quarta-feira, 7 de agosto de 2013

AÇÕES EDUCATIVAS

PROJETO AÇÕES EDUCATIVAS: DIÁLOGOS ENTRE A HISTÓRIA, A EDUCAÇÃO E A CULTURA NA SUPERINTENDÊNCIA DE ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA

Dentre as ações fundamentais desenvolvidas pela Superintendência de Arquivo Público destaca-se o PROJETO AÇÕES EDUCATIVAS, que tem como objetivos valorizar a história do município e fortalecer o sentimento de identidade de crianças, adolescentes e jovens. O Projeto desenvolve ações que estimulam nos estudantes a curiosidade, o diálogo, a valorização e  o reconhecimento da importância da história de Uberaba, da preservação e das referências históricas,  incentivando o protagonismo dos estudantes. Assim, desenvolve também conteúdos de Educação Patrimonial como: memória, bem cultural, patrimônio.
Uma das dinâmicas do projeto consiste na “Visita Monitorada”, composta de dois momentos: acesso à história da instituição por meio da interação com o acervo documental (referências primárias) e exibição dialogada de um filme sobre a história de Uberaba, para que o estudante reconstrua a identidade com a história.
O Projeto Ações Educativas oferta também à comunidade escolar, Encontros de Formação para os docentes, e visitas temáticas monitoradas para os estudantes abordando e discutindo conteúdos como: “A Escravidão em Uberaba” e “Uberaba na Segunda Grande Guerra Mundial”, além de outros temas significativos.
De fevereiro a junho de 2013 participaram do projeto na sede da Superintendência de Arquivo setecentos e oitenta e cinco (785) alunos do Ensino Fundamental à Universidade, tanto da rede pública como privada. Participaram do Projeto Sete (07) Escolas Estaduais, três (03) Particulares e uma (01) Municipal. A Universidade Federal de Uberlândia/Ituiutaba e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro – Curso de História – também foram contempladas nas Ações Educativas.
Tendo como parceiros o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social no “Projeto Cultura e História do Meu Bairro”, a Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães e o Curso de História da UFTM.
 O Projeto Ações Educativas continua no segundo semestre de 2013 com as ações, estabelecendo agora uma parceria importante com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) na realização de um Encontro de Formação com os professores do segundo ano do Ensino Fundamental e visitas monitoradas com as turmas destes docentes. A finalidade é orientar os professores para trabalharem com os seus alunos o conteúdo “História de Uberaba”, utilizando a documentação da Superintendência de Arquivo Público, de Uberaba. A superintendência pretende editar um livro inédito para o público infantil, uma obra essencial referente à história de Uberaba.


Marta Zednik de Casanova
Superintendente de Arquivo Público


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Homenagem à Djalma Santos

           



       FILHO ILUSTRE



(*) João Eurípedes  Sabino.




Hoje falo do filho ilustre que adotou Uberaba como sua segunda terra e, devido ao seu amor a ela dedicado, não tenho dúvidas em dizer: muitos de nós uberabenses temos a aprender com ele. De cada três frases sobre Uberaba, uma reflete sempre a sua forte vinculação conosco. Esse é Djalma Santos, o lateral direito da nossa Seleção Brasileira de 1958/1962, o maior do mundo.
Dedicando-me fineza de gentleman ouvi a história gloriosa de Djalma. Contou-me sorrindo que na infância sua mãe lhe deu carne de gato para vê-lo curado de uma bronquite. Depois de tantas idas e vindas pelo mundo, a tal bronquite quer voltar. O sonho de pertencer à Força Aérea Brasileira lhe foi frustrado por um acidente na mão direita. Daí surgiu a obstinação por ser o craque imbatível que nunca foi expulso de campo!
Perguntei ao Djalma: Qual foi o seu melhor momento na Seleção Brasileira? “Foi o dia em que Vicente Feola me disse que o titular De Sordi não jogaria. A oportunidade ímpar para substituir aquele astro me consagrou para sempre”. Qual foi o seu maior prazer em Uberaba? “Sem dúvida, a opção de vir aqui morar há 28 anos foi, e é, o meu maior prazer”. E os seus projetos? “A Academia de Futebol Djalma Santos, menina dos meus olhos com 190 adolescentes no esporte, teve suas atividades suspensas. O risco de acidentes com os garotos na BR- 050 para chegarem à sede da AABB me tirava o sono. Preferi sacrificá-la tristemente. O jovem Lucas Maradona, 14, no Goiás Esporte Clube será a nossa revelação, porém vários outros poderiam também ser revelados”. Djalma, politicamente de que lado você está? “Estou do lado de todos, embora muitos pensem ao contrário. Eu amo Uberaba!”
O(a) leitor(a) sabe; este texto é a amostra do diálogo agradabilíssimo que mantive com Djalma Santos por duas horas em sua acolhedora residência. Sobre a mesa, cartões com fotos suas vindas de várias partes do mundo solicitando apenas o autógrafo do gigante palmeirense. Na parede coberta por troféus, uma foto curiosa: Djalma em data única, e por empréstimo, jogando no São Paulo Futebol Clube. Era o dia 09/10/1960 quando o Estádio Morumbi foi inaugurado. Presenteei-lhe com o livro “As melhores seleções brasileiras de todos os tempos”. Haja humildade em Djalma Santos quando viu, naquelas páginas, fotos suas nas seleções de 1958 e 1962!
Conselho de Djalma aos jovens: “Disciplina e disciplina”. Desejo do nosso filho ilustre: “Quero dormir meu sono eterno em Uberaba”. Ao sair eu disse a Djalma Santos que ali vivi um dos melhores momentos de minha vida e recebi dele um longo e silencioso abraço... 

(*) − PRESIDENTE  DO  FÓRUM  PERMANENTE  DOS  ARTICULISTAS  DE  UBERABA  E  REGIÃO.
− MEMBRO  DA  ACADEMIA  DE  LETRAS  DO  TRIÂNGULO  MINEIRO.

Publicado no diário Jornal da Manhã no dia 24/09/2010 – Uberaba/MG.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Questões de Nosso Tempo

A INSATISFAÇÃO NAS RUAS -
OS MANIFESTANTES AINDA NÃO VIRAM TUDO


GUIDO BILHARINHO

                   O Brasil foi tomado no mês de junho último por manifestações de insatisfação, protesto e reivindicações de proporções inéditas até então.
                   A palavra chave do fenômeno é insatisfação. Insatisfação generalizada contra o estado das coisas no país. Se há (e há) progressos, instalações e condições inimagináveis até mesmo há trinta ou quarenta anos atrás (imagine-se antes!), os desmandos, a incompetência, a desonestidade, o oportunismo, a falta de caráter, a carga tributária, a burocracia, a violência e a insegurança também multiplicaram-se, permeando e afetando o tecido social.
                   Os manifestantes que foram às ruas para expor essa legítima insatisfação, além de merecerem todos os elogios, exceto, obviamente, os baderneiros, os vândalos e os meliantes, nem sentiram ainda, pela idade da maioria, a tragédia de um país injusto e engessado.
                   Se percebem que, com exceção de poucas e sofridas entidades culturais e assistenciais privadas, a maioria absoluta das organizações partidárias, sindicais e ongs de diversas matizes pautam-se por interesses particulares de seus dirigentes, ou, quando menos, por ideologia, não representando senão a si mesmas, ainda não enfrentaram as angustiantes filas dos atendimentos públicos. Se acham absurdos os gastos com estádios, futuros elefantes brancos a darem só despesas (mas, contraditoriamente, muitos são contra seu arrendamento a particulares), não tiveram de amargar meses para simples averbação em registro público e nem pagar taxas exorbitantes só para registrar mera ata de eleição de diretoria de entidade cultural absolutamente destituída de finalidade lucrativa.
                   Se, com sobeja razão, repudiam a maioria dos candidatos e dos eleitos pela sociedade (e não políticos, que são outra coisa, rara no Brasil atual) para os executivos e legislativos, nunca atentaram que eles têm de gastar fortunas nas campanhas eleitorais (talvez, em média, uns três milhões de reais para deputado federal), ainda correndo o risco (certo para a maioria) de não serem eleitos. Então, como candidamente pretender que só idealistas se candidatem e como exigir que quem paga ou tem de obter meios de custear os gastos de sua eleição vá representar o “povo”? Sobre isso, aliás, ninguém fala! Por quê? Como também pouco se fala e se escreve contra os excrescentes fundo partidário e imposto sindical.
                   Ao contrário, investem até contra o fundo público eleitoral, que deverá ser gerido e aplicado pela Justiça Eleitoral e não pelos partidos, proibidas totalmente outras fontes de custeio e outros gastos, oriundos até mesmo dos próprios candidatos, com o que, e só assim, haverá a decantada democracia no país, possibilitando a candidatura de todo cidadão no gozo de seus direitos e a ser exercitada em campanhas eleitorais regulamentadas.
                   Se os manifestantes externam legítima insatisfação contra a corrupção, o sobrefaturamento e os desvios de recursos em obras públicas e contra os gastos estatais com a Copa, não atentaram, ainda, para os permanentes, inconstitucionais e fabulosos gastos publicitários das administrações e dos legislativos federais, estaduais e municipais em rádios, TVs, internet, jornais, folhetos e catálogos para se autoelogiarem.
                   Essa juventude tão justamente insatisfeita nem ainda enfrentou o engessamento do país em todas as áreas, com multiplicidade de exigências formais e burocráticas de toda ordem e espécie, como, por exemplo, em relação ao meio ambiente, a respeito do qual o Brasil tem a legislação mais draconiana do mundo, com imposições cerceadoras que nenhuma outra nação tem, desequilibrando os índices de custos e produtividade e enfraquecendo o país na competição internacional, quando o correto e cientifico é se ter legislação uniforme para todos os países, visto que a questão ambiental é planetária.
                   Além de tantos outros descabimentos, distorções e deturpações, essa juventude ainda nem enfrentou o confisco representado pela alta carga de impostos do país, a ponto de um profissional autônomo pagar, só do soi-disant imposto “de renda” e sofismaticamente “outros proventos”, praticamente um terço de seu ganho bruto, nem atentou, também, para a imensa injustiça tributária que obriga o assalariado do mínimo pagar, de imposto de consumo, a mesma percentagem de um milionário.
                   E, ainda, nem conhece a sangria a que é submetido o país com a absurda remessa às matrizes das multinacionais de lucros, royalties, dividendos e rendimentos diversos. Como demonstrado pelo departamento (ministério) de Comércio dos E.E.U.U., de 1990 a 2000 a América Latina enviou para aquele país a esses títulos nada menos de UM TRILHÃO DE DÓLARES (Folha de S. Paulo, de 10/02/2003), fora o que remeteu para a Europa, Coreia do Sul e Japão.
                   Nada há, no momento, mais autêntica, legítima e motivada do que a insatisfação generalizada no país com o estado (geral e particular) das coisas (de todas as coisas), como, por exemplo, o aposentado pelo INSS não poder auferir mais do que R$4.150,00 (que é o teto fixado), enquanto os servidores públicos aposentam-se com vencimentos integrais, de R$ 12.000,00, R$ 15.000,00 ou mais de R$ 20.000,00, havendo, pois, defasagem absurda entre esses regimes de aposentadoria, que alguns querem uniformizar, mas, para baixo, já que necessário sobrar recursos para as mordomias oficiais, os palácios luxuosos, as viagens, nacionais e internacionais, constantes e caríssimas, a maioria delas, notadamente de congressistas, meras (não inúteis, mas, nocivas) vilegiaturas turísticas, enquanto o povo aufere o mínimo (e é o mínimo mesmo) e rala nos ônibus precários e nos metrôs e trens suburbanos superlotados das grandes cidades.
                   Por isso e por muito mais, o Brasil necessita ser passado a limpo, reorganizado de cima a baixo, para que suas instituições públicas (e as privadas também) passem efetivamente a contribuir para o progresso e bem-estar dos brasileiros e não sejam entraves à boa administração e ao desenvolvimento do país, como o é o caótico sistema político organizado, dirigido e mantido por grandes conglomerados empresariais, diretamente ou por meio de representantes.
                   Por fim, é de se observar e atentar que a causa maior, se não a única, de toda a precariedade (e ponha precariedade nisso) das instituições públicas e privadas brasileiras decorre, fundamental e principalmente, da permanente abstenção da sociedade, de sua não participação, de sua carência de espírito crítico, combativo, organizacional e, em decorrência, de sua falta de exigência, de seu alheamento, descaso, comodismo e abulia.
                   Por isso, alvíssaras para as manifestações. Mas que não se fique só nelas e que tenham, sempre, espírito crítico e combativo, mas, construtivo, escoimados das manifestações, os recalques, as invejas e as abomináveis unilateralidades ideológicas, sempre obnubiladoras da mente e limitadoras do raciocínio e da percepção da realidade.
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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, foi candidato ao Senado Federal e editor da revista internacional de poesia Dimensão, de 1980 a 2000, sendo autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.
(Publicação autorizada pelo autor)

Vocabulário:
Avíssaras: S. f. pl. 1 - Prêmio ou recompensa que se concede a quem anuncia boas novas ou entrega coisas que se perdera. 2 – Serve para anunciar boas novas.
Escoimado: Adj. Depurado, desobrigado, inocente, limpo e livre.
Obnubilar: Vt. enevoar, entenebrecer, nublar e obscurecer.