profundo conhecedor de ervas e ungüentos, morador da Estação e amigo de Chico Xavier, tornou-se seu fiel escudeiro. Juntando esses ossos e outras preciosidades, Langerton aprendeu o ofício. Ele cuidava muito bem da Vila Cantinho Espírita – no centro da comunidade – e do seu museu paleontológico. Na verdade, uns guardados de pedras e formas diferentes que a natureza foi colocando em seu caminho e Price não mandou para o Rio de Janeiro.

A dupla descobriu fósseis com mais de 70 milhões de anos. Era Uberaba confortavelmente instalada no mapa da paleontologia brasileira. Hoje, bem assentados no local, o Centro de Pesquisa leva o nome de Price e o Museu dos Dinossauros tem em seu acervo exemplares, inclusive inteiros, de seres carnívoros, herbívoros, tartarugas, crocodilos, peixes, moluscos, crustáceos de água doce, microfósseis de plantas e ovos de dinossauro. A terra que tão bem acolheu Frederico Peiró é reconhecida como o mais importante centro de pesquisa paleontológica da América Latina.


Imagens: http://www.peiropolis.com.br/ e http://www.sescsp.org.br/




Mas, não é só pelos dinos que Peirópolis se enche de sorrisos nos finais de semana. Há belas cachoeiras ao redor da estação e uma gente serena, que gosta de agradar o visitante, com um cafezinho fresco, uma fruta colhida no pé ou uns docinhos cujas receitas devem conter segredos tão antigos quanto os gigantescos répteis, considerando a gostosura e a variedade.

Imagem: http://www.periopolis.com.br/

E, se os dinos nos remetem a um passado bem remoto, que lembra ancestralidade e toda a mística que isso pode sugerir, Peirópolis também se proveu dessa idéia. Desde 1995 – quando foi criada – a Fundação Peirópolis mantém, no bairro, o Museu de Valores Humanos e promove estudos e eventos relacionados à Educação em Valores Humanos, baseados na proposta do indiano Sathya Sai Baba.


Imagem: http://www.peiropolis.com.br/


A próxima empreitada da Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis é implantar o “Caminho dos Dinossauros”, unindo o Desemboque ao vale dos dinos. A rota prevê, entre outras paragens, Sacramento, Gruta dos Palhares[3] e Chapadão do Bugre.

Cada passo de um desses répteis deve equivaler a uns cinqüenta de um humano, mas penso que eles acompanharão com entusiasmo o frejo divertido do trajeto. Afinal, se Santiago abençoa quem trilha seu caminho, é certo que os dinos zelarão de quem tão bem cuida de seus restos mortais.

imagens: fim de tarde em Peirópolis - foto de Giovana Frange

réplica de um dino, frente ao Centro de Pesquisas: http://www.revelacaoonline.cuniube.br/


Iara Fernandes

Publicado originalmente em www.sertaopaulistano.blogspot.com

[1] Antiga estação Cambará, inaugurada pelo Conde D’Eu, em 1889.
[2] Bairro de Uberaba, cujo acesso se dá pela Br262.
[3] Considerada a maior gruta de arenito da América do Sul.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Uberabense, nascido em 1859.
Fundou, em 1881, a Joalheria Mineira e foi eleito agente executivo, após a cassação de Anthero Ferreira da Rocha. Era membro do Partido Republicano Mineiro (PRM), governista, professor normalista vitalício da segunda escola pública de instrução primária do sexo masculino e integrante da mesa administrativa da Santa Casa.
- Realizou melhoramentos no Teatro São Luiz.
- Ofereceu ao governo do Estado o prédio do
Instituto Zootécnico e dez alqueires de terra
para a fundação de uma fazenda modelo.
- Construiu com recursos próprios o prédio da
escola situada à Rua Vigário Silva, entre as Ruas da Ladeira e São Miguel.
Em 1903 inaugura-se o Colégio Marista Diocesano e o serviço de força e luz. Devido ao surto de febre amarela, a Câmara propõe ações para desinfecção. As irmãs dominicanas passam a realizar seus estudos em Uberaba, no Colégio Nossa Senhora das Dores. O Batalhão de Polícia é transferido para Belo Horizonte. Em 1905, as funções de presidente da Câmara e de agente executivo, voltam a ser exercidas por uma só pessoa e, nesse mesmo ano, inaugura-se a luz elétrica e concluí-se a construção da Igreja Adoração Perpétua. Em 1906, acontece a primeira exposição de gado zebu na fazenda Caçu e chega a Uberaba o primeiro automóvel.

No ano de 1920 era urgente eleger um presidente da Câmara efetivo, pois as interinidades prejudicavam os negócios do município.

Morreu em 1924.

LEITURAS INTERESSANTES

ESTRADEIRO PARA ONDE VAI O HOMEM?


Juvenal Arduini nasceu em 1918. Ingressou no Seminário aos 13 anos. Cursou Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte e foi ordenado padre por Dom Alexandre, em 1942. Introduziu, em 1954, na Faculdade de Medicina, a Missa dos Universitários, que celebra até hoje. Além de escritor, foi professor universitário e atua junto aos enfermos, no Hospital São Domingos.

O livro constitui-se de diversos textos, organizados por sessões, cujos conteúdos analisam filosoficamente as situações e os conflitos humanos.

Na primeira sessão, Linguagem Social, no texto “Tarefeiros”, o autor reflete:

A análise fenomenológica revela-nos que, estrutural e existencialmente, o homem é um ser participante. Não se conforma em ser apenas espectador dos acontecimentos. Sente-se diminuído quando é chamado a executar somente tarefas preestabelecidas. O homem não se realiza se tiver apenas que cumprir aquilo que lhe é proposto. Revela a necessidade radical de propor projetos pessoais. Ser autor e não somente ator.
(ARDUINI, 1977, p. 31).

Na sessão posterior, Condição Humana, o texto “Ser Compreensivo” questiona se uma pessoa pode compreender o outro, se ela não for compreensiva. E alguém pode ser compreensivo, sem chegar a compreende-se?

