domingo, 18 de outubro de 2009

PESQUISADOR, PROFESSOR, SERVIDOR

O Projeto de Lei 7.577/06, de autoria do Senado Federal, com proposição aprovada, institui o dia 8 de julho, como o Dia Nacional do Pesquisador. A data é uma homenagem ao dia em que foi fundada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1948.

O dia 15 de outubro é consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila e foi também a data em que Dom Pedro I decretou a criação do Ensino Elementar no Brasil. Cento e vinte anos depois, no ginásio “Caetaninho”, em São Paulo, quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia dedicado ao descanso, à confraternização e à análise das ações no decorrer do ano escolar. Em 1963, o Decreto Federal 52.682 oficializou nacionalmente o feriado escolar.

Pesquisas confirmam que são duzentos anos de funcionalismo público e a origem desse serviço está na chegada da Família Real. O Brasil se tornou independente, virou império, república e lá estavam os servidores. O Decreto-Lei 5.936 (1943), de Getúlio Vargas, efetivou a data de 28 de outubro como o Dia do Funcionário Público e o novo estatuto, de1990, substituiu o termo funcionário público pela palavra Servidor.

Pesquisador, professor ou servidor, esses profissionais (alguns exercendo as três funções ao mesmo tempo), continuam na luta, tentando das diversas formas possíveis descobrir, preservar, transformar. São pessoas que ainda “...acreditam nos caminhos que seus corações lhes segredam, mesmo quando a realidade insiste em lhes provar o contrário...” (Rosaly Stefani).
Parabéns a todos os pesquisadores, professores e servidores!

sábado, 17 de outubro de 2009

UBERABA - FRANÇA


Uberaba-França é um caso antigo e podemos confirmar isso por meio dos registros sobre as primeiras impressões a respeito da cidade e da região, feitos por alguns viajantes franceses ou ligados a França, em passagem por aqui, no decorrer do século XIX.

Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire: nascido em Orleans, veio para o Brasil em 1816, acompanhando uma missão extraordinária. Era naturalista e conhecedor da literatura científica e de viagens. Dentre os vários relatos sobre a Farinha Podre, deixou registrado: “... atravessei um pequeno córrego chamado Uberava Falsa, (...) O arraial é composto de umas trinta casas espalhadas nas duas margens do riacho, e todas, sem exceção, haviam sido recém construídas (1819), sendo que algumas ainda estavam inacabadas, quando por ali passei...”. Sua estada no Brasil resultou na obra Viagem à Província de Goiás.

Visconde de Taunay: era filho de franceses e passou por Uberaba, por volta de 1865. De acordo om seus relatos: “...a cidade continua em progresso. Constróem-se casas e há projetos de melhoramentos. As lojas estão bem sortidas, nelas se encontram todos os artigos da vida moderna. (...) Uberaba, situada na aba de extensos chapadões, ergue-se pela encosta de dois deles ...” Seu primeiro livro, La Retraite de Laguna, foi escrito em francês, logo após seu retorno da Guerra do Paraguai, em 1871. Em outras obras de sua autoria, Uberaba também é citada, como no trecho do conto Juca, o Tropeiro, do livro Histórias Brasileiras (1874): “...Uberaba, tão sossegadinha! Longe de tudo e de todos no meio de seus sertões...”

Conde D’Eu: genro de Dom Pedro II, hospedou-se na Quinta da Boa Vista, em sua visita à nossa cidade, quando se inaugurou a Estação Mogiana.

Neste ano da França no Brasil, vale destacar que a França, inegavelmente, está enraizada em nossa cultura e ligada à nossa história. Outros franceses para cá vieram, aqui permaneceram e constituíram suas famílias. Na mesma via, uberabenses aportaram no país da Torre Eiffel, motivados por estudo ou parentescos e, de passagem, ou com moradia fixa, ajudaram a consolidar os laços da Princesa do Sertão com a terra de Bonaparte.

