quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ROBIN HOOD DOS SERTÕES


A partir de uma pesquisa sobre os pioneiros de Coxim (MS), o uberlandense, Professor Doutor Ely Carneiro de Paiva, ‘tropeçou’ em uma breve referência histórica acerca do estelionatário, Afonso Coelho. Começavam aí suas minuciosas investigações sobre esse ‘Robin Hood dos Sertões’, um ‘ herói nacional’ que, durante a Belle Époque carioca, viveu e proporcionou, à sociedade de seu tempo, momentos repletos de comédia, aventura, drama e tragédia.

Com uma linguagem ágil e um delicioso tom investigativo, Ely conta as peripécias do Homem do Cavalo Branco, ao mesmo tempo em que traça interessante painel de época, incluindo Uberaba e Uberlândia. A obra tem sido muito bem recebida pela mídia rádio-impressa e pode-se conferir seu sucesso, acessando o blog: http://homemdocavalobranco.blogspot.com.br/.

O Arquivo Público de Uberaba agradece ao professor Ely pela gentileza em enviar um exemplar para enriquecer nosso acervo e deseja muito sucesso nesta e nas próximas publicações.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SOB O AZUL DE NUVENS


“Quando um muro separa, uma ponte une...”
(Paulo César Pinheiro\ PESADELO)

Quando o primeiro tronco caiu sobre um pequeno riacho e suas extremidades ocuparam as margens opostas, estava inaugurada uma nova maneira de se ultrapassar obstáculos em busca de alimento e de abrigo. Esse jeito natural de interligar, no mesmo nível, pontos separados por rios, vales ou outros impedimentos foi prontamente imitado pelo homem e, na época dos etruscos, recebeu o nome de “pont” (estrada). Desde as primeiras, de troncos de árvores ou pranchas de pedra, a evolução de suas construções levou a humanidade a conceber estruturas duradouras diversificadas: em arcos, em ferro fundido, com treliças ou cabos, em aço ou suspensas em extensos vãos (sob água ou meio seco) e à criação, na França, da primeira escola superior de engenharia civil, a École de Ponts et Chaussées, do século XVII.

Existem as mais famosas (Ponte 25 de abril, suspensa, liga Lisboa à margem sul do rio Tejo; Ironbridge, primeira ponte inglesa de ferro fundido; Ponte de Londres, sobre o rio Tâmisa; Golden Gate Bridge, americana, sobre a Baía de São Francisco; Ponte do Brooklyn, sobre o rio Hudson; Ponte Hercílio Luz, em Santa Catarina, a maior ponte pênsil do Brasil; Ponte Rio-Niterói, com 13,9 km de extensão, e a ponte JK, cartão postal do principal centro político-administrativo do país) e as nem tão famosas, mas brilhantes em sua tarefa de conectar lugares e pessoas, como a nossa Ponte de Delta.

Paradoxalmente, essa ponte que desde 1915 une paulistas e mineiros foi campo de batalha para separá-los, na época da chamada Revolução de 1930. O movimento armado liderado por Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul, culminou no golpe de estado que depôs o presidente da república Washington Luís, impediu a posse do eleito, Júlio Prestes, e pôs fim à Republica Velha. Há muitos relatos históricos sobre a árdua batalha, principalmente por conta da estrada de ferro, e quem pôde, como eu, conviver com um avô morador do outro lado da ponte, na época, ouviu casos e histórias de corpos de combatentes descendo o rio.

A estrutura de ferro foi construída para atender à malha ferroviária da Cia. Mogiana que – nascida em berço paulista – cresceu cortando o Triângulo Mineiro e aportou em Uberaba, por volta de 1889. Alguns dizem que as peças vieram da Inglaterra, outros afirma que a ponte tem nacionalidade alemã. O certo é que a partir da década de 1910, a travessia do rio deixou de ser feita com barco ou canoas, para as gentes do lado mineiro (Delta, Sacramento e Conquista, pacatas cidadezinhas que vão devagar, como diria Durmmond), da banda paulista (Aramina, Igarapava) e outras, vindas de estados mais distantes. Quando inaugurada, as pessoas chegavam de todas as localidades para contemplar a beleza. Hoje, o que resta de uma das principais rotas de ligação entre São Paulo e Minas é um conjunto de sustentações, de 324 metros de ferro importado, que guarda marcas históricas importantes, mas que se encontra desgastado, sucateado, cheio de rachaduras, com grades de proteção distorcidas, sinais de infiltração e desprovido de possibilidades de investimentos em sua restauração.

Lenine canta: “A ponte é até onde vai o meu pensamento\ A ponte não é para ir nem pra voltar\ A ponte é somente pra atravessar\ Caminhar sobre as águas desse momento...” e penso que as águas do momento de alguns, quando muito turvas ou turbulentas não oferecem outros caminhos senão os da entrega dolorida. Se muitos se atiraram, e ainda o fazem, da famosa, Golden Gate, ou de outra, sob um céu azul de nuvens fiapentas, não há relato de que isso tenha ocorrido na de Delta, encoberta pelo mesmo céu azul, mas foi sob ela que muitos mergulharam, na profundeza das águas, um futuro inteiro, ao se transformarem – pela bala do inimigo – em corpos correnteza abaixo.