A leitura avança com as sessões Mergulho Antropológico e Na Estrada, na qual aparece o texto “Estradeiro”, que deu o título à obra:

O homem é capaz de partir e de chegar. Mas, o que o define mesmo é a estrada. É um eterno caminhante [...] Caminhar não é só deslocamento físico. É também mobilidade existencial. Caminhar é tornar-se mais consciente e mais livre. Caminhar é assumir a vida, e crescer historicamente. [...] Enquanto o homem estiver caminhando, há sempre esperança. Pois, a grandeza do homem não está em partir ou chegar, mas em manter-se na estrada.
(ARDUINI, 1977, p. 177).

Na sessão Universo Dialogal encontra-se um dos mais lindos textos, “Ouvir”:

Não basta ter ouvidos, para ouvir. Ouvir oferece significados diversos. [...] Existem vários modos de ouvir, e consequentemente vários tipos de surdez. [...] Quantas vezes a pessoa, com perfeita audição física, é surda psicologicamente, surda moral ou socialmente. Há gente que nunca conseguiu ouvir determinadas dimensões da vida humana.
(ARDUINI, 1977, p. 205).

O livro, finalizado pelas sessões Convergência, Chamado da Vida e Outra Dimensão, provoca o leitor, leva-o refletir sobre pontos humanos fundamentais e sensibiliza para uma tomada de decisão quanto aos valores a serem seguidos.
Marise Soares Diniz

Obras do acervo: Temas da Atualidade (1962), Temas Sociais (1964), Homem-Libertação (1972), Horizonte de Esperança: teologia da libertação (1986), Destinação Antropológica (1989) e Testemunhos Inesquecíveis (1999).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

MACHADO E UBERABA

No início de setembro, alunos da Escola Municipal Totonho de Morais, situada no Bojico, visitaram o Arquivo Público.

Em atividades desenvolvidas nas aulas de literatura da professora Delcira Soares, estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental pesquisaram sobre Uberaba, na época em que Machado de Assis produzia suas obras.

As turmas passaram uma manhã no APU, examinando livros de historiadores e memorialistas do século passado, publicações uberabenses da época, fotografias de Uberaba nas décadas de 1890 e 1900, documentos de compra e venda de escravo, atas da Câmara e manuscritos.



De acordo com relato da professora: “Trabalhamos da seguinte forma: os alunos identificaram elementos das obras e da época em que viveu Machado de Assis nos materiais aí pesquisados; pelas fotos puderam comparar os vestuários, os meios de transporte, a ausência de saneamento, as construções, o paisagismo, etc.; pelos documentos escritos, puderam verificar fatos alusivos à escravidão, tipo de linguagem utilizada, tipo de textos produzidos (poemas, textos publicitários, etc.), acontecimentos marcantes da história, etc.
E assim por diante...”


crédito das fotos: alunos da escola Totonho de Morais


Obs.: o MEC acaba de disponibilizar toda a obra do grande autor brasileiro no endereço: http://portal.mec.gov.br/machado


terça-feira, 30 de setembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Nessa época, os cargos de presidente da Câmara e de agente executivo eram exercidos em separado, por dois vereadores. O nome de Anthero, não aparece nas atas da Câmara de 1901. Como agente executivo:
- Construiu a ponte sobre o pavilhão da Mogyana.
- Providenciou reparos no Theatro.
- Autorizou a criação de uma escola na fazenda "Ponte Alta" e a construção de uma hospedaria para imigrantes.
- Solicitou à Câmara que o agente executivo recebesse remuneração ou gratificação para exercer o cargo, alegando que o tempo gasto na função prejudicava o investimento em negócios particulares. A resposta da Câmara, em 07/05/1901, foi que a solicitação não fosse atendida, pois a lei rege a gratuidade da função.
- Calçou ruas com paralelepípedos.
- Definiu o perímetro urbano da cidade.
A Lei Municipal n°122, cassa os poderes de Antero, alegando incapacidade moral, por pretender implementar arrojado plano de obras para os quais o município não tinha recursos. Ele entra com recurso e volta ao cargo.
Em 1901, funda-se o Jóquei Clube de Uberaba e a Livraria Século XX.
Nessa época existiam os vereadores distritais de Campo Florido, Veríssimo e Conceição das Alagoas.

LEITURAS INTERESSANTES

COISAS QUE ME CONTARAM CRÔNICAS QUE ESCREVI


O livro de Jorge A. Nabut, cuja capa foi criação do arquiteto Demilton Dib, inicia-se com a história do Desemboque, “... o berço de nossa civilização triangulina” (p.5) e segue contando sobre o surgimento da aldeia e da cidade, as viagens de Saint-Hilaire, a estrada do Anhangüera e a luta contra os índios. Destaca a Rua Artur Machado, os cinemas, o comércio, a indústria, a música e os músicos: Rigoleto de Martino, Renato Frateschi, Loreto Conti e João Vilaça Júnior. Também relembra a vinda do Zebu, o caminho das Índias com João Martins Borges e os mascates e analisa os blocos arquitetônicos/ culturais de Uberaba, demarcando as épocas históricas (p29).

Com textos em forma de crônica, Nabut questiona o “estado de desprezo e desleixo em relação à cultura”, parafraseando Francelino Pereira: que país é esse? Na p.11, encontramos: “A amnésia cultural tem sido um mal comum do país, criando um vácuo insolúvel e principalmente, irrecuperável dentro da nação. A amnésia cria um povo sem história. Sem memória”.

Na crônica “Sentimento Urbano”, publicada em 1977, discorre sobre os acontecimentos de Uberaba e finaliza o texto com o trecho: “...Enquanto isso, o Major Eustáquio, fundador da cidade, salta dum carro de praça e aluga um apartamento apertado no edifício (é difícil, meu chapa) do Banco Nacional e me confessa confuso que não quer que lhe falem de Araras nem Pacholas, e que não quer outra vida pescando no rio de jereré...” (p. 23)

A obra dedica uma parte especial ao folclore e à cultura popular, com a história de Sebastiana: “na casa dum pessoal, um estranho barulho. Num havia nada. E a porta de casa rangendo que num quietava...” e com outros casos, desafios e contos. Aborda o tema carnaval e relata a história do bloco Maria Giriza, além de registrar as manifestações de Moçambique, Congo, Umbanda e a Festa de N.S. da Abadia e destacar os artistas plásticos Hélvio Fantato e Maria Hummel.

