sexta-feira, 31 de julho de 2015

Conheça a obra – "Dar nome aos documentos: da teoria à prática", uma publicação do iFHC

Dar nome aos documentos: da teoria à prática. São Paulo: iFHC, 2015.
Bibliotecas, museus e centros de memória enfrentam hoje a dificuldade de nomear adequadamente os documentos que precisam descrever e disponibilizar para consulta. Na medida em que os temas abordados evoluem com o tempo, arquivistas e historiadores devem lidar com uma variedade muito grande de linguagens, suportes, técnicas de registro e formatos, sem dispor de repertórios que os auxiliem nessa tarefa.

Tal tema, com seus desdobramentos, está presente no livro eletrônico, cujo título é: Dar nome aos documentos: da teoria à prática, organizado pela curadoria e pela equipe do Acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso - iFHC. O livro traz a edição de palestras e discussões do seminário internacional ocorrido no final de 2013, que reuniu especialistas de áreas diferentes, com a perspectiva de estabelecer uma plataforma de entendimento e aprofundar a discussão sobre a tipologia documental na era digital. Nesse sentido, a obra busca estabelecer uma plataforma de entendimento capaz de responder não apenas às necessidades daqueles que atuam em instituições de custódia, mas também às de profissionais de outras áreas, igualmente empenhados na nominação dos documentos de que se ocupam.

# Clique no link para acessar o livro, Dar nome aos documentos: da teoria à prática.

Todo o seminário está disponível para em vídeo nos links que se segue a programação completa!
Abertura
Apresentação, por Danielle Ardaillon
Diferentes suportes, técnicas de registro e formatos: os gêneros documentais em questão, por Ana Maria de Almeida Camargo
Panorama da diversidade de linguagens encontradas no acervo da Fundação iFHC e dos problemas enfrentados no processo de identificação dos documentos.
Por uma diplomática contemporânea: novas aproximações, por Bruno Delmas
Conferência inaugural em que se revisita, quase duas décadas depois da publicação do Manifesto, o confronto entre as categorias tradicionais da diplomática e os documentos produzidos em meio eletrônico e digital.

# Abaixo, assista o vídeo de abertura do Seminário com o ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Em seguida a sua fala, é apresentado um excelente documentário produzido pelo iFHC, do qual aborda sobre os documentos pessoais acumulados ao longo da vida de Ruth Cardoso e hoje compõem o seu arquivo, que é parte integrante do acervo desta instituição.



Veja também:

Primeira sessão
Modelos de análise de tipos documentais, por Mariano García Ruipérez
Pressupostos teóricos e fundamentos da análise de tipos e séries documentais, à luz da experiência dos países ibéricos.
Debatedora: Sonia Maria Troitiño Rodriguez

Segunda sessão
O discurso eletrônico-digital, por Sérgio Roberto Costa
Na óptica da linguística aplicada, balanço da nomenclatura atribuída aos gêneros textuais emergentes.
Debatedora: Johanna W. Smit

Terceira sessão
Uma base terminológica consensual: limites e possibilidades, por Heloísa Liberalli Bellotto (com a participação dos conferencistas)
Perspectivas de abordagem interdisciplinar do tema e de constituição de domínios discursivos que permitam aprofundá-lo futuramente.

PARTICIPANTES
Ana Maria de Almeida Camargo: docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (História)
Bruno Delmas: docente da École Nationale des Chartes - Paris (Arquivística Contemporânea)
Danielle Ardaillon: curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso
Heloísa Liberalli Bellotto: docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (História)
Johanna W. Smit: docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (Biblioteconomia e Documentação)
Mariano García Ruipérez: diretor do Arquivo Municipal de Toledo - Espanha
Sérgio Roberto Costa: docente da Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações - Minas Gerais (Letras)
Sonia Maria Troitiño Rodriguez: docente da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista - Marília (Arquivologia)

Fonte: iFHC (Adaptação - Thiago Riccioppo)


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Programa Viação Cipó da TV Alterosa visita Uberaba e destaca o Patrimônio Cultural do município

Viação Cipó visita Uberaba. Fonte: TV Alterosa

Conhecido em todo estado de Minas Gerais, o programa "Viação Cipó" da TV Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte - dedicou nesta semana a apresentar uma edição exclusiva sobre o município de Uberaba. Foi destaque o patrimônio cultural: exibindo histórias, lugares, personagens, arquitetura, música, religiosidade, culinária - nas tradições do modo de ser, fazer e viver deste povo do Triângulo Mineiro.

