sexta-feira, 21 de julho de 2017

A tragédia do Bar do Antero em Uberaba no ano de 1969


Imagem do bar do Antero. Fonte: Lavoura e Comércio

10 de abril de 1969. 4 da tarde, mais ou menos. Fazia a programação da 7 Colinas. O barulho foi ensurdecedor, como uma bomba de alto efeito explosivo. Um cogumelo de fumaça preta pelo bairro Estados Unidos. Gritei a plenos pulmões para o repórter Paulo Nogueira, na redação. Paulinho, num pé cá outro lá, “voando” pelas escadarias da rádio, instalada na avenida Fidélis Reis, gravador às mãos, subiu, como foguete, a avenida Presidente Vargas, cruzou a praça Comendador Quintino e, em minutos, esta defronte a horrenda tragédia. O vai e vem das pessoas, gritos lancinantes ecoavam na esquina das ruas Martim Francisco e Padre Zeferino.


 Em meio a fumaça preta, poeira por todos os lados, telhas e tijolos amontoados, pedaços de madeira, vidros estilhaçados, gente trombando em gente, pessoas gritando a procura de corpos dilacerados; o desespero tomou conta dos vizinhos e pessoas que passavam pelo local. Na esquina, um buraco enorme, causado pela explosão, uma fumaceira e inócuo de fogo que a todos assustava. Paulo Nogueira, no centro da tragédia, transmitia a noticia.


 Policia e bombeiros, logo chegaram. Uberaba entrou em pânico. Nunca acontecera tragédia de tamanha proporção. O estrondo foi ouvido em quase todos os bairros. O “bar do Antero”, tradição na cidade, ponto preferido de uma maioria boêmia da cidade, fora pelos ares. A explosão foi tão violenta que, além do “Antero”, completamente destruído. Foram também atingidos o “Bazar Dominique”, a “Barbearia Colares”, o armarinho “Amigos da Época” e uma casa comercial de cereais e transportes.


 Nas imediações foram parcialmente atingidos, a “Farmácia Globo”, “Calçados Colombo”, o bazar das”Miudezas”, bazar “São Geraldo” e algumas residências da rua Martim Francisco. Faleceram no local, José Cussi Neto(26). Lauro Lombardi(25), Ivone Alves(28). Gilberto Colares (25), Isaura Soares (25) e os garotos Douglas Cruz(11) e Mário Edson Cury(5). No dia seguinte, faleceu a oitava vítima, Antônio Cury. O “Lavoura e Comércio” relatou: “ indescritível o quadro após a explosão.


 Centenas de pessoas desesperadas à procura de seus entes queridos, rompendo cordões de isolamento, tentando localizar parentes sob os escombros. Gemidos, choro, apelos angustiantes, embaralhadas com a segurança militar”. Ainda do “Lavoura”, edição do dia 12,4.” A explosão, segundo Éden Borges, auxiliar da farmácia do Babá, à época noivo de Ivone Borges, uma das vitimas fatais, teria ocorrido no transporte de uma caixa de pólvora para fabricar bombinhas, pois, um dos transportadores estava fumando”. Outra versão corrente na ocasião é que, nos fundos do bar, havia um depósito de bananas de dinamite…


O certo é que, passados quase meio século da tragédia, apesar de minuciosas investigações policiais e técnicas, não se chegou ao laudo definitivo que motivou a tragédia.


Por Luiz Gonzaga Oliveira - Jornalista



2 comentários:

rubio1945 disse...

Que bom ter memória

Valéria Vieira Lopes disse...

É claro que se chegou ao motivo; apenas, não se podia comentar porque era época da Ditadura. Mas todos sabem que o dono do bar era contrário ao regime militar, então...