Com o jeito gostoso de escrever, o autor nos faz “ver”, “viajar” e revisitar locais de Uberaba. É uma importante fonte de consulta que busca a valorização da cultura de nosso povo.

Marise Soares Diniz
obras do acervo: A Igreja em Uberaba (1987), Desemboque Documentário Histórico e Cultural (1986), Fragmentos Árabes (1ª edição - 2001/ 2ª edição - 2007), Memórias de Mariana (1995), Paisagem Provincial (1984) e Sesmarias do Corpo (1986)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Após a fase de implantação da República, os governos municipais e as Câmaras foram recompostos. A primeira Câmara eleita em Uberaba, tomou posse em 1892. Como agente executivo:
- Autorizou a criação de uma escola rural na fazenda "Barreiro".
- Regulou as concessões para edificação em terreno desocupado e definiu o
perímetro da cidade.
- Permitiu a colocação de placas nas ruas, praças e largos.
- Propôs a criação da Biblioteca Pública,
- Reparou o Teatro e a Igreja Santa Rita, ambos em péssimas condições.
- Solicitou a verificação do desempenho do administrador do mercado, suspeito de
se servir do cargo para monopolizar o preço, causando prejuízos para o pequeno comércio.
Durante sua gestão, foi inaugurado o Hospital Santa Casa de Misericórdia (1898), fundado o Clube da Lavoura e Comércio de Uberaba e o Jornal Lavoura e Comércio (1899), [...] para cooperar na grande campanha que se fazia em todo estado contra o governo de Silviano Brandão que, para recuperar os grandes gastos feitos com a construção da nova capital, desejava criar o malfadado imposto territorial, que num crescendo contínuo, vem até hoje atormentando os possuidores de terra [ ...][1] O cargo de agente executivo é separado do cargo de presidente da Câmara pela Lei Municipal n° 99 e deixa de ser remunerado, o Cemitério Municipal é inaugurado e as duas torres da Catedral foram demolidas e edificada uma única. (1900)

[1] Revista Convergência

LEITURAS INTERESSANTES

TERRA MADRASTA


Orlando Ferreira, era filho do negociante Bento José Ferreira e nasceu em 1887, em Uberaba. Foi seminarista, recenseador, escritor e crítico ferrenho dos maus políticos, da igreja católica e de algumas famílias tradicionais da cidade. Faleceu 1957, aos setenta anos.


O livro Terra Madrasta (1928?), tece críticas à política mineira, afirmando que ela é a responsável pelo atraso do estado e exemplifica, com dados dos recenseamentos de 1872, no qual a população mineira era maior que a paulista, e de 1920, quando São Paulo já alcançava Minas em número de habitantes.

Critica também o governo político de Uberaba, qualificada como “...uma obra de liliputianos."[1] e afirma que as forças oponentes ao progresso do município são: a administração, a política, o clero, a empresa Força e Luz e algumas famílias tradicionais.

Afirma que, embora houvesse na cidade uma razoável arrecadação – mostrada por meio de quadros estatísticos da receita e da despesa, de 1836 a 1925 – ela não era bem aplicada e as ações dos prefeitos não iam além de tapar buracos com terra, capinar ruas, construir pinguelas, matar cachorros, nomear e demitir funcionários e arrecadar impostos. Questiona porque em um século, das 155 ruas da cidade, apenas 11 foram pessimamente calçadas e 3 praças, das 19 existentes, estão em bom estado. Ironicamente, aponta a falta de seriedade nos critérios para se classificar as cidades mineiras no ranking do desenvolvimento, pois, apesar de todo o retrocesso, Uberaba ainda conseguiu ocupar o terceiro lugar na classificação.

Apresenta como entraves do progresso municipal: uma gestão destrói as realizações da outra; administra-se a esmo, sem uma diretriz segura; emprega-se material barato nas construções; trabalha-se às pressas e falta espírito cívico aos administradores. Afirma ainda que edifício da Câmara é novíssimo e já apresenta “assoalho em falso que estremece e sacode os móveis.”
Descreve positivamente a administração do Dr. Leopoldino de Oliveira, apontando-o como o prefeito que não deixou dívidas para a gestão seguinte, exonerou funcionários inúteis, prestou assistência técnica às escolas, apoiado por Alceu Novaes, e elaborou um novo programa de ensino municipal que previa o aumento no salário dos professores, a realização de concursos e a seleção de pessoas habilitadas para o exercício do magistério.

Confronta por meio de quadros demonstrativos, a taxa de mortalidade de Uberaba com a de outras cidades, no período de 1908 a 1920, e expõe as péssimas condições de higiene da cidade devido à falta de água.

Assegura que havia corrupção, assassinatos, espancamentos, compra de votos, suborno e registros em atas falsas, nos pleitos eleitorais na cidade.
Dedica uma parte a criticar a empresa Força e Luz e a atuação política de seus proprietários e o clero uberabense.

Registra os nomes das ruas do município, em 1923, e relatos sobre as fotografias usadas na edição.

A obra é um rico conjunto de dados relacionados à trajetória dos prefeitos da época vivida por Orlando Ferreira que, além de reunir fotos, documentos de jornais e estatísticas do município, importantes para a visão da cidade como um todo, também desperta no leitor o pensamento crítico.

