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Mostrando postagens de Setembro, 2008

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

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Nessa época, os cargos de presidente da Câmara e de agente executivo eram exercidos em separado, por dois vereadores. O nome de Anthero, não aparece nas atas da Câmara de 1901. Como agente executivo: - Construiu a ponte sobre o pavilhão da Mogyana. - Providenciou reparos no Theatro. - Autorizou a criação de uma escola na fazenda "Ponte Alta" e a construção de uma hospedaria para imigrantes. - Solicitou à Câmara que o agente executivo recebesse remuneração ou gratificação para exercer o cargo, alegando que o tempo gasto na função prejudicava o investimento em negócios particulares. A resposta da Câmara, em 07/05/1901, foi que a solicitação não fosse atendida, pois a lei rege a gratuidade da função. - Calçou ruas com paralelepípedos. - Definiu o perímetro urbano da cidade. A Lei Municipal n°122, cassa os poderes de Antero, alegando incapacidade moral, por pretender implementar arrojado plano de obras para os quais o município não tinha recursos. Ele entra com recurso e volta a

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COISAS QUE ME CONTARAM CRÔNICAS QUE ESCREVI O livro de Jorge A. Nabut, cuja capa foi criação do arquiteto Demilton Dib, inicia-se com a história do Desemboque, “... o berço de nossa civilização triangulina” (p.5) e segue contando sobre o surgimento da aldeia e da cidade, as viagens de Saint-Hilaire, a estrada do Anhangüera e a luta contra os índios. Destaca a Rua Artur Machado, os cinemas, o comércio, a indústria, a música e os músicos: Rigoleto de Martino, Renato Frateschi, Loreto Conti e João Vilaça Júnior. Também relembra a vinda do Zebu, o caminho das Índias com João Martins Borges e os mascates e analisa os blocos arquitetônicos/ culturais de Uberaba, demarcando as épocas históricas (p29). Com textos em forma de crônica, Nabut questiona o “estado de desprezo e desleixo em relação à cultura”, parafraseando Francelino Pereira: que país é esse? Na p.11, encontramos: “A amnésia cultural tem sido um mal comum do país, criando um vácuo insolúvel e principalmente, irrecuperável dentro

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

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Após a fase de implantação da República, os governos municipais e as Câmaras foram recompostos. A primeira Câmara eleita em Uberaba, tomou posse em 1892. Como agente executivo: - Autorizou a criação de uma escola rural na fazenda "Barreiro". - Regulou as concessões para edificação em terreno desocupado e definiu o perímetro da cidade. - Permitiu a colocação de placas nas ruas, praças e largos. - Propôs a criação da Biblioteca Pública, - Reparou o Teatro e a Igreja Santa Rita, ambos em péssimas condições. - Solicitou a verificação do desempenho do administrador do mercado, suspeito de se servir do cargo para monopolizar o preço, causando prejuízos para o pequeno comércio. Durante sua gestão, foi inaugurado o Hospital Santa Casa de Misericórdia (1898), fundado o Clube da Lavoura e Comércio de Uberaba e o Jornal Lavoura e Comércio (1899), [...] para cooperar na grande campanha que se fazia em todo estado contra o governo de Silviano Brandão que, para recuperar os grandes gastos

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TERRA MADRASTA Orlando Ferreira, era filho do negociante Bento José Ferreira e nasceu em 1887, em Uberaba. Foi seminarista, recenseador, escritor e crítico ferrenho dos maus políticos, da igreja católica e de algumas famílias tradicionais da cidade. Faleceu 1957, aos setenta anos. O livro Terra Madrasta (1928?), tece críticas à política mineira, afirmando que ela é a responsável pelo atraso do estado e exemplifica, com dados dos recenseamentos de 1872, no qual a população mineira era maior que a paulista, e de 1920, quando São Paulo já alcançava Minas em número de habitantes. Critica também o governo político de Uberaba, qualificada como “...uma obra de liliputianos." [1] e afirma que as forças oponentes ao progresso do município são: a administração, a política, o clero, a empresa Força e Luz e algumas famílias tradicionais. Afirma que, embora houvesse na cidade uma razoável arrecadação – mostrada por meio de quadros estatísticos da receita e da despesa, de 1836 a 1925 –

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

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Nascido em Congonhas de Sabará em 1825, formou-se professor e veio lecionar em Uberaba. Também foi agrimensor, vereador e deputado mineiro. Em 1889, ao ser proclamada a República, assume a presidência da Câmara Municipal. Renunciou ao cargo, retornando em seguida. Colaborou com os jornais Gazeta de Uberaba e Correio Mercantil (Rio de Janeiro). Em janeiro de 1890, o governo do Estado dissolveu a Câmara e criou um Conselho de Intendência, devido à Proclamação da República. Era o período de transição entre monarquia e república e os governantes dos municípios mineiros seriam escolhidos por um conselho de políticos filiados a um partido local. Surgiu assim, o partido União Política, sob a presidência de Wenceslau. Os representantes desse partido formavam o conselho que o aclamaram intendente municipal. Durante seus mandatos: - O Instituto Zootécnico de Uberaba foi criado, em 1892. - Criou uma escola mista municipal no bairro Estados Unidos. - Angariou verbas para a construção de uma cade
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MEMÓRIA Desemboque - década de 1980 Recuperar o passado é uma primeira garantia de um sentido para o presente. Ao recorrermos a memória dos relatos e testemunhos das épocas passadas, estamos transformando essas narrativas em história, fazendo com que um amontoado de fatos ganhe sentido. O narrador histórico é aquele que procura o sentido das ações humanas e encontra nelas uma conexão com os acontecimentos que se precipitam no presente. Trecho retirado de: TELES, Edson < http://www.urutagua.uem.br//03teles.htm >. Acessado em 8/9/2008 “A cidade é assim, como um murmúrio de vozes diversas”. “A vida de uma cidade se dá a ler em suas ruas, suas praças, suas casas, edifícios... Ela está impressa em cada um desses lugares”. “[...] a cidade que se lê nunca é única, mas sim múltipla, varia. Sobreposições de épocas diversas, e de leituras e significações variadas dadas pelos atores incontáveis que a atravessam, que fazem dela o seu cenário”. Praça Rui Barbosa - década de 1980 “A cida

