terça-feira, 28 de outubro de 2008

LEITURAS INTERESSANTES

A BATALHA DE DELTA


Paulo Fernando Silveira é membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, advogado e professor universitário. Exerceu o cargo de Juiz Federal e desenvolveu estudos e trabalhos nos EUA e na Europa.

O autor abre o livro informando ao leitor que a obra é baseada em fatos reais e que o nome das pessoas citadas são verdadeiros, embora tenha a característica de trazer ao público uma visão mais concreta e particularizada, uma abordagem mais viva dos personagens, evitando fragmentar o fato histórico.

Nas palavras do próprio autor “...o livro versa sobre as batalhas travadas entre as forças legalistas (os paulistas) contra os rebeldes (os mineiros), visando à tomada da ponte de Igarapava, como era conhecida por eles. Para os mineiros, tratava-se da ponte de Delta. (...) A narrativa enfoca a visão dos principais comandantes e líderes militares envolvidos no engajamento bélico, o qual foi documentado em telegramas, radiogramas e jornais da época. Livros e artigos de ilustres autores, que tratam da matéria, foram também consultados...”.

No texto, há afirmações de que, em 1930, Uberaba era a cidade mais importante do Triângulo Mineiro, pois aqui estavam situados o 4° Batalhão de Infantaria da Polícia Militar, a Delegacia Regional dos Correios e todos os serviços públicos. A posição geoeconômica da cidade era estratégica. Além das lavouras de arroz, milho, feijão e café, suas pastagens nutriam o país de carne. Por isso, os paulistas queriam conquistar Uberaba.

Marise Diniz
Obras do acervo:
O Sertão da Farinha Podre: Uberaba e a guerra do Paraguai (2004)
O Morro das Sete Voltas: Guerrilha na Serra da Saudade (2008)


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - DE 1873 AOS DIAS ATUAIS

Era advogado.
Durante sua gestão, inauguraram-se a Igreja São Domingos e o Grupo Escolar Brasil e os fazendeiros se posicionaram contra a criação do imposto territorial, fundando o "Clube da Lavoura e Comércio" transformado, posteriormente, em poderosa organização política, responsável pela publicação do Jornal Lavoura e Comércio – defensor dos interesses da classe – dirigido por Garcia, até 1903.
Nessa época havia dois partidos políticos: Partido Republicano Municipal (Pachola) e o Partido Republicano Mineiro (Arara) e os paulistas desencadearam uma campanha contra o zebu.
Ao ser eleito deputado federal, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

DOCES RÉPTEIS

Que os dinossauros foram extintos há milhões de anos, não é novidade para nenhum vivente deste mundo. O curioso é a presença quase viva desses “milionários” bichões. Nunca deixaram de ser pesquisados pela ciência e, explorados pela mídia, foram reinventados no cinema e estampam camisetas, lancheiras e mochilas escolares, histórias em quadrinhos e portas de geladeira.

Uberaba, terra cheia de acontecimentos que lhe permitem fazer bonita figura perante o mundo, veste-se de cerrado, refresca-se nas cachoeiras, capricha no tratamento dado ao gado zebu e tem sua “Terra dos Dinossauros”. É... O precioso pedaço tem nome e sobrenome e corre à boca pequena que será transformado, pela UNESCO, em patrimônio da humanidade.

Frederico Peiró saiu de Linares (Espanha), quase no final do século XIX. Por volta de 1895, já morava em uma região próxima 20 km de Uberaba, conhecida como Estação Paineiras[1] e administrava uma fábrica de cal. Meia dúzia de anos mais tarde, fundou a própria empresa e prosperou de um jeito que chegou a 150 funcionários e aproximadamente 90 toneladas de cal por dia. Sua produção era exportada para São Paulo, via estrada de ferro.

Imagem: http://www.estacoesferoviarias.com.br/

Tanto fez por sua Paineiras, implantando por lá escola e filial dos correios que, em 1924, o empenho foi reconhecido e seu nome carimbado na estação. O povo continuou na luta de cada dia, mas o trecho da linha férrea não mais quis ser. Peirópolis[2], quase foi a pique sem o remelexo do trem, não fosse a notícia de matéria dura e pedras esquisitas.