Marise Soares Diniz

Outras obras do acervo: Forja de Anões (1940) e Pântano Sagrado (1948)

[1] A palavra refere-se à Liliput, ilha onde se passa parte da história da obra Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, escrita no século XVIII. De acordo com alguns estudiosos, os liliputianos representam as pretensões dos poderosos, as intrigas e os bastidores das cortes reais. Por meio dessa história, Swift critica as mesquinharias da política e as sociedades inglesa e francesa da época.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Nascido em Congonhas de Sabará em 1825, formou-se professor e veio lecionar em Uberaba. Também foi agrimensor, vereador e deputado mineiro.
Em 1889, ao ser proclamada a República, assume a presidência da Câmara Municipal. Renunciou ao cargo, retornando em seguida. Colaborou com os jornais Gazeta de Uberaba e Correio Mercantil (Rio de Janeiro).
Em janeiro de 1890, o governo do Estado dissolveu a Câmara e criou um Conselho de Intendência, devido à Proclamação da República. Era o período de transição entre monarquia e república e os governantes dos municípios mineiros seriam escolhidos por um conselho de políticos filiados a um partido local. Surgiu assim, o partido União Política, sob a presidência de Wenceslau. Os representantes desse partido formavam o conselho que o aclamaram intendente municipal.
Durante seus mandatos:

- O Instituto Zootécnico de Uberaba foi criado, em 1892.
- Criou uma escola mista municipal no bairro Estados Unidos.
- Angariou verbas para a construção de uma cadeia e de diversas pontes na região.
- Ampliou o Hospital da Misericórdia, com a inauguração do serviço de enfermagem.
- Fundou o “Clube Republicano Quatro de Março”, responsável pela criação do jornal
Gazetinha
- Estabeleceu o Código Municipal da Cidade de Uberaba (1897).

Uberaba foi contemplada com verba do governo estadual para reaparelhamento da Câmara. Em 1891, a Constituição Republicana definiu os sistema de governo e as eleições.
Por volta de 1896, as disputas políticas eram divulgadas pelos vários jornais da cidade: Tribuna do Povo, Cidade de Uberaba, Jornal de Uberaba e O Triângulo Mineiro. Os integrantes dos vários partidos divergiam quanto a cumprir integralmente o que dizia a constituição, ou mudá-la. As campanhas políticas eram marcadas por atentados, ameaças e conflitos. Em 1897, foi criado o Partido Republicano Mineiro, com base nacional. Apesar disso, as diferenças persistiram, interferindo até no funcionamento do Instituto Zootécnico, cujas atividades foram suspensas devido aos confrontos entre professores, direção e alunos.
O ALMANAQUE UBERABENSE de 1911, página 152, noticia o falecimento do Major, aos 85 anos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

MEMÓRIA

Desemboque - década de 1980

Recuperar o passado é uma primeira garantia de um sentido para o presente. Ao recorrermos a memória dos relatos e testemunhos das épocas passadas, estamos transformando essas narrativas em história, fazendo com que um amontoado de fatos ganhe sentido. O narrador histórico é aquele que procura o sentido das ações humanas e encontra nelas uma conexão com os acontecimentos que se precipitam no presente.

Trecho retirado de: TELES, Edson <http://www.urutagua.uem.br//03teles.htm>.
Acessado em 8/9/2008

“A cidade é assim, como um murmúrio de vozes diversas”.
“A vida de uma cidade se dá a ler em suas ruas, suas praças, suas casas, edifícios... Ela está impressa em cada um desses lugares”.
“[...] a cidade que se lê nunca é única, mas sim múltipla, varia. Sobreposições de épocas diversas, e de leituras e significações variadas dadas pelos atores incontáveis que a atravessam, que fazem dela o seu cenário”.

Praça Rui Barbosa - década de 1980

“A cidade dos seus planejadores, a dos operários da época de sua construção, a dos sonhos dos velhos moradores do tempo de arraial. A cidade da geração dos poetas [...] do estudante, do funcionário, do carteiro, do político... dos homens, mulheres, jovens e velhos [...]”. “[...] diferentes personagens constroem diferentes imagens da cidade que habitam [...]”

Trecho retirado de: SILVEIRA, Anny Jackeline T. Acerca da leitura das cidades In: Varia História. Revista do Departamento de História da UFMG, Belo Horizonte: UFMG, n° 16, Setembro/1996. p.78-89.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Último governo de Uberaba no regime Imperial[1].
Com o aumento rápido da população da cidade, incrementou-se a construção civil. A principal preocupação da Câmara dos Vereadores dessa época era evitar a construção de residências sobre as nascentes de água que abasteciam a população, ou em ruas de passagem para boiadeiros e tropas rumo a outros estados. A Câmara consegue autorização do Governo Provincial para que os presidiários trabalhassem na reforma e construção das ruas da cidade.
Durante sua gestão:
- foram inaugurados a Estação da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e o telégrafo.
- o touro Lontra, exemplar zebuíno, foi trazido a Uberaba.
- o Paço Municipal foi reconstruído, a Câmara emancipou São Pedro de Uberabinha (Uberlândia), a Rua do Comércio, hoje Artur Machado, foi estendida, até o local onde seria construída a Estação da Mogiana. (1888)
- a escravatura foi abolida e o governo municipal exigiu que os fazendeiros cumprissem a lei.
- a Rua do Comércio teve seu nome mudado para Barão de Ataliba (diretor da Companhia Mogiana), inaugurou-se a Estação da Estrada de Ferro, em festa organizada pelo vereador Gabriel Junqueira. (1889).
No dia 20 de novembro de 1889, a cidade é informada sobre a Proclamação da República. Em comunicado à população, a Câmara anunciou o acontecimento: “...A 15 do corrente foi declarada a Proclamação na capital do Brazil a República Federativa Brasileira...” (Atas da Câmara – volume 3). Na ocasião, o presidente da Casa exortou aos políticos uberabenses das diversas facções – monarquistas ou republicanos – a evitarem as trocas de acusações e desentendimentos relacionados ao tema, evitando que o fato acentuasse o conflito já existente.

[1] No início da República, a oligarquia agrária dominava e o comando político era dividido, de maneira não muito clara, entre os Agentes Executivos e os Presidentes das Câmaras. Havia opressão aos eleitores e as eleições eram fraudulentas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O DESEMBOQUE E SEUS MUITOS FILHOS


“O chapadão termina. Começam os vales, colinas, morros e riachos que circundam o Desemboque, nosso berço civilizatório. Esta era nossa primeira vez. Talvez por isso, a sensação de uma aventura no tempo fosse maior. Ao chegarmos fomos recebidos pelo silêncio. Desemboque parecia dormir embora meio-dia fosse. (...) Gente havia. As igrejas Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Desterro insistiam incólumes, ostentando o peso de dois séculos...”