Os três principais símbolos de Uberaba: "O Zebu, os Dinossauros e as reminiscências sobre a figura de Chico Xavier" não poderiam ficar de fora do programa. O apresentador Otávio Di Toledo visitou o Museu do Zebu no Parque Fernando Costa, sede da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu - ABCZ, onde destacou o papel do Zebu na história - demonstrando os principais motivos que fazem do Brasil um líder em tecnologias aplicadas a Pecuária, o que o coloca como maior produtor de carne no Mundo. Toledo também esteve na charmosa Peirópolis com seus Dinossauros e no Memorial Chico Xavier, que em breve será inaugurado com um amplo local para dar destaque a importância de Chico Xavier no imaginário social e religioso do espiritismo brasileiro.

O programa mostra ainda o Mercado Municipal, um lugar que aguça os sentidos e a imaginação, remetendo os visitantes ao passado pela sua arquitetura, além do artesanato e os deliciosos sabores de queijos, cachaças, doces, pastéis... As praças, escolas, os sobrados dos pioneiros do Zebu, igrejas - com ênfase na bela igrejinha de Santa Rita do século XIX, o único bem tombado na categoria Patrimônio Nacional no Triângulo Mineiro pelo Iphan - Instituto do Patrimônio Artístico Nacional, são alguns dos lugares apresentados.

Não perca e assista ao programa dividido em 4 blocos!



Sobre o Programa Viação Cipó

Otávio Di Toledo viaja por Minas Gerais para mostrar ao telespectador da TV Alterosa as maiores belezas abrigadas nas montanhas do estado. Paisagens, cachoeiras, curiosidades, histórias, arquitetura e arte que fazem das cidades de Minas lugares especiais para se conhecer.

Os quadros "Feito em Minas", "Músicas do Cipó" e "Receitas do Cipó" divulgam, a cada edição do programa, a diversidade do patrimônio cultural dos mineiros.

Todo domingo, às 9h30.

Fonte:  Thiago Riccioppo

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Filmes brasileiros: A Casa Assassinada, de Paulo César Saraceni

Por Guido Bilharinho

Não é fácil ao cineasta realizar filme intimista, como muitos romancistas preferiram fazer na literatura. A imagem cinematográfica exige, por princípio, o movimento. Não quer isso dizer, no entanto – sem configurar contradição, ao contrário – que só é cinema ou bom cinema os filmes de muita ação e agitação. Não é porque a imagem incessantemente se move que pessoas e coisas filmadas devem acompanhá-la. O que se sucede ininterruptamente é a imagem, vindo uma após outra. O objeto filmado, matéria da imagem, forma outra realidade, conquanto a componha. Todavia, tanto um quanto outra perfazem corpos distintos, independentes, prescindindo o objeto da imagem, visto ter existência autônoma.
Cartaz do filme de 1971, destacando o ator Carlos Kroeber. Fonte: Cinemateca Brasileira.
No entanto, a imagem, mesmo sempre se vinculando ao que contém, não lhe está jungida, podendo desvencilhar-se e passar a focalizar outro ou outros objetos, aleatória ou intencionalmente.

Em consequência, não importa à imagem cinematográfica, para se constituir, que seu conteúdo seja estático ou não, desde que ela não o seja.

Assim, pode-se perfeitamente realizar filme intimista, carregado de subjetividade, sem prejuízo da ininterrupta sucessividade imagética cinematográfica.

Contudo, dada sua natural dificuldade, poucos são os cineastas que se aventuram a esse cometimento.

Ao filmar o tema do romance Crônica da Casa Assassinada (1959), de Lúcio Cardoso, o cineasta Paulo César Saraceni (Rio de Janeiro/RJ, 1933-2012) poderia optar por dirigir obra intimista ou de ação.