Em tempos de segunda guerra, operários trabalhavam na região, na expansão da linha de ferro, e encontraram uns estranhos ossos. A notícia chegou aos ouvidos de um farejador paleontológico, o gaúcho Llwellyn Price, que veio ligeiro. Langerton Neves da Cunha, profundo conhecedor de ervas e ungüentos, morador da Estação e amigo de Chico Xavier, tornou-se seu fiel escudeiro. Juntando esses ossos e outras preciosidades, Langerton aprendeu o ofício. Ele cuidava muito bem da Vila Cantinho Espírita – no centro da comunidade – e do seu museu paleontológico. Na verdade, uns guardados de pedras e formas diferentes que a natureza foi colocando em seu caminho e Price não mandou para o Rio de Janeiro.

A dupla descobriu fósseis com mais de 70 milhões de anos. Era Uberaba confortavelmente instalada no mapa da paleontologia brasileira. Hoje, bem assentados no local, o Centro de Pesquisa leva o nome de Price e o Museu dos Dinossauros tem em seu acervo exemplares, inclusive inteiros, de seres carnívoros, herbívoros, tartarugas, crocodilos, peixes, moluscos, crustáceos de água doce, microfósseis de plantas e ovos de dinossauro. A terra que tão bem acolheu Frederico Peiró é reconhecida como o mais importante centro de pesquisa paleontológica da América Latina.


Imagens: http://www.peiropolis.com.br/ e http://www.sescsp.org.br/




Mas, não é só pelos dinos que Peirópolis se enche de sorrisos nos finais de semana. Há belas cachoeiras ao redor da estação e uma gente serena, que gosta de agradar o visitante, com um cafezinho fresco, uma fruta colhida no pé ou uns docinhos cujas receitas devem conter segredos tão antigos quanto os gigantescos répteis, considerando a gostosura e a variedade.

Imagem: http://www.periopolis.com.br/

E, se os dinos nos remetem a um passado bem remoto, que lembra ancestralidade e toda a mística que isso pode sugerir, Peirópolis também se proveu dessa idéia. Desde 1995 – quando foi criada – a Fundação Peirópolis mantém, no bairro, o Museu de Valores Humanos e promove estudos e eventos relacionados à Educação em Valores Humanos, baseados na proposta do indiano Sathya Sai Baba.


Imagem: http://www.peiropolis.com.br/


A próxima empreitada da Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis é implantar o “Caminho dos Dinossauros”, unindo o Desemboque ao vale dos dinos. A rota prevê, entre outras paragens, Sacramento, Gruta dos Palhares[3] e Chapadão do Bugre.

Cada passo de um desses répteis deve equivaler a uns cinqüenta de um humano, mas penso que eles acompanharão com entusiasmo o frejo divertido do trajeto. Afinal, se Santiago abençoa quem trilha seu caminho, é certo que os dinos zelarão de quem tão bem cuida de seus restos mortais.

imagens: fim de tarde em Peirópolis - foto de Giovana Frange

réplica de um dino, frente ao Centro de Pesquisas: http://www.revelacaoonline.cuniube.br/


Iara Fernandes

Publicado originalmente em www.sertaopaulistano.blogspot.com

[1] Antiga estação Cambará, inaugurada pelo Conde D’Eu, em 1889.
[2] Bairro de Uberaba, cujo acesso se dá pela Br262.
[3] Considerada a maior gruta de arenito da América do Sul.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Uberabense, nascido em 1859.
Fundou, em 1881, a Joalheria Mineira e foi eleito agente executivo, após a cassação de Anthero Ferreira da Rocha. Era membro do Partido Republicano Mineiro (PRM), governista, professor normalista vitalício da segunda escola pública de instrução primária do sexo masculino e integrante da mesa administrativa da Santa Casa.
- Realizou melhoramentos no Teatro São Luiz.
- Ofereceu ao governo do Estado o prédio do
Instituto Zootécnico e dez alqueires de terra
para a fundação de uma fazenda modelo.
- Construiu com recursos próprios o prédio da
escola situada à Rua Vigário Silva, entre as Ruas da Ladeira e São Miguel.
Em 1903 inaugura-se o Colégio Marista Diocesano e o serviço de força e luz. Devido ao surto de febre amarela, a Câmara propõe ações para desinfecção. As irmãs dominicanas passam a realizar seus estudos em Uberaba, no Colégio Nossa Senhora das Dores. O Batalhão de Polícia é transferido para Belo Horizonte. Em 1905, as funções de presidente da Câmara e de agente executivo, voltam a ser exercidas por uma só pessoa e, nesse mesmo ano, inaugura-se a luz elétrica e concluí-se a construção da Igreja Adoração Perpétua. Em 1906, acontece a primeira exposição de gado zebu na fazenda Caçu e chega a Uberaba o primeiro automóvel.