Quando meu irmão, o jornalista Heitor Átila Fernandes, escreveu essa minicrônica, eu ainda não atinava muito para o conhecimento histórico e a conservação. De lá pra cá, passaram-se oito anos e, considerando que já se prevê por aí que a capacidade de informação vai se multiplicar a cada setenta e duas horas, a partir de 2011, creio estar um pouco atrasada e que, inversamente proporcional à velocidade da informação, é a velocidade da preservação. Desemboque, como afirmam alguns historiadores, espera pelo fim, nada mais.

Quem acompanhou Desejo Proibido ou ouviu comentários sobre essa recente novela das seis, ambientada em Passa Perto, alcunha carinhosa para Sacramento, cidade localizada a 60 km de Desemboque, percebeu, em vários diálogos de personagens, combinações sobre ir ou vir do vilarejo, para negócios, visitas, assistência de saúde e os mais variados temas. O texto novelesco não tem necessariamente compromisso com fatos históricos e divulgou-se até que o folhetim foi feito sob medida para homenagear Lima Duarte, nascido na região. Seja qual for o caso, cumpriu a proposta da diversão, mesmo com seus personagens caricaturados e uma prosa mineira – no sotaque e na escolha da linguagem – um tanto exagerada, mas capaz de fazer rir e despertar o interesse por um lugar que já foi importante centro político e comercial.

Para Félix Renato Palmério, o topônimo Desemboque tem origem no antigo Arraial das Abelhas, região onde desembocavam os caminhos que vinham das capitanias de São Paulo, que transpunha o Rio Grande, e de Minas, que transpunha a divisão com Goiás. Distante 144 km de Uberaba e 90 da região nordeste de São Paulo, a vila é geograficamente privilegiada por ser território limitado por dois importantes rios: o Paranaíba e o Grande. Isso muito lhe valeu, entre as décadas de 1760 e 1770, tempos gloriosos da exploração do ouro, nos quais abrigou quase duzentas residências e mais de 1000 habitantes. Estudos afirmam que por lá chegaram a circular algo em torno de 10.000 pessoas.

Segundo o memorialista Borges Sampaio (1971), o lugar era povoado por índios e, posteriormente, negros fugidos. No século XVI, na caça aos quilombos, vieram os bandeirantes e acabaram descobrindo jazidas de ouro no local. Como a Coroa concentrava seus cuidados em Sabará, Diamantina e Vila Rica e o acesso à região era bastante difícil, o contrabando do valioso metal pelos caminhos ainda pouco vigiados de São Paulo e Goiás foi favorecido. Para o jornalista Jorge Alberto Nabut (Desemboque: documentário histórico e cultural. 1986), os bandeirantes chegaram próximo ao povoado, porém quem o fundou foi o Guarda-Mor Feliciano Cardoso Camargo, que saiu do Arraial do Tamanduá (Itapecerica), rumo à Serra da Canastra, em 1736, na expedição Chapadões.

A partir de 1781, com o esgotamento do ouro, iniciaram-se as atividades rurais, que eram mais estáveis e exigiam menos mão-de-obra. Os que preferiram se evadir do local foram expandir o Sertão da Farinha Podre.


imagem: www.mariafillo.org
“O meu tataravô, Cônego Hermógenes Cassimiro de Araújo Bruonswik, pediu pra ser enterrado bem na entrada da igreja. Ele queria que todos passassem por cima de seu corpo ao entrarem ou saírem da igreja, como penitência por ele ter sido um pecador.” Quem conta o feito, é Vicente Araújo Lima. Cônego Hermógenes foi vigário por lá de 1814 até 1862 e graças a ele o arraial foi elevado à condição de vila. Apesar do voto de castidade, conta-se que Hermógenes muito contribuiu para ampliar a estatística humana do lugarejo, pois se envolveu com várias mulheres, chegando a ter vida conjugal com uma delas. Seu Vicente ainda afirma que “Quem não é descendente diretamente, está junto de alguém que é.”

Após a morte do Cônego, em 1862, a região tornou-se distrito da cidade de Sacramento. Na década de 1970, Desemboque foi redescoberta por Mário Palmério e pelo jornalista Mauro Santayana que pretendiam recuperar a vila e foi só nessa mesma década que os moradores puderam contar com a luz elétrica. Em tempos atuais, além das igrejas (ambas com arquitetura do século XVIII), há no local pouco mais que 20 casas e 80 habitantes.

Na placa de entrada do vilarejo, lê-se: Homens de extrema bravura, desterrados do seu próprio mundo fundaram no Sertão da Farinha Podre, em 1743, a capela de Nossa Senhora do Desterro, dando início ao povoado de Desemboque, marco inicial da colonização do Brasil central. Em seus mais de duzentos anos de existência, a vila pouco evoluiu e se de lá saíram, 600 arrobas de ouro, como afirma o morador mais antigo, ou 200, nas palavras do historiador Carlos A. Cerchi, ou 100, de acordo com Jorge Nabut, ou nenhuma, posto que o lugar era apenas ponto de contrabando do minério para Portugal, de acordo com outras pesquisas, provavelmente nunca saberemos ao certo. Vale é rever o passado, atribuindo os devidos méritos a quem os merece por ter se embrenhado no mato e enfrentado perigos e mistérios, ou por ter resistido e tentado se defender, após ser tachado, pelo dominador, de infrator ou selvagem. O mosaico dessas perdas e conquistas revela o nascimento de núcleos sociais importantes. Revisitar a história desses nossos lugares é ser envolvido pelas curiosas descobertas sobre o rico passado que alicerça nosso futuro, é rever nossa alma histórica.

Para se chegar a Desemboque, pela BR 262, passa-se por Peirópolis, bairro rural de Uberaba, onde foram encontrados fósseis de dinossauros de 70 milhões de anos, mas isso já é outra história.

Texto: Iara Fernandes

Fonte: Revelação – Jornal Laboratório do Curso de Comunicação Social – 14 a 20 de fevereiro de 2000 - Universidade de Uberaba.
Publicado originalmente em www.sertaopaulistano.blogspot.com

ICONOGRAFIA E A PRAÇA DA GAMELEIRA


Em 1900, a árvore já era centenária e, em 1970, foi arrancada, abrindo uma enorme cratera, tapada com a construção de um palco e bancos em formato de arena, que ironicamente foi batizada de Praça da concha Acústica, que de acústica não tem nada, exceto quando havia eventos e o som eletrônico esgarçava os ouvidos dos moradores da redondeza.