No filme daí resultante, A Casa Assassinada (1970), elege a segunda via, procurando conciliar, em grande tour-de-force, as angústias pessoais e os conflitos interpessoais de suas sofridas e amargas personagens. Se aquelas as convulsionam intimamente, sua materialização fílmica só se dá quando as opõem entre si, exteriorizadas em ação nem que seja, como no caso, dialógica.
Timóteo (Carlos Kroeber) e Nina (Norma Bengell) em cena do filme  - A Casa Assassinada, de 1971. Fonte: TV Brasil
Ao contrário do que se supõe, a ação fílmica não se concretiza apenas em movimentação física das personagens, mas, principalmente, no seu relacionamento interpessoal mediante gestos, olhares, expressões faciais e oralização de seus interesses, propósitos, temores e toda a gama de emoções características do ser humano.

No caso, a movimentação corporal ocorrente mais não faz e mais não significa do que a procura do outro ou o encontro com o outro para, por meio da palavra, expor desavenças, amores ou contrariedades.

Em decorrência disso, ao decidir-se o cineasta pela verbalização da subjetividade individual e pela exterioridade conflitual, envereda pela ação. Porém, não a ação em si ou por si mesma, mas, como reflexo da intimidade do indivíduo posta frente ao mundo, à realidade concreta que o circunda.

Se se substitui a personagem pensando consigo mesma pela personagem dialogando com outrem, não se perde de todo, contudo, o cerne substancial de sua subjetividade e tortura íntima, que se manifesta também na face, na postura e nas atitudes.

Os dramas individuais entrelaçam-se numa rede contristadora apenas rompida pelos contatos amorosos, que mais a complicam e enredam em dramas carregados de intrínseca tragicidade num filme belo na soturnidade de suas vivências, décors e exuberante paisagem rural, todas marcadas pela decadência e estagnação econômico-social familiar, que moldam os caracteres, acentuam e agravam as pendências quando não as originam e deflagram.

A segurança diretiva do cineasta e sua consciência do fazer fílmico imprimem iguais atributos às interpretações, onde se salienta a notável performance de Norma Benguel, que domina as cenas em que aparece numa das melhores interpretações do cinema pela alta carga de consistência que imprime à personagem.

Se no filme a ação é exposta pela dialogação, que assume, pois, importância capital, a precariedade da gravação e/ou da transmissão do som prejudica sua plena inteligibilidade e, por extensão, o próprio filme, que exige, para sua fruição, sejam compreendidas as agruras, paixões e conflitos em jogo.

Destaca-se, ainda, no filme a preocupação direcional pelos enquadramentos das personagens nos décors e nas locações externas, em mútua e constante interação e valorização, como se as pessoas não pudessem existir e movimentar-se fora da paisagem e como se esta não tivesse importância sem a presença humana.

(do livro Seis Cineastas Brasileiros. Uberaba, Instituto   Triangulino    de    Cultura,    2012)


Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Exposição relembra a vida e a luta de Gildo Lacerda contra a Ditadura Militar no Brasil

A Fundação Cultural de Uberaba abre, no próximo dia 8, uma exposição sobre a vida de Gildo Macedo Lacerda. A exposição será aberta no dia que o estudante completaria 66 anos de idade. Ele foi morto pelo regime militar em outubro de 1973.

A exposição, que acontece na Casa de Cultura/Fundação Cultural, traz fotos e documentos e outros objetos do homenageado.

Gildo Lacerda lutou e foi mais uma das vítimas da Ditadura Militar no Brasil
Gildo Macedo nasceu em Ituiutaba no dia 8 de julho de 1949, filho de Célia Garcia Macedo Lacerda e Agostinho Nunes Lacerda. Em 1963 sua família muda-se para Uberaba e Gildo vai para o Colégio Triângulo. Em 1965 transfere-se para o Colégio Cenecista José Ferreira e funda o Grêmio Estudantil Machado de Assis.

Desde cedo teve forte apelo para as artes. Entre 1965 e 1966 foi sócio ativo do Núcleo Artístico de Teatro Amador. Participou de um programa radiofônico, fez teatro, escrevia cartas em francês e suas preferências culturais iam da música de Tom Jobim às poesias de Pablo Neruda. Mas apesar da preferência, Gildo não seguiu o caminho das artes. Em 1966 foi orador oficial da União Estudantil Uberabense (UEU) e do Partido Unificador Estudantil (PUE).


