sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Historiador da Superintendência do Arquivo Público participa de curso de Gestão de Documentos Digitais em São Paulo


No dia 12 de agosto, o historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba Thiago Riccioppo, participou em São Paulo do curso sobre "Gestão Eletrônica de Documentos Digitais - GED", promovido pelo grupo Apoio Ged. O curso foi ministrado pelo pesquisador e arquivista Pablo Soledade.

O curso de 8 horas teve como propósito apresentar novas tecnologias de mercados sobre softwares, equipamentos e a prática da digitalização de documentos e organização de arquivos digitais.

Também houve a discussão de temáticas voltadas a legislação arquívista como a  Resolução nº 43 do CONARQ - Conselho Nacional de Arquivos, de 04 de setembro de 2015, que estabelece as diretrizes para implementação de repositórios digitais confiáveis para transferência e recolhimento de documentos digitais para instituições arquivísticas dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos - SINAR.


Segundo Thiago Riccioppo, os conhecimentos adquiridos no curso foram muito importantes e serão apresentados a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e irão contribuir no desenvolvimento de processos de trabalho da equipe.

Participantes do curso de Gestão Eletrônica de Documentos e Organização de Arquivos Digitais realizado em São Paulo com professor Pablo Soledade, o primeiro a esquerda.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Superintendência do Arquivo Público convida escolas para participarem de ações educativas

A Superintendência do Arquivo Público de Uberaba desenvolve várias ações de divulgação do acervo e da história do município e convida as instituições de ensino para participarem das Ações Educativas/Diálogos entre a história, a educação e a cultura.

Marta Zednik de Casanova, superintendente do Arquivo Público de Uberaba, comenta que dentre as atividades fundamentais desenvolvidas na autarquia destacam-se as Ações Educativas. Estas têm como objetivos valorizar a história do município e fortalecer o sentimento de identidade de crianças, adolescentes e jovens que participam das visitas monitoradas, desenvolvidas pela instituição. “As ações estimulam a curiosidade, o diálogo, a valorização e o reconhecimento da importância da preservação documental e das referências históricas. Desenvolvem, também, conteúdos de Educação Patrimonial”, diz.

A Visita Monitorada é composta de dois momentos: acesso à história da instituição, por meio da interação com o acervo documental histórico e dos órgãos da Prefeitura, além da exibição dialogada de um filme sobre a história de Uberaba.

As Ações Educativas oportunizam para a comunidade escolar, “Encontros de Formação para os Docentes” e visitas temáticas para os estudantes, abordando e discutindo conteúdos da história do Município.

As instituições de ensino, inclusive de cidades da região, que tiverem interesse em visitar a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e conhecer o acervo documental e a história de Uberaba devem agendar, previamente, a visita monitorada, no período matutino (Luiz Henrique Cellurale) e vespertino (Luzia Rocha) nos seguintes telefones: (34) 3338-2864 e 3312-4315 ou pelo e-mail: arquivouberaba@yahoo.com.br

FACEBOOK: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

Secom Prefeitura de Uberaba

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

15 de agosto: Dia de Nossa Senhora da Abadia, a santa padroeira de Uberaba (Breve histórico)


NOSSA SENHORA D’ ABADIA

15 DE AGOSTO

Imagem de Nossa Senhora D'Abadia, santa padroeira de Uberaba.
Igreja Nossa Senhora da Abadia. Década de 1920. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


A festa religiosa de Nossa