Ao ter a foto em mãos, fiquei a observar os detalhes que a compõem; os transeuntes, as pessoas sob a sua sombra, os casarios e uma satisfação acompanhada de lamúria apoderaram-se de mim.

A satisfação pela preservação de fotos históricos no Arquivo Público, possibilitando estudos em disciplinas culturais a partir de fotos; história do design, história da arte, história da fotografia, sociologia. Esse estudo se chama iconografia, que é a leitura de imagens ou signos, com sentido significativo para determinadas culturas. A leitura crítica das imagens explora valores socioculturais e pode ser feita através da identificação, descrição, classificação e interpretação do tema das representações figurativas, e as fotos são elementos importantes nesse processo de recuperação e desvendamento dos aspectos de uma sociedade e de seus valores.

O JM tem nos brindado, aos domingos, com uma série de cartões fotográficos históricos de Uberaba, irrigando, assim, a cultura e possibilitando o seu uso em sala de aula, como design em camisetas e postais, colecionar, guardar. Várias fotos já foram publicadas e distribuídas nos encartes do Jornal. A iniciativa é ótima e os textos que historiam o objeto fotografado são de qualidade ímpar.

A parceria cultural entre o JM e o APU nos permite conhecer um pouco mais do processo histórico uberabense e desperta a todos para o valor cultural.

Depois, veio a lamúria, como havia dito anteriormente, porque a nossa cultura absorve vagarosamente os conceitos socioeconômicos e ambientais e, continuamos realizando o legado da destruição.

A inexistência da árvore da Gameleira traduz as estratégias de desenvolvimento urbano com a ausência de concepção de valores. Entretanto, as publicações dessas fotos têm sido manancial para a reflexão e um olhar para o futuro, permitindo-nos interrogar que tipo de sociedade e de relações estamos estruturando como legado.

Depois, passei pela tal Praça da Concha Acústica. Ela é de uma secura de mau gosto e de pouca praticidade. Quando não existiam locais de apresentações artísticas em Uberaba, talvez ali tenha sido um local útil, mas, definitivamente, não é um espaço agradável e racional para o entretenimento.

Tomara que um dia ela seja remodelada, como proposta reivindicativa da sociedade que clamou pelo verde em substituição ao concreto.

Texto: Professor Gilberto Caixeta

Publicado originalmente no Jornal da Manhã – 04/09/2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - DE 1837 AOS DIAS ATUAIS

Durante sua gestão ocorre, pela Associação abolicionista, a edição das cartas de liberdade aos escravos.

Pedro Floro era comerciante e, no final de seu mandato, em 1887, a região de Uberaba deixou de ser conhecida como Sertão da Farinha Podre devido à chegada da Companhia Mojiana e ao progresso que ela trouxe. Diversas estradas de rodagem ligando os povoados e os municípios foram construídas, a linha telegráfica atravessou a margem direita do Rio Grande, percorrendo a região, já conhecida como Triângulo Mineiro, chegando até o Paranaíba, numa distância de 400 quilômetros. Até os nomes de órgãos da imprensa, como os jornais Ecos do Sertão e O Paranaíba foram substituídos por O Triângulo.

Nessa época, o Porto de Ponte Alta encurtava a distância entre o mercado consumidor de Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul) e a região produtora de São Paulo e Santos, pois a cidade funcionava como um “entreposto comercial” de gêneros alimentícios e outros produtos que aqui chegavam em carros de bois e tropas de mulas. No ano de 1884, surgiu na cidade uma empresa fluvial para o comércio de sal, adquirido em Santos e transportado até o Rio Pardo pelas companhias Paulista de Estrada de Ferro e Inglesa e em embarcações até o Porto da Espinha, onde ficava armazenado.

Em 1889 os trilhos da Mojiana por aqui se estabeleceram e incrementaram as atividades comerciais no município.

LEITURAS INTERESSANTES

VILA DOS CONFINS

O escritor Mário Palmério nasceu em Monte Carmelo em 1916, estudou em Uberaba e dedicou-se ao magistério.

Em 1945, construiu o edifício do Colégio do Triângulo Mineiro e, em 1947, a Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, primeiro passo para a transformação de Uberaba em cidade universitária.

No ano de 1956, publicou o romance Vila dos Confins e, em 1968, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras.




A escritora Rachel de Queiroz, ao prefaciar a obra, ressalta que o livro traz aquele rio, aquela mata, aqueles bichos, aqueles caboclos, aquelas histórias da caça e pescaria, que parecem histórias de mentiroso, de tão saborosas. (30 – 10 – 1956).

O romance caracteriza o cerrado, a criação do zebu, a caça, a pesca, os viajantes e o processo eleitoral no interior de Minas. Um dos personagens, Xixi Piriá, representa o mascate – recebido nas fazendas da região, na época – entregando tecidos, perfumes, relógio, recados, bilhetes... A maneira narrativa de Mario Palmério nos faz compartilhar de cada alegria vivida com a sua chegada.

Além do mascate, aparecem Dr. Paulo (o político em campanha), Jorge Turco, dono da “venda” e muitos outros encontrados pela estrada salineira (rota que trouxe o desenvolvimento o interior mineiro). Várias são as palavras e expressões que registram nosso regionalismo: que nem estorvo em boca de bueiro, murundu, cafua, azaralhou os olhos embaçados e meio arregaçou as pelancas da boca, ficar um molambo...

A cena em que o personagem do político passa mal, é descrita com tanto realismo que, ao ler, sente-se o cheiro de casa e a agonia do personagem.

O tema, tratado com maestria por Mário Palmério, remete cada leitor a uma discussão pertinente aos tempos atuais e presente também naquela época: ...a eleição vem aí, e o título de eleitor rende a estima do patrão, a gente vira pessoa...

A história, a trajetória de um político em processo eleitoral, identifica pessoas, lugares e atividades econômicas, como o garimpo, as fazendas de criação, os causos, os medos (caboclos).

Leitura que vale a pena!


