sexta-feira, 20 de abril de 2018

DOCUMENTO EM DESTAQUE: Inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960




            O feriado de 21 de abril foi instituído pela primeira vez logo no início da República brasileira, em 14 de janeiro de 1890, pelo decreto nº 155 B. A data elevava a memória do dia da morte de um dos mártires da Inconfidência Mineira, alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como "Tiradentes".

            Em 1930, durante o "governo provisório" do Presidente Getúlio Vargas, o feriado havia sido extinto pelo decreto nº 19.488 de 15 de dezembro. Contudo, anos depois, o mesmo governo Vargas restabeleceu o feriado através do decreto nº 22.647 de 17 de abril de 1933, consagrando a data da morte de Tiradentes como um dia de homenagem à figura "de maior expressão histórica brasileira" e à memória dos precursores da República.
            Em 1965, durante a Ditadura Militar do governo de Castelo Branco foi sancionada a Lei  nº 4.897 em 9 de dezembro de 1965, que declarava Joaquim José da Silva Xavier como Patrono da Nação Brasileira.

        O momento também seria escolhido para o dia de inauguração da nova capital do País, Brasília, ocorrida em 1960. O jornal uberabense "Lavoura e Comércio" retratou em tom eufórico os festejos e os anseios vividos durante aquele período. O título da matéria, " Brasília: a capital do século", apresentava as expectativas almejadas com a ocupação e integração do interior do Brasil. Nas palavras dos redator:

 (...) Com a construção  da Cidade Livre, obrigando a abertura de um sistema regular de vias de comunicação, rompeu-se o cordão de isolamento das distâncias, atenuando-se o crescimento acelerado de centros populacionais em relação ao movimento retardado de outros dentro do corpo social da pátria. Regiões vastíssimas, até agora além das fronteiras da civilização e da cultura, foram afinal incorporadas a vida brasileira e passaram a constituir novo fator positivo de progresso.

            O texto creditava com ufanismo que a construção da nova capital Federal iria solucionar o problema de:

(...) Populações torturadas pelas dificuldades que nasciam, vegetavam e morriam sob o signo  sob o signo da miséria; em que as enfermidades eram uma constante; e os complexos de inferioridade um fato, gerando problemas sem solução e atitudes de revolta ou de demissão sem remédio, passaram a integrar a comunidade nacional.

A imagem apresentava a equidistância de Brasília às demais capitais brasileira, localizando-a como centro irradiador. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


                 A Brasília de 1960 contava com apenas 150 professores primários, dos quais 74 em escolas oficiais, duas bibliotecas, 40 leitos para cirurgia, 20 para clínica médica, 20 para obstetrícia e 10 para pediatria.

            A população da capital havia sofrido um crescimento demográfico vertiginoso segundo o jornal, com os seguintes índices: 12.283 em 1957; 2.804 em 1958; 64.314 em 1959; chegando a 120 mil habitantes em 1960.


            Vejamos as imagens publicadas no jornal sobre o feito da inauguração da capital federal:

Imagem do Plano Piloto, traçada pelo urbanista Lúcio Costa, apresentando as principais edificações de Brasília em 1960. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.



Primeiro Hotel construído em Brasília Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


Imagens do  Palácio do Alvorada. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

Vista de alguns dos primeiros edifícios construídos em Brasília. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

Imagem do Congresso Nacional, percebe-se nos arredores que muitas obras estavam para se concluir. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

Hino de Brasília, que seria executado no dia da inauguração em 21 de abril de 1960. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


Manchetes enaltecem a inauguração da nova Capital brasileira. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.




Uberaba se destacava como importante município naquela época. Observa-se na propaganda que havia vôos diários partindo para Brasília. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

         
        O jornal Lavoura e Comércio noticiava que, a primeira ausência de Juscelino Kubistschek, de Brasília seria justamente para viajar a Uberaba, onde seria inaugurada a II Exposição Nacional de gado Zebu e XXVI Exposição Regional no mês de maio.

Destaque da primeira viagem realizada pelo Presidente JK, em maio de 1960, cujo destino seria a Exposição de gado Zebu em Uberaba. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


O jornal apresentava a nova estrela, representando Brasília, que iria compor a bandeira nacional. Acervo: Jornal Lavoura e Comércio/ Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


Texto: Thiago Riccioppo
Pesquisa: Luiz Henrique Cellullari

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