O que, provavelmente, não se passa por nossas cabeças, na vã correria diária, é pensar em como pontes foram e são construídas, em quantos morreram e morrem, durante o processo, deixando nas armações e concretagens, sonhos de um dia atravessá-las e contar que ali tinha seu braço, e no quanto, por mais modernos que estejam as práticas de engenharia e os equipamentos de proteção, haverá sempre momentos de suspensão e, sob os pés, só a forte correnteza da monumental e gorda serpente líquida que, na pressa, de atingir o mar, engole vigas, cabos, roldanas e almas.

Texto: Iara Fernandes

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A CONSTRUÇÃO DO MITO MÁRIO PALMÉRIO

Clique sobre o título para saber mais!

Trabalho do brilhante André Azevedo, jornalista, pesquisador e amigo do Arquivo Público de Uberaba.
Parabéns, André!



quinta-feira, 24 de maio de 2012

UBERABA E O PODER EXECUTIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

           Nasceu em Uberaba, em 10 de abril de 1927. Oriundo de uma família de políticos e pecuaristas, não fugiu à regra e sempre atuou nessas duas áreas. Formou-se em Agronomia pela Universidade Rural do Brasil (Hoje encampada pela UFRJ), em 1950.
       Colaborou na fundação da Sociedade de Agrônomos e Veterinários de Uberaba, e presidiu a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, entre 1964 a 1966, e a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, de 1968 a 1970 e de 1974 a 1978. Exerceu também o cargo de Secretário geral da Confederação Mundial de Criadores de Zebu.
         Na eleição municipal de 1970, foi eleito prefeito pela ARENA, com 14.468 votos, tomando posse em 01 de fevereiro de 1971, e permanecendo no cargo até janeiro de 1973, devido à reforma constitucional. Após o mandato, afastou-se da política e dirigiu a Faculdade de Zootecnia de Uberaba (Atual FAZU), entre 1978 a 1982, ano no qual voltou a disputar o cargo de prefeito, sem êxito. No ano seguinte, a convite do Governador Tancredo Neves, assumiu a Secretária Estadual de Agricultura, desincompatibilizando do cargo, em 1986, para candidatar-se a deputado federal constituinte. Foi eleito pelo PMDB, com 34.519 votos, e tornou-se o relator da Lei Agrícola, na constituição de 1988.
            Depois da sua passagem pelo congresso nacional, deixou a vida pública, mas continua atuante em suas atividades relacionadas à pecuária e à ABCZ.
             Durante sua gestão:
- o terminal rodoviário da praça Jorge Frange foi transferido para o local onde se encontra, atualmente, na praça Carlos Terra, no bairro São Benedito;
- inauguraram-se o Palácio da Cultura “Lúcio Mendonça de Azevedo” (Atual Biblioteca Municipal) e o Estádio Municipal Eng. João Guido (Uberabão);
- a TV Uberaba, primeira retransmissora de televisão instalada na cidade, iniciou suas atividades, em 1972;
- em parceria com o governo de MG, foram construídas a Estação de Tratamento de Água, do bairro Boa Vista e a Escola Polivalente (Hoje, Corina de Oliveira);
- o córrego das Lages (Av. Leopoldino de Oliveira), no trecho entre a rua Senador Pena e a Segismundo Mendes foi canalizado e a avenida Fidélis Reis, ampliada;    

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"ESQUINA DO ENJEITEI"


             A esquina da avenida Leopoldino de Oliveira com a rua Artur Machado, nos seus dois ângulos, é um local bastante movimentado, pois é o encontro de dois importantes logradouros da região central, tanto no quesito comercial, quanto de mobilidade para outros locais da cidade.
Mas, o que a caracteriza também é a sua importância no imaginário popular: desde outrora tem sido um grande ponto de encontro, onde se conversa sobre negócios, política, coisas do cotidiano e por aí vai. O apelido “Esquina do Enjeitei” tomou forma principalmente devido aos casos contados ali, relacionados a transações comerciais no ramo da pecuária. Sempre se ouvia: “Enjeitei tantos mil pelas minhas cabeças de vaca!” ou “Enjeitei muito dinheiro pelas minhas terras!” Assim, usar a forma verbal substantivada para falar da famosa esquina pegou! Até hoje, ela tem seu público cativo e continua com as mesmas características com as quais se tornou – no bom sentido – a “Boca Maldita” uberabense.
Danilo Costa Ferrari