Texto: Marise Soares Diniz

Outras obras do acervo: Chapadão do Bugre (1965)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Nasceu em Portugal, em 1824. Veio para Uberaba para trabalhar no comércio de sal. Em 1851, fundou uma farmácia. Morou na primeira residência da cidade, construída e habitada, anteriormente, por Major Eustáquio. Sobressaiu-se como advogado e suas cartas para o Jornal do Comércio (RJ), do qual foi correspondente efetivo desde 1861, divulgavam fatos da história do município para todo o Brasil.

Elaborou, em 1855, auxiliado por Manoel Terra, o censo da vila de Uberaba, trabalho que serviu de base para o pedido de elevação da vila à cidade (Lei n° 759, de 2 de maio de 1856) e escreveu numerosos e valiosos trabalhos, registrando o histórico da povoação local desde os tempos primitivos. Trabalhou muito pelo Brasil, durante a Guerra do Paraguai e militava no Partido Liberal. Foi também diretor da Escola Normal.
Durante sua gestão:
- a Santa Casa de Misericórdia foi reformada.
- todas ruas da cidade foram nomeadas e as casas numeradas. (1879)
- manteve um observatório meteorológico.
- decretou 15 de agosto como o dia da festa de N. S. D’Abadia, devido a água
milagrosa.
- fundou-se o jornal Correio Uberabense. (1880), instalou-se a Escola Normal e foram
inaugurados a iluminação pública com lampiões e querosene, o Mercado Municipal e as
empresas: A Casa do Chapéu e Fábrica de Tecidos Caçu (1882).

terça-feira, 19 de agosto de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Na época de sua gestão, criou-se A Gazeta de Uberaba. Foi membro do senado mineiro e como agente executivo:
- equilibrou a receita e a despesa, organizando o setor administrativo e financeiro da Prefeitura de Uberaba, a partir de um levantamento sobre a quantidade de residências, casas comerciais e atividades agrícolas, pastoris e industriais existentes.
- abriu novas estradas e melhorou a estrada que liga Uberaba a Ribeirão Preto.
- nomeou o vereador João Batista Machado (pai do Artur Machado) como intermediário nos negócios realizados entre os comerciantes de Uberaba e os centros produtores do Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, garantindo, com seu nome, credibilidade para o município.
- abriu novas ruas na cidade, pois o crescimento econômico provocara um aumento da população.
- autorizou a realização da tradicional Festa do Divino, proporcionando aos festeiros a possibilidade de percorrerem as moradias, angariando fundos.
- trouxe a Companhia Mojiana para a cidade.
- criou e foi o primeiro diretor da Escola Normal.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

NOSSA SENHORA DA ABADIA

Nas proximidades do Mosteiro dos Bouros (Portugal), durante a invasão dos mouros, por volta de 1140, os frades do Convento de São Benedito abandonaram o local, permanecendo por lá apenas um religioso. A ele juntou-se um fidalgo e ambos viram uma luz projetada nas pedras do vale. Dirigiram-se ao local e descobriram uma imagem da Virgem Maria esculpida em pedra. Ergueram um altar no local e, posteriormente, o arcebispo ordenou a construção de uma Igreja de pedra lavrada, para abrigar a imagem e possibilitar a realização dos ofícios. Aos poucos, cresceu o número de adeptos e uma Abadia (convento dirigido por um Abade) foi construída. A partir disso, a fama da Nossa Senhora da Abadia e de seus milagres espalhou-se por todo o território português.

No século XVIII, uma réplica da imagem chegou ao Brasil, pela mão dos portugueses, no povoado de Moquém, Província de Goiás. Em 1881, a mesma devoção foi trazida a Uberaba pelo Capitão Eduardo José de Alvarenga Formiga e pelo Major Ananias Ferreira Andrade. No mesmo ano, a Câmara Municipal de Uberaba doou o terreno onde edificaram uma Capela em homenagem à Santa. Em 1921, a capela foi ampliada e transformada em paróquia.

Década de 1920


Cópia do projeto de acréscimo - 1941

Em 1987, tornou-se Santuário da Abadia. Popularmente, Nossa Senhora da Abadia, sempre foi conclamada a padroeira da cidade, porém o padroado só foi oficializado em 2007, por meio de declaração do Arcebispo, Aloísio Roque.



terça-feira, 12 de agosto de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Nasceu em Belo Horizonte em 1795 e veio para Uberaba em 1820. Exercia a medicina e o direito, além e ser padre. Era um excelente orador e ocupou uma vaga de vereador na 1ª Câmara (1837). Em sua gestão:
- as ruas centrais de Uberaba receberam iluminação de lampiões a querosene, acesos depois das 19 horas por um funcionário da Prefeitura. O primeiro lampião foi instalado em frente ao Paço Municipal (hoje Praça Rui Barbosa).
- a maneira como a população utilizava a água tornou-se uma preocupação e, visando disciplinar o seu consumo, os principais “regos” e nascente foram canalizados (com aroeira), taxas foram cobradas e imóveis construídos sobre vertentes foram desapropriados.
- o Governo Municipal – atendendo a solicitação da Corte – adquiriu um terreno para a construção de uma escola “prática em que se prepara a mocidade em estudos elementares, sobretudo o que entende como a cultura do solo e serviço da lavoura [...]” (Ata, v.2, p.60) e indicou, para elaborar o estatuto da escola e selecionar o conteúdo a ser ministrado, o vereador Henrique Des Genettes. - o Matadouro Municipal foi construído, o relógio da Matriz, instalado e o Hotel do Comércio, inaugurado (1876).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

CONGRESSO REGIONAL DE EDUCADORES DE UBERABA E TRIÂNGULO MINEIRO

Minicurso
História de Uberaba: o documento histórico como fonte de informação e as novas tecnologias (Blog) como subsídio para a prática educativa

O Arquivo Público de Uberaba dinamiza seu acervo por meio de ações pedagógicas, divulgação e publicação de pesquisas. Assim, pelo segundo ano consecutivo, participou do Congresso de Educadores promovido pela Prefeitura Municipal de Uberaba, oferecendo um minicurso relacionado à história do município.

Durante o acontecimento, os educadores assistiram ao vídeo institucional do APU e receberam informações e exemplos, por meio de apresentação de imagens e explicações orais, relacionados à vinculação da história de Uberaba a marcos históricos mundiais e nacionais.