No ano de 1920 era urgente eleger um presidente da Câmara efetivo, pois as interinidades prejudicavam os negócios do município.

Morreu em 1924.

LEITURAS INTERESSANTES

ESTRADEIRO PARA ONDE VAI O HOMEM?


Juvenal Arduini nasceu em 1918. Ingressou no Seminário aos 13 anos. Cursou Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte e foi ordenado padre por Dom Alexandre, em 1942. Introduziu, em 1954, na Faculdade de Medicina, a Missa dos Universitários, que celebra até hoje. Além de escritor, foi professor universitário e atua junto aos enfermos, no Hospital São Domingos.

O livro constitui-se de diversos textos, organizados por sessões, cujos conteúdos analisam filosoficamente as situações e os conflitos humanos.

Na primeira sessão, Linguagem Social, no texto “Tarefeiros”, o autor reflete:

A análise fenomenológica revela-nos que, estrutural e existencialmente, o homem é um ser participante. Não se conforma em ser apenas espectador dos acontecimentos. Sente-se diminuído quando é chamado a executar somente tarefas preestabelecidas. O homem não se realiza se tiver apenas que cumprir aquilo que lhe é proposto. Revela a necessidade radical de propor projetos pessoais. Ser autor e não somente ator.
(ARDUINI, 1977, p. 31).

Na sessão posterior, Condição Humana, o texto “Ser Compreensivo” questiona se uma pessoa pode compreender o outro, se ela não for compreensiva. E alguém pode ser compreensivo, sem chegar a compreende-se?

A leitura avança com as sessões Mergulho Antropológico e Na Estrada, na qual aparece o texto “Estradeiro”, que deu o título à obra:

O homem é capaz de partir e de chegar. Mas, o que o define mesmo é a estrada. É um eterno caminhante [...] Caminhar não é só deslocamento físico. É também mobilidade existencial. Caminhar é tornar-se mais consciente e mais livre. Caminhar é assumir a vida, e crescer historicamente. [...] Enquanto o homem estiver caminhando, há sempre esperança. Pois, a grandeza do homem não está em partir ou chegar, mas em manter-se na estrada.
(ARDUINI, 1977, p. 177).

Na sessão Universo Dialogal encontra-se um dos mais lindos textos, “Ouvir”:

Não basta ter ouvidos, para ouvir. Ouvir oferece significados diversos. [...] Existem vários modos de ouvir, e consequentemente vários tipos de surdez. [...] Quantas vezes a pessoa, com perfeita audição física, é surda psicologicamente, surda moral ou socialmente. Há gente que nunca conseguiu ouvir determinadas dimensões da vida humana.
(ARDUINI, 1977, p. 205).

O livro, finalizado pelas sessões Convergência, Chamado da Vida e Outra Dimensão, provoca o leitor, leva-o refletir sobre pontos humanos fundamentais e sensibiliza para uma tomada de decisão quanto aos valores a serem seguidos.
Marise Soares Diniz

Obras do acervo: Temas da Atualidade (1962), Temas Sociais (1964), Homem-Libertação (1972), Horizonte de Esperança: teologia da libertação (1986), Destinação Antropológica (1989) e Testemunhos Inesquecíveis (1999).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

MACHADO E UBERABA

No início de setembro, alunos da Escola Municipal Totonho de Morais, situada no Bojico, visitaram o Arquivo Público.

Em atividades desenvolvidas nas aulas de literatura da professora Delcira Soares, estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental pesquisaram sobre Uberaba, na época em que Machado de Assis produzia suas obras.

As turmas passaram uma manhã no APU, examinando livros de historiadores e memorialistas do século passado, publicações uberabenses da época, fotografias de Uberaba nas décadas de 1890 e 1900, documentos de compra e venda de escravo, atas da Câmara e manuscritos.



De acordo com relato da professora: “Trabalhamos da seguinte forma: os alunos identificaram elementos das obras e da época em que viveu Machado de Assis nos materiais aí pesquisados; pelas fotos puderam comparar os vestuários, os meios de transporte, a ausência de saneamento, as construções, o paisagismo, etc.; pelos documentos escritos, puderam verificar fatos alusivos à escravidão, tipo de linguagem utilizada, tipo de textos produzidos (poemas, textos publicitários, etc.), acontecimentos marcantes da história, etc.
E assim por diante...”


crédito das fotos: alunos da escola Totonho de Morais


Obs.: o MEC acaba de disponibilizar toda a obra do grande autor brasileiro no endereço: http://portal.mec.gov.br/machado