terça-feira, 29 de março de 2016

Arquivo Público de Uberaba lança folder histórico em homenagem os 200 anos da Anexação do Triângulo Mineiro a Minas Gerais

A Prefeitura de Uberaba, através da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba, faz homenagem aos 200 anos da Anexação do Triângulo Mineiro a Minas Gerais. O evento ocorreu nesta segunda-feira (28) às 18h no gabinete do Prefeito, onde foi o lançado um fôlder histórico da região. A solenidade contou com a presença do prefeito Paulo Piau e representantes da área cultural e instituições de ensino.


De acordo com a Superintendente do Arquivo Público, Marta Zednik de Casanova, o objetivo do evento é homenagear o Triângulo Mineiro, que há duzentos anos passou de Goiás para Minas Gerais, em 04 de abril de 1816. Ela ressalta ainda, que com a sua posição estratégica privilegiada, facilitou a colonização do Brasil Central, com grande pujança econômica que tem se destacado no ranking do Estado, além de evidenciar suas características culturais sui generis.


“Nós da Superintendência do Arquivo Público, temos a finalidade de recolher, preservar e divulgar o patrimônio documental uberabense, além de promover e defender o direito de acesso à informação. Diante disso, realizamos uma pesquisa histórica que culminou com a produção de um fôlder detalhado do Triângulo Mineiro”, conclui a Superintendente.


Jor. Katiuscia Antunes
Capa do Fôlder que apresenta um histórico sobre os 200 anos de anexação da região do Triângulo Mineiro a Minas Gerais. Fonte: APU

quinta-feira, 24 de março de 2016

O assassinato da história

* Marcelo Rede

Quando governos propõem reformular o ensino de história, abre-se uma brecha para questionar didáticas e conteúdos tradicionais e sugerir mudanças. Pode ser uma oportunidade ou um desastre. Desde o ano passado, o MEC está elaborando um novo currículo de história. As reações têm sido duras, a começar pelo próprio ministro à época da divulgação da primeira proposta.

Demitido do MEC, Renato Janine Ribeiro explicitou suas críticas: falhas de conteúdo; exclusão de horizontes essenciais da trajetória humana; ênfase exagerada em uma perspectiva endógena de história do Brasil, preocupada sobretudo com a atualidade; abandono da cronologia, comprometendo o entendimento temporal dos processos sociais.

O que está em jogo é crucial: o que ensinar sobre o passado e como fazê-lo. O conhecimento histórico, sabemos, tem impacto decisivo nas concepções de mundo de grupos e sociedades, na formação de seus interesses morais e materiais e na fabricação de seus projetos de futuro.

A proposta original da comissão sepultou quase tudo o que concebíamos como história, rejeitando o que julgava demasiado eurocêntrico. A Antiguidade e a Idade Média praticamente desapareceram.

Os processos centrais da Modernidade e da Época Contemporânea (como a colonização, o desenvolvimento do capitalismo ou o imperialismo) foram reenquadrados a serviço do novo foco: uma história do Brasil vista como desdobramento da história africana e indígena.

Essa visão germinou por décadas nas faculdades de pedagogia e de humanidades. Propõe reler a história pelo viés dos dominados e busca versão historiográfica da pedagogia do oprimido de Paulo Freire.

Com uma atualização: à cartilha tradicional da esquerda (na qual o oprimido era, por excelência, a classe trabalhadora) juntou-se a leitura multiculturalista e pós-moderna, que valoriza opressões a grupos específicos (negros, indígenas, mulheres). Em tempos de petismo, tornou-se projeto de reforma do ensino.

Há muito, historiadores e professores afirmam ser inadmissível a marginalização ou ausência das histórias africana e indígena nos currículos. É uma lacuna grave, que deve ser corrigida. Entretanto, a maior vítima da proposta atual é a própria história.

Vítima como realidade, pois o projeto desconsidera a matriz ocidental, europeia, capitalista e judaico-cristã da formação histórica brasileira. Parece temer que isso soasse como compactuar com os horrores do processo: do genocídio indígena à inquisição católica, da escravidão africana ao espólio da natureza. Nada mais enganoso, já que apenas o mapeamento objetivo dessas realidades infames permitiria ao aluno a sua devida crítica.

Vítima como conhecimento, pois, sob argumento de valorizar histórias africana e indígena, propõe-se substituir conhecimento rotulado de conservador pelo admirável mundo novo dos saberes identitários.

Reconhecer-se no passado seria mais importante do que conhecê-lo. É outra falácia, pois os múltiplos saberes –que existem e são legítimos – só podem ser analisados historicamente no bojo de um sistema de pensamento de linhagem europeia. Chama-se isso de historiografia. Ela deve ser criticada e incessantemente reformulada, mas é o melhor instrumental que temos para produzir conhecimento histórico.


Ninguém pensaria em substituir biologia ou física porque são eurocêntricas. As ciências humanas, porém, tornaram-se laboratório das experiências temerosas dos que pregam a reengenharia social. Se quisermos continuar a ensinar história nas escolas, o MEC precisa refazer a lição de casa.


Para saber mais sobre as discussões sobre o assunto, veja os textos e vídeos: 
Polêmicas do novo currículo de história serão temas de seminários

Marcelo Rede, 50, doutor em História pela Universidade Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), é professor de História Antiga na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Fonte: Publicado pelo Jornal Folha de São Paulo em 29 de fev. de 2016

sexta-feira, 18 de março de 2016

120 alunos do Colégio Nossa Senhora das Dores visitam a sede da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

Cerca de 120 alunos dos terceiros anos das séries iniciais do Colégio Nossa Senhora das Dores, acompanhados de seus professores, conheceram entre os dias 14, 15, 16 e 17 do mês de março, a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

Com o objetivo de aprimorar o aprendizado em sala de aula com vivências práticas, as crianças assistiram aulas ministradas pela professora Luzia de Fátima Rocha e puderam ampliar os conhecimentos sobre a história de Uberaba, levantada com base nos registros documentais.

Conduzidos pelos funcionários do Arquivo, Aline Mariscal, Cristina Pereira, Priscilla Mariano e Pollyna Esteves, eles conheceram as instalações da sede do Arquivo Público, os departamentos e respectivas funções, assim como o acervo formado por documentos em vários formatos, que ajudam a contar a história de Uberaba e região.

Esse trabalho é desenvolvido através do Projeto Ações educativas, que tem como principais objetivos resgatar e informar os educandos sobre a história do município e fortalecer o sentimento de identidade das crianças, adolescentes e jovens que participam das atividades desenvolvidas pela equipe do Projeto.

As instituições de ensino podem agendar as Visitas Monitoradas pelos telefones 3312 4315 e 3338 28 64 com a professora Luzia Rocha.
Alunos e professores do Colégio Nossa Senhora das Dores com os servidores da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba. Fonte: APU. 17 de março de 2016.








terça-feira, 8 de março de 2016

quinta-feira, 3 de março de 2016

AGRADECIMENTOS AO JORNALISTA JORGE ALBERTO NABUT POR DOAÇÃO DE DOCUMENTO RARO


A Superintendência do Arquivo Púbico de Uberaba agradece a Jorge Alberto Nabut, grande defensor dos interesses da cultura uberabense, pela doação de um exemplar da Revista "Lavoura e Comércio Ilustrado". 

Trata-se do volume nº 7 da Revista, um documento raríssimo, de elevado valor histórico e único da série que irá compor o acervo da instituição. O exemplar foi publicado em 1911 pelo tradicional jornal da cidade que levava o mesmo nome do magazine. 


Capa da Revista "Lavoura e Comércio Ilustrado" de 1911. Destaque para a ilustração de uma típica fazenda de criação de Zebu e do
 belo Palacete de Antônio Pedro Naves, que ficava numa esquina da rua Major Eustáquio. 

Imagem do time de futebol do Uberaba Sport Club publicada
no interior do Revista Lavoura e Comércio Ilustrado. 

SUPERINTENDÊNCIA DO ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA RECEBEU A VISITA DE ESTUDANTES ÀS VÉSPERAS DO ANIVERSÁRIO DE UBERABA


No dia 1º de março, vinte cinco alunos e professores da Escola Luciana - APAE/ Uberaba visitaram a Superintendência do Arquivo Público para conhecer a instituição e um pouco da História do Município, especialmente pela proximidade do aniversário de Uberaba.


Na ocasião, os servidores da casa apresentaram aos jovens como são os processos de gestão e preservação documental, bem como a importância dos documentos históricos para formação das identidades de uma comunidade. Os alunos percorreram as dependências do prédio do Arquivo Público, tendo contato direto com os documentos e entendendo o cotidiano de trabalho de nossa equipe.


Foram momentos profícuos e de bastante alegria, confira pelas imagens:


Equipe da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba: Professora Luzia de Fátima Rocha, Priscila Mariano, Aline Mariscal e Pollyanna Esteves 
com os alunos e professores da Escola Luciana APAE. Créditos: APU











terça-feira, 1 de março de 2016

A SUPERINTENDÊNCIA DO ARQUIVO PÚBLICO PARABENIZA UBERABA PELOS 196 ANOS


Você sabia que o Centenário de Uberaba já foi comemorado em 1911 em festividade organizada pela Sociedade Civil?

Época em que foi comemorado o centenário de Uberaba, em 1911
Foto: Acervo Superintendência do Arquivo Público 
A Superintendência do Arquivo Público de Uberaba constatou em pesquisas documentais, que o centenário de Uberaba foi comemorado em 13 de fevereiro de 1911, data em que a cidade foi elevada à condição de Distrito, fato registrado pelo Jornal Lavoura e Comércio.

Em 05/02/1911, o Jornal Lavoura e Comércio reportou o trabalho de uma comissão de civis que se organizaram no sentido de angariar fundos para comemorar o centenário, conforme registro abaixo:

[...] é verdade ter-se já resolvido festejar condignamente e oficialmente o centenário da cidade em 3 de maio próximo, realisando-se por essa ocasião a exposição agro-pecuaria, devido a motivos que só encontraram justificativas na dureza da estação invernosa, mas também constituira razão para nada honrosos comentários sobre a nossa educação cívica, se o 13 de fevereiro de 1911, que marca o longo período de um século, tempo transcorrido do memoravel dia em que foi promulgado o acto elevando a distrito o arraial de Santo Antonio de Uberaba, não fosse festivamente commemorado [...]
Uma comissão de cidadãos angaria fundos para esse fim:
 o commercio e as classes industriaes, a câmara e o povo devem correr em auxilio dos promotores da festa do nosso centenário.
O jornal já divulga a programação: com evento, participantes e horários: alvorada, concertos musicais, oradores, batalha de confetes, baile e instalação do club republicano.
[...] O programa é simples mais de elevada significação.


O Jornal Lavoura e Comércio, de 9 de fevereiro de 1911, p. 01 noticia que:

[...] para a realização dessas festas [...] foi aberta uma subscripção popular, a qual vai sendo coberta por todos que amam este torrão [...].
Seria uma triste decepção para nós, se tivéssemos de registrar o contrario disso; nem se acreditaria que as classes mais favorecidas deixassem de correr em auxilio dos nobres designios dos promotores dessa festa.


Parece que este jornal, conforme citação abaixo, sugere que as classes favorecidas não estão tão engajadas na comemoração, pois a menos de quatro dias do festejo, a Câmara Municipal ainda não tinha se pronunciado sobre o evento comemorativo do centenário do município. Tampouco não foi reportado pela imprensa, até então, se haveria feriado no dia 13 de fevereiro de 1911, data comemorativa de elevação do antigo Arraial a Distrito cem anos antes:


[...] uma medida também deve partir da câmara, lembramos aqui: feriar esse dia e pedir o fechamento das casas commerciaes.

O Lavoura e Comércio, de 13 de fevereiro de 1911, p. 01, noticia o Programa da Festa, que teve uma Comissão Organizadora constituída pelos senhores Boulanger Pucci, Francisco Fernandes, Bernardino da Costa, Manoel Prata Soares, a seguir:


 - 5 horas da manhã - haverá  salva de baterias de vinte e um tiros, nas seis colinas e alvorada pelas bandas de musicas locais. Neste horário, a banda do 4º Batalhão, a União Uberabense e a Santa Cecília, cada qual em determinado ponto da cidade, farão o percurso de todas as ruas centrais tocando marchas e hinos.
- 13 horas – Instalação definitiva do “Club João Pinheiro”. Na solenidade haverá a posse da diretoria eleita e discurso sobre as finalidades do Club, e sobre a data comemorada. Logo após discursará Dr. João Camelo, também colaborador do Jornal Lavoura e Comércio.
- À tarde – No jardim da Praça da Matriz serão concentrados os principais festejos. Ali as bandas União Uberabense e Santa Cecília, unidas, tocarão suas principais peças musicais. Durante o concerto, serão soltos “fogos de vista” e haverá uma batalha de confetes e lança-perfumes.
 - É de esperar que esta parte do programma seja muito interessante, porque nella tomara parte o que a cidade tem de chic e elegante.
- As bandas participarão de todos os momentos do festejo. A festa emanará um momento carnavalesco, com a utilização dos lança-perfumes, socialmente liberados naquele tempo.
- Cinema - Logo após o concerto, a Empresa Abdias Ribeiro e Cia, exibirá um de seus melhores programas cinematográficos no teatro São Luiz. O teatro será ornamentado e abrilhantado com a apresentação das bandas musicais locais da cidade.
- À noite o encerramento do evento comemorativo acontecerá com um baile no salão nobre do Grupo Escolar, abrilhantado pelas duas esplêndidas orquestras da União Uberabense e Santa Cecília.


Jornal Lavoura e Comércio, 16 de fevereiro de 1911, p. 01, faz um comentário da festa centenária de Uberaba: “Como prevíamos, foram cingelas, mas muito simpathicas e expressivas as festividades [...]


Houve a alvorada e a saída das bandas pela cidade com o povo na rua, cuja multidão só foi aumentando. Os edifícios públicos, as redações e as escolas hastearam a bandeira nacional. O Jornal diz: [...] quando a fogueteria foi cessando o povo já estava nas ruas assistindo a passagem das philarmonicas fazendo a alvorada.


Durante as festividades fundou-se o Club Republicano João Pinheiro, reportado no Jornal Lavoura e Comércio de 2/02/1911, p. 01, a seguir:


[...] instalação do Club João Pinheiro – no teatro São Luiz. Discursos, foguetes, música.  Na platéa vimos Uberaba representada com todas as suas classes e nos camarotes notamos as distinctíssimas famílias de nossa sociedade.

Jornal Lavoura e Comércio, de 2/02/1911, p. 01

Às 14 horas no Hotel do Comércio estava prevista uma homenagem, que seria feita pelos organizadores da festa centenária, aos engenheiros da Estrada de Ferro do Goyaz, pela implantação da estaca número zero do ramal que ligava Uberaba a Araxá. Entretanto, a homenagem foi cancelada, motivada por forte  chuva na cidade.

Às 6 da tarde houve o concerto na Praça da Matriz, reportado pelo jornal, a seguir:

A massa popular movia-se dificilmente pelas ruas do jardim e batalhas de confetti, de lança-perfumes se faziam elegantemente por elle todo. Dahi a alguns momentos as duas excellentes philarmonicas davam começo ao concerto [...]. Ao terminar cada audição o publico aplaudia-a freneticamente.

Em seguida, Lauro Borges discursou e o concerto musical prosseguiu animando a festividade, encerrando às 21 horas, porque novamente caiu duradoura carga d’água, expressão usada na época.

O baile teve início às 22 horas do dia 13 de fevereiro, no Grupo Escolar Brasil, cujo acontecimento mobilizou a sociedade, fato registrado no jornal Lavoura e Comércio de 19/02/1911, p. 01:

- Marcado para as 10 horas da noite, a essa hora começou a chegar ali a haute gomme (sociedade elegante) uberabense.
- As 10 e meia, a orquestra começou o baile que durou até as 3 da madrugada.
- O baile esteve brilhantíssimo e concorrido, apesar da chuva impertinente que caiu sobre a cidade.
- Tornou-se pequeno o vasto salão do Grupo.
- A ornamentação do esplendido salão presidiu apurado bom gosto.
- A um canto do salão, num palco, a esplendida e afinadíssima orchestra executava deliciosas valsas, rápidos “wosleeeps [...]
- Magnífico esteve o serviço de buffet e  buvette.


O referido Jornal destaca a presença de ilustres personalidades uberabenses, a seguir:


Jornal Lavoura e Comércio de 19/02/ 1911, p. 01