Mineração, Desemboque e o surgimento de Uberaba

Guerra do Paraguai e os Ofícios expedidos pela Câmara Municipal de Uberaba

A Primeira República e a chegada da Mojiana


A Revolução de 30, a gestão de Guilherme Ferreira e as críticas de Orlando Ferreira (Doca)




A Segunda Guerra, os ex-combatentes uberabenses e a visita de Getúlio Vargas a Uberaba

JK e o Centenário de Uberaba

O regime militar, a censura e a prisão de estudantes uberabenses

Além disso, conheceram o acervo da instituição, tiveram acesso ao blog do Arquivo e foram estimulados a interagir com mais esse canal de comunicação.

O APU agradece a todos os participantes, espera que o conteúdo e a maneira como foi oferecido tenham sido bastante significativos para todos e se coloca à disposição para recebê-los novamente, com suas turmas de alunos ou para pesquisas de interesse próprio.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Como agente executivo:
· organiza uma associação destinada a receber colonos imigrantes estabelecidos em Uberaba, atendendo a uma solicitação do Governo Imperial.
· providencia a abertura de novas estradas municipais e provinciais, tendo em vista a implementação das atividades comerciais e o destaque da Câmara à grande quantidade de mascates, percorrendo as propriedades rurais da cidade e a Rua do Commercio.
· determina aos fazendeiros estabelecidos em Uberaba para que cumprissem a decisão do Governo Imperial após a aprovação da lei do ventre-livre, (lei nº 2040, de 30 de setembro de 1871) e estudo da possibilidade de criar uma associação destinada à educação dos filhos de escravos nascidos em Uberaba.
· reaparelha a Casa de Saúde, disponibilizando atendimento à população, devido a uma epidemia de sarampo.
Os produtores rurais uberabenses participaram pela primeira vez da Exposição Nacional de Gado na Corte (Rio de Janeiro), na época em que era o agente.
Continuou sua carreira política, assumindo um cargo de deputado, representando Uberaba.

sábado, 2 de agosto de 2008

BLOGS EDUCACIONAIS

Professores que participaram do Congresso Regional,

conforme prometemos, alguns endereços relacionados a blogs educacionias:

Curso de blog como ferramenta didática - http://www.overmundo.com.br/overblog/curso-de-blog-como-ferramenta-didatica

Blog "blog pedagógico" - http://blog_pedagogico.zip.net/

Blog como ferramentas pedagógicas http://www.ead.sp.senac.br/newsletter/agosto05/destaque/destaque.htm

Blog na sala de aula - http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=62

Blog pedagógico premiado - http://vidassecascolbachini.zip.net/

Blogs podem romper barreira da sala de aula - http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/capital_050406.htm

Tutorial para comentários no blogger - http://docs.google.com/View?docid=ajkfqbkz3mhh_51f2rpg7hp

Webfólio como estratégia de avaliação e aprendizagem - http://www.vivenciapedagogica.com.br/?q=webfolio.html

Colaboração de Fernanda Ramirez, editora do blog Ser-tão Paulistano

terça-feira, 29 de julho de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


Francês, diplomado em medicina, veio para Uberaba, em 1853, como médico do Batalhão de Guardas Nacionais.
Homem erudito e orador fluente, por aqui, exerceu várias funções, auxiliando Fernando Vaz de Melo a fundar, em 1842, o primeiro estabelecimento de instrução secundária em Uberaba (atual Colégio Marista Diocesano). Em 1859, edificou um colégio para o ensino de português, latim, francês, geografia, aritmética, geometria e retórica (Rua Manoel Borges). Em 1862, participou da construção do Teatro São Luís e escreveu peças para serem ali representadas. Jornalista, iniciou a imprensa do Triângulo Mineiro e publicou, em 1874, o primeiro jornal de Uberaba e do Triângulo, nomeado de Eco do Sertão, O Uberabense, Monitor Uberabense, O Progresso e O Paranaíba. Além disso, assumiu os cargos de professor, médico, vereador, advogado e inspetor da instrução pública. Apoiou a construção da Santa Casa. Deu ao "Sertão da Farinha Podre" o nome de "Triângulo Mineiro" e, em 1875, desenvolveu a primeira campanha separatista, desejando anexar a região ao Estado de São Paulo. Ordenou-se em 1876 e, em seguida, foi nomeado vigário. Durante sua gestão, o município vivenciava:
A reanimação do comércio com a chegada de famílias ricas, uma vez que a guerra civil dificultou a vinda de algodão da Europa.
A promoção do alistamento de voluntários da Pátria para se incorporarem à Guarda Nacional, tendo em vista a organização do sistema de defesa militar diante da ameaça da invasão do Paraguai.
A invasão do território do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), pelas tropas do Paraguai, em 12 de fevereiro de 1865.
A criação de fundo de assistência para garantir o socorro aos soldados feridos em combate ocorre e anunciação da vitória brasileira na Batalha do Riachuelo, durante os conflitos da Guerra do Paraguai.
A divulgação da vitória brasileira na guerra do Paraguai e realização de festejos pela Câmara e Igreja Matriz, a fiscalização rigorosa sobre o comércio local, pois a abertura de novas empresas exigia a regularização da documentação junto à Prefeitura Municipal, a indicação de Hermógenes Cassimiro de Araújo, filho do Barão da Ponte Alta, para o cargo de administrador da Recebedoria de Ponte Alta[1] (1866).
O estabelecimento – pela Câmara – de critérios para o alinhamento das ruas, observados a partir das construções das casas, de forma a permitir o arruamento e a canalização de córregos e regos d’água.
A apresentação sem fardas e sem espadas dos recrutas mineiros aquartelados em Uberaba, provocando embaraços aos vereadores e alguma deserções.
A implementação do comércio de sal com o Mato Grosso, intensificando o trabalho dos condutores de carros de bois destinados àquele estado. (1867)

[1] Note-se a importância deste Porto para a economia local, devido à transferência da “rota salineira” de São João Del Rey, para a região de Uberaba. Ponte Alta era o caminho das tropas, vindas da estrada do Anhangüera, no Estado de São Paulo.