Para saber mais sobre a França em Uberaba, leia no Jornal da Manhã, todos os domingos, artigos de autores uberabenses. Já foram publicados artigos de: João Eurípedes Araújo e Iara Fernandes (APU), Guido Bilharinho, Jorge Nabut, Eliane Marquez e Carlos Alberto Leite.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

UBERABA E O PODER EXECUTIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS



Em 1930, o poder legislativo foi extinto pelo movimento revolucionário da Aliança Liberal – responsável pela chegada de Getúlio Vargas à Presidência da República – e manteve o recesso até 1934. O agente executivo, nomeado prefeito pelo interventor do Estado, exercia funções do executivo e do legislativo. Guilherme de Oliveira Ferreira tomou posse no dia 11 de dezembro de 1930, permanecendo no cargo até 26 de janeiro de 1935. A Constituição de 1934 estabelecia dois poderes municipais: o executivo (prefeito, indicado pelos vereadores, eleitos pelo voto popular) e legislativo (Câmara).

Na gestão de Guilherme, destacam-se:
- obras: remodelação do mercado, criação de escolas rurais e urbanas, reforma do telhado da Santa Casa, calçamento e asfaltamento de ruas, tratamento de água e esgoto, construção de avenidas e estradas (Uberlândia, Rio do Peixe, Conceição das Alagoas, Delta Peirópolis), fato pelo qual foi homenageado por condutores e motoristas;
- ações: contrato para a construção de um necrotério, publicação diária do expediente municipal no jornal Lavoura e Comércio, contratação de nova empresa de energia elétrica e de empresas interessadas no fornecimento de água e no serviço de esgoto, ampliação da rede elétrica após o término do contrato da Cia. Força e Luz, instalação de telefonia automática, concurso para professor, criação de caixa escolar para aquisição de material e fardamento de alunos carentes, criação da Guarda Municipal, eliminação da cobrança de taxas de pedágio e organização do atendimento, regularização da documentação e estabelecimento de normas para o funcionamento do Cemitério Municipal;

Na época em que foi prefeito, o Colégio N.S. das Dores foi ampliado, o campo de aviação foi terraplanado, a VASP iniciou sua escala em Uberaba, houve um significativo aumento do número de estudantes (ensino primário e alfabetização), instalaram-se os primeiros telefones automáticos, um hospital da Cruz Vermelha foi montado, no prédio do Grupo Escolar Brasil, para atender os soldados feridos na Revolução de 1930. Além disso, Hildebrando Pontes foi encarregado de escrever um livro sobre a história, as leis vigentes e os principais dados estatísticos do município e criou-se o Comitê dos Revolucionários, que congregava os políticos locais, regionais, estaduais e federais e depôs Júlio Prestes, substituindo-o por Getúlio Vargas.

Faleceu na década de 1940.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

LEITURAS INTERESSANTES

A cidade perdida: anotações sobre o cotidiano – meio ambiente, política e educação.



Renato Muniz Barretto de Carvalho é uberabense, escritor, professor universitário e incansável combatente a favor da preservação ecológica.

O livro apresenta um conjunto de artigos publicados no Jornal de Uberaba, cuja preocupação central é o meio-ambiente e as condições de vida da cidade. Nas palavras de Renato: “...O homem social, ser coletivo, dividido em classes sociais, ser possuidor de uma história uma geografia próprias (...) segmentos socias, são e devem ser responsabilizados por suas ações e as consequências delas...” Além da questão ambiental, e não desvinculada dela, o autor também apresenta reflexões sobre a política, preservação e memória e a educação.

No texto “Uberaba e seus cursos d’água” o escritor afirma que: “...o processo de crescimento e expansão urbana de Uberaba ocasionou a ocupação de importantes manaciais cuja degradação pode comprometer gravemente a qualidade de vida de muitos uberabenses. A cidade tem uma localização privilegiada quanto aos recursos hídricos. (...) O caso dos córregos que nascem na cidade, ou que por ela passam, constituem, hoje, objeto de nossa preocupação. A situação de degradação de quase todos é preocupante. Considere-se o caso do córrego do Cachimbo, no Fabrício, próximo à rua Carlos Tasso R. da Cunha, do córrego Sucuri, das Toldas, Caçu, entre outros...” e conclui, dizendo: “...os problemas do meio ambiente e de saneamento são integrados, e envolvem toda a população.”


Marise Diniz


Outras obras do autor no acervo do APU:
Crônicas impertinentes (2008)