segunda-feira, 19 de março de 2012

UBERABA E O PODER EXECUTIVO - DE 1837 AOS DIAS ATUAIS


                Nasceu em Uberaba, no dia 8 de outubro de 1918, filho de Randolfo Borges de Araújo e Floripes Oliveira Borges. Formou-se em Medicina, pela Universidade do Brasil, atual UFRJ, em 1944, e atuou nas áreas de Cardiologia e Clínica Geral. Participou da fundação da Usina de Delta e do Instituto Médico Legal de Uberaba e foi , em 1953, um dos fundadores da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, onde atuou como professor e diretor. Também atuou no ramo da pecuária zebuína e, além de criador, ocupou diversos cargos na Sociedade Rural do Triângulo Mineiro e na ABCZ, na qual idealizou leilões de gado, aos domingos.
                Elegeu-se vereador em 1962, pela União Democrática Nacional (UDN), com 1117 votos, e presidiu a Câmara Municipal, de 1963 a 1966, ano em que foi eleito vice-prefeito de João Guido, pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Com a renúncia de Guido para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, governou a cidade de maio de 1970 a janeiro de 1971. Candidatou-se a vice em 1972 e em 1982, mas, não eleito, retornou às suas atividades relacionadas à medicina e à pecuária.
                Faleceu em 10 de junho de 1993.
                Durante sua gestão:
              - a área onde futuramente seria instalado o Distrito Industrial 1 (DI-1) recebeu terraplanagem;
              - foi regulamentada, por meio do Decreto nº247, a Bolsa de Publicações do Município de Uberaba, a cargo da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM), para a edição de livros e monografias cujo tema principal fosse Uberaba e região;
              - foram realizadas obras nas praças Rui Barbosa e São Judas Tadeu;

quinta-feira, 8 de março de 2012

08 de MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Cíntia Gomide Tosta
O dia Internacional da mulher é uma data oficializada pela Organização das Nações Unidas – ONU, em 1975. Sua origem está associada à luta por direitos trabalhistas de operárias americanas, em Nova Yorque, e ao II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, ocorrido na Dinamarca, em 1910. Segundo alguns pesquisadores, nesse Congresso, a data de 08 de março foi escolhida como marco das lutas e conquistas femininas.
No Brasil, as mulheres passaram a ter direitos políticos, como o voto, na reforma constitucional de 1932, no governo de Getúlio Vargas. Em setembro de 2006, na gestão do então Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, entrou em vigor a Lei Maria da Penha em defesa da luta contra a violência doméstica sofrida pela mulher.
O APU homenageia as mulheres, nas figuras históricas de duas pioneiras no trabalho pela formação e desenvolvimento da jovem Uberaba: Dona Eufrásia Gonçalves Pimenta, que, em 1815, fundou a primeira escola de instrução primária particular, para as jovens uberabenses, cujo currículo escolar era composto de conteúdos como leitura, bordado, “teçumes” (PONTES, 1992) e D. Francisca Angélica Teixeira Junqueira, que, em 1856, foi referência de trabalho voluntário na construção do Cemitério são Miguel e, em 1859, benemérita na edificação da Santa Casa de Misericórdia (PONTES, op. cit)

Referências:
PONTES, Hildebrando de Araújo. Vida, Casos e Perfis. Uberaba: Arquivo Público de Uberaba, 1992.
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dia-internacional-da-mulher/dia-internacional-da-mulher-1.php

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

UBERABA E O PODER EXECUTIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

                Nasceu em Uberaba, em 21 de setembro de 1916, filho de Santos Guido (importante construtor em nossa cidade) e de Adelina Ferreira Guido. Formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica (USP), em 1942, e, recém-formado, retornou a Uberaba atuando na empresa Santos Guido e Filhos. Posteriormente, tornou-se professor da Escola de Engenharia do Triangulo Mineiro e da Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro. Foi presidente da ACIU, entre 1952 e 1953, e presidente do Jockey Club de Uberaba, de 1955 a 1956.
                Disputou a prefeitura em 1962, mas não foi eleito. Quatro anos depois, teve êxito, tomando posse em 01 de fevereiro de 1967[1]. Em 14 de maio de 1970, renunciou para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, para a qual eleito com 28.233 votos. Permaneceu no Congresso até 1975, no ano seguinte assumiu a presidência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e, em 1979, retomou suas atividades profissionais, deixando a vida política.
                Faleceu em 14 de novembro de 1988.
Durante sua gestão:
- foram urbanizadas diversas praças, dentre as quais Manoel Terra e Afonso Pena (onde foi construída a concha acústica).
- iniciou-se a obra de cobertura e canalização da avenida Leopoldino de Oliveira.
- casas populares foram construídas nos bairros Tutunas e Estados Unidos.
- o Jardim Induberaba foi inaugurado.
- instalou-se o Código Tributário do Município.
- a obra do estádio “Uberabão”, no princípio, sob a administração do Uberaba Sport, foi municipalizada e o campo, quando inaugurado, em 1972, recebeu o nome de Engenheiro João Guido.



[1] A eleição de 1966 foi realizada sob a vigência do AI-2 (Ato Institucional) que, dentre outras resoluções, implantou o bipartidarismo (ARENA e MDB). Junto a isso, nas eleições majoritárias imperava a proporcionalidade dos votos e, em Uberaba, ocorreu um fato bastante inusitado: três candidatos disputaram a eleição a prefeito, pela ARENA, e Francisco Lopes Velludo, pelo MDB. Velludo obteve 7854 votos, classificando-se em primeiro lugar. Seus votos somados aos dos outros três, totalizaram 16310, mas quem tomou posse foi o segundo colocado, João Guido, da ARENA, já que esse partido havia conseguido o maior número de aprovações e o próprio João totalizara 6830 votos.