Em 1967 Gildo muda-se para Belo Horizonte, onde termina o Ensino Médio. Na época já era ativista da Ação Popular. Atuou como membro ativo e diretor do Circulo de Estudos da União da Mocidade Espírita, do Departamento de Evangelização da Criança, do programa radiofônico Hora Espírita Cristã e orador da Mocidade Espírita Batuíra.

Em 1968 passou no curso de Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e participa do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna/SP, onde foi preso. Em 1969 foi eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. Porém, sua graduação durou pouco. Devido à intensa militância, foi excluído da universidade com base no Decreto-Lei 477, editado em fevereiro de 1969, pelo General Costa e Silva.


Mudou-se para São Paulo onde continuou nas atividades da Ação Popular, na clandestinidade. Em seguida para o Rio de Janeiro. As perseguições tornaram-se mais intensas era preciso fugir frequentemente.

Mas não apenas de lutas fora dedicada sua vida, havia amor também. Em 1972, casou-se com Mariluce Moura com quem teria a filha Tessa Macedo Lacerda, que ele sequer conheceu e cuja paternidade só pode ser reconhecida após 15 anos de sua morte.

Gildo e sua esposa Mariluce foram presos em 22 de outubro de 1973, em Recife, e seis dias depois, em 28 de outubro, foi morto, baleado, sob tortura. Sua morte foi “transmitida” em 31 de outubro, em nota oficial, onde a polícia informa a morte de José Carlos e Gildo Lacerda num tiroteio em Recife. A nota dizia que os dois confessaram durante o interrogatório que teriam um encontro no dia 28 com um companheiro de codinome "Antônio". Levados para o local, "Antônio" teria pressentido algo anormal e abriu fogo contra seus companheiros. Essa foi a versão oficial da morte de Gildo. Esses "tiroteios" era uma das formas mais usadas pela repressão para justificar a morte de algum preso político. Os militantes da AP, ao ouvirem a versão do Governo, imediatamente perceberam a farsa.

Por ser dirigente nacional da AP, seus algozes o torturaram tentando arrancar dele todas as informações possíveis. Como Gildo nada dizia, foi brutalmente assassinado no dia 28. Os restos mortais de Gildo nunca foram devolvidos à família. Primeiramente, o corpo foi para a vala comum no Buraco do Inferno. Em 1986, foi transferido para outra vala comum, no Cemitério Parque das Flores e depois sumiu.


Há 42 anos Mariluce não tem notícias do marido. “Estava esperando um ônibus na parte baixa do Elevador Lacerda, por volta do meio dia, no centro de Salvador quando cinco homens se aproximaram, me encapuzaram e me enfiaram num carro. Até onde eu sei, na mesma hora, o Gildo estava saindo de casa na avenida Luiz Tarquínio e foi da mesma forma e mais ou menos no mesmo horário”, conta Mariluce Moura em depoimento prestado na 6ª Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade, realizada no dia 22 de outubro de 2012 no auditório da Reitoria da UFMG.


Até hoje, a família luta por explicações. O corpo de Gildo nunca fora entregue aos familiares, um silêncio que inquieta àqueles que passaram e conviveram com os horrores dessa época, como é o caso de Mariluce. “Tem a angústia de você não ter feito os ritos de passagem, não enterrou, não cremou. Você não despediu, não há uma despedida.”


Para relembrar a vida de Gildo Lacerda, a Fundação Cultural organiza a exposição, contando com documentação emprestada pela família do estudante e militante político. Um painel irá contar a linha do tempo de Gildo. A exposição sobre a vida de Gildo Macedo Lacerda será na Casa da Cultura – Fundação Cultural, com abertura no dia 8 às 19h30 e visitação de 8 de julho a 8 de agosto, das 8h às 18h.


A filha de Gildo, Tessa, já confirmou presença no evento, bem como de toda sua família que morra em Uberaba.

Fonte: Fundação Cultural de Uberaba - FCU