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

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Último governo de Uberaba no regime Imperial [1] . Com o aumento rápido da população da cidade, incrementou-se a construção civil. A principal preocupação da Câmara dos Vereadores dessa época era evitar a construção de residências sobre as nascentes de água que abasteciam a população, ou em ruas de passagem para boiadeiros e tropas rumo a outros estados. A Câmara consegue autorização do Governo Provincial para que os presidiários trabalhassem na reforma e construção das ruas da cidade. Durante sua gestão: - foram inaugurados a Estação da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e o telégrafo. - o touro Lontra, exemplar zebuíno, foi trazido a Uberaba. - o Paço Municipal foi reconstruído, a Câmara emancipou São Pedro de Uberabinha (Uberlândia), a Rua do Comércio, hoje Artur Machado, foi estendida, até o local onde seria construída a Estação da Mogiana. (1888) - a escravatura foi abolida e o governo municipal exigiu que os fazendeiros cumprissem a lei. - a Rua do Comércio teve seu nome muda

O DESEMBOQUE E SEUS MUITOS FILHOS

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“O chapadão termina. Começam os vales, colinas, morros e riachos que circundam o Desemboque, nosso berço civilizatório. Esta era nossa primeira vez. Talvez por isso, a sensação de uma aventura no tempo fosse maior. Ao chegarmos fomos recebidos pelo silêncio. Desemboque parecia dormir embora meio-dia fosse. (...) Gente havia. As igrejas Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Desterro insistiam incólumes, ostentando o peso de dois séculos...” Quando meu irmão, o jornalista Heitor Átila Fernandes, escreveu essa minicrônica, eu ainda não atinava muito para o conhecimento histórico e a conservação. De lá pra cá, passaram-se oito anos e, considerando que já se prevê por aí que a capacidade de informação vai se multiplicar a cada setenta e duas horas, a partir de 2011, creio estar um pouco atrasada e que, inversamente proporcional à velocidade da informação, é a velocidade da preservação. Desemboque, como afirmam alguns historiadores, espera pelo fim, nada mais. Quem acompanhou Desejo

ICONOGRAFIA E A PRAÇA DA GAMELEIRA

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Em 1900, a árvore já era centenária e, em 1970, foi arrancada, abrindo uma enorme cratera, tapada com a construção de um palco e bancos em formato de arena, que ironicamente foi batizada de Praça da concha Acústica, que de acústica não tem nada, exceto quando havia eventos e o som eletrônico esgarçava os ouvidos dos moradores da redondeza. Ao ter a foto em mãos, fiquei a observar os detalhes que a compõem; os transeuntes, as pessoas sob a sua sombra, os casarios e uma satisfação acompanhada de lamúria apoderaram-se de mim. A satisfação pela preservação de fotos históricos no Arquivo Público, possibilitando estudos em disciplinas culturais a partir de fotos; história do design , história da arte, história da fotografia, sociologia. Esse estudo se chama iconografia, que é a leitura de imagens ou signos, com sentido significativo para determinadas culturas. A leitura crítica das imagens explora valores socioculturais e pode ser feita através da identificação, descrição, classificaçã

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - DE 1837 AOS DIAS ATUAIS

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Durante sua gestão ocorre, pela Associação abolicionista, a edição das cartas de liberdade aos escravos. Pedro Floro era comerciante e, no final de seu mandato, em 1887, a região de Uberaba deixou de ser conhecida como Sertão da Farinha Podre devido à chegada da Companhia Mojiana e ao progresso que ela trouxe. Diversas estradas de rodagem ligando os povoados e os municípios foram construídas, a linha telegráfica atravessou a margem direita do Rio Grande, percorrendo a região, já conhecida como Triângulo Mineiro, chegando até o Paranaíba, numa distância de 400 quilômetros. Até os nomes de órgãos da imprensa, como os jornais Ecos do Sertão e O Paranaíba foram substituídos por O Triângulo. Nessa época, o Porto de Ponte Alta encurtava a distância entre o mercado consumidor de Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul) e a região produtora de São Paulo e Santos, pois a cidade funcionava como um “entreposto comercial” de gêneros alimentícios e outros produtos que aqui chegavam em carros de bo

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VILA DOS CONFINS O escritor Mário Palmério nasceu em Monte Carmelo em 1916, estudou em Uberaba e dedicou-se ao magistério. Em 1945, construiu o edifício do Colégio do Triângulo Mineiro e, em 1947, a Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, primeiro passo para a transformação de Uberaba em cidade universitária. No ano de 1956, publicou o romance Vila dos Confins e, em 1968, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras. A escritora Rachel de Queiroz, ao prefaciar a obra, ressalta que o livro traz aquele rio, aquela mata, aqueles bichos, aqueles caboclos, aquelas histórias da caça e pescaria, que parecem histórias de mentiroso, de tão saborosas. (30 – 10 – 1956). O romance caracteriza o cerrado, a criação do zebu, a caça, a pesca, os viajantes e o processo eleitoral no interior de Minas. Um dos personagens, Xixi Piriá, representa o mascate – recebido nas fazendas da região, na época – entregando tecidos, perfumes, relógio, recados, bilhetes... A maneira narrativa de M