terça-feira, 1 de março de 2016

A SUPERINTENDÊNCIA DO ARQUIVO PÚBLICO PARABENIZA UBERABA PELOS 196 ANOS


Você sabia que o Centenário de Uberaba já foi comemorado em 1911 em festividade organizada pela Sociedade Civil?

Época em que foi comemorado o centenário de Uberaba, em 1911
Foto: Acervo Superintendência do Arquivo Público 
A Superintendência do Arquivo Público de Uberaba constatou em pesquisas documentais, que o centenário de Uberaba foi comemorado em 13 de fevereiro de 1911, data em que a cidade foi elevada à condição de Distrito, fato registrado pelo Jornal Lavoura e Comércio.

Em 05/02/1911, o Jornal Lavoura e Comércio reportou o trabalho de uma comissão de civis que se organizaram no sentido de angariar fundos para comemorar o centenário, conforme registro abaixo:

[...] é verdade ter-se já resolvido festejar condignamente e oficialmente o centenário da cidade em 3 de maio próximo, realisando-se por essa ocasião a exposição agro-pecuaria, devido a motivos que só encontraram justificativas na dureza da estação invernosa, mas também constituira razão para nada honrosos comentários sobre a nossa educação cívica, se o 13 de fevereiro de 1911, que marca o longo período de um século, tempo transcorrido do memoravel dia em que foi promulgado o acto elevando a distrito o arraial de Santo Antonio de Uberaba, não fosse festivamente commemorado [...]
Uma comissão de cidadãos angaria fundos para esse fim:
 o commercio e as classes industriaes, a câmara e o povo devem correr em auxilio dos promotores da festa do nosso centenário.
O jornal já divulga a programação: com evento, participantes e horários: alvorada, concertos musicais, oradores, batalha de confetes, baile e instalação do club republicano.
[...] O programa é simples mais de elevada significação.


O Jornal Lavoura e Comércio, de 9 de fevereiro de 1911, p. 01 noticia que:

[...] para a realização dessas festas [...] foi aberta uma subscripção popular, a qual vai sendo coberta por todos que amam este torrão [...].
Seria uma triste decepção para nós, se tivéssemos de registrar o contrario disso; nem se acreditaria que as classes mais favorecidas deixassem de correr em auxilio dos nobres designios dos promotores dessa festa.


Parece que este jornal, conforme citação abaixo, sugere que as classes favorecidas não estão tão engajadas na comemoração, pois a menos de quatro dias do festejo, a Câmara Municipal ainda não tinha se pronunciado sobre o evento comemorativo do centenário do município. Tampouco não foi reportado pela imprensa, até então, se haveria feriado no dia 13 de fevereiro de 1911, data comemorativa de elevação do antigo Arraial a Distrito cem anos antes:


[...] uma medida também deve partir da câmara, lembramos aqui: feriar esse dia e pedir o fechamento das casas commerciaes.

O Lavoura e Comércio, de 13 de fevereiro de 1911, p. 01, noticia o Programa da Festa, que teve uma Comissão Organizadora constituída pelos senhores Boulanger Pucci, Francisco Fernandes, Bernardino da Costa, Manoel Prata Soares, a seguir:


 - 5 horas da manhã - haverá  salva de baterias de vinte e um tiros, nas seis colinas e alvorada pelas bandas de musicas locais. Neste horário, a banda do 4º Batalhão, a União Uberabense e a Santa Cecília, cada qual em determinado ponto da cidade, farão o percurso de todas as ruas centrais tocando marchas e hinos.
- 13 horas – Instalação definitiva do “Club João Pinheiro”. Na solenidade haverá a posse da diretoria eleita e discurso sobre as finalidades do Club, e sobre a data comemorada. Logo após discursará Dr. João Camelo, também colaborador do Jornal Lavoura e Comércio.
- À tarde – No jardim da Praça da Matriz serão concentrados os principais festejos. Ali as bandas União Uberabense e Santa Cecília, unidas, tocarão suas principais peças musicais. Durante o concerto, serão soltos “fogos de vista” e haverá uma batalha de confetes e lança-perfumes.
 - É de esperar que esta parte do programma seja muito interessante, porque nella tomara parte o que a cidade tem de chic e elegante.
- As bandas participarão de todos os momentos do festejo. A festa emanará um momento carnavalesco, com a utilização dos lança-perfumes, socialmente liberados naquele tempo.
- Cinema - Logo após o concerto, a Empresa Abdias Ribeiro e Cia, exibirá um de seus melhores programas cinematográficos no teatro São Luiz. O teatro será ornamentado e abrilhantado com a apresentação das bandas musicais locais da cidade.
- À noite o encerramento do evento comemorativo acontecerá com um baile no salão nobre do Grupo Escolar, abrilhantado pelas duas esplêndidas orquestras da União Uberabense e Santa Cecília.


Jornal Lavoura e Comércio, 16 de fevereiro de 1911, p. 01, faz um comentário da festa centenária de Uberaba: “Como prevíamos, foram cingelas, mas muito simpathicas e expressivas as festividades [...]


Houve a alvorada e a saída das bandas pela cidade com o povo na rua, cuja multidão só foi aumentando. Os edifícios públicos, as redações e as escolas hastearam a bandeira nacional. O Jornal diz: [...] quando a fogueteria foi cessando o povo já estava nas ruas assistindo a passagem das philarmonicas fazendo a alvorada.


Durante as festividades fundou-se o Club Republicano João Pinheiro, reportado no Jornal Lavoura e Comércio de 2/02/1911, p. 01, a seguir:


[...] instalação do Club João Pinheiro – no teatro São Luiz. Discursos, foguetes, música.  Na platéa vimos Uberaba representada com todas as suas classes e nos camarotes notamos as distinctíssimas famílias de nossa sociedade.

Jornal Lavoura e Comércio, de 2/02/1911, p. 01

Às 14 horas no Hotel do Comércio estava prevista uma homenagem, que seria feita pelos organizadores da festa centenária, aos engenheiros da Estrada de Ferro do Goyaz, pela implantação da estaca número zero do ramal que ligava Uberaba a Araxá. Entretanto, a homenagem foi cancelada, motivada por forte  chuva na cidade.

Às 6 da tarde houve o concerto na Praça da Matriz, reportado pelo jornal, a seguir:

A massa popular movia-se dificilmente pelas ruas do jardim e batalhas de confetti, de lança-perfumes se faziam elegantemente por elle todo. Dahi a alguns momentos as duas excellentes philarmonicas davam começo ao concerto [...]. Ao terminar cada audição o publico aplaudia-a freneticamente.

Em seguida, Lauro Borges discursou e o concerto musical prosseguiu animando a festividade, encerrando às 21 horas, porque novamente caiu duradoura carga d’água, expressão usada na época.

O baile teve início às 22 horas do dia 13 de fevereiro, no Grupo Escolar Brasil, cujo acontecimento mobilizou a sociedade, fato registrado no jornal Lavoura e Comércio de 19/02/1911, p. 01:

- Marcado para as 10 horas da noite, a essa hora começou a chegar ali a haute gomme (sociedade elegante) uberabense.
- As 10 e meia, a orquestra começou o baile que durou até as 3 da madrugada.
- O baile esteve brilhantíssimo e concorrido, apesar da chuva impertinente que caiu sobre a cidade.
- Tornou-se pequeno o vasto salão do Grupo.
- A ornamentação do esplendido salão presidiu apurado bom gosto.
- A um canto do salão, num palco, a esplendida e afinadíssima orchestra executava deliciosas valsas, rápidos “wosleeeps [...]
- Magnífico esteve o serviço de buffet e  buvette.


O referido Jornal destaca a presença de ilustres personalidades uberabenses, a seguir:


Jornal Lavoura e Comércio de 19/02/ 1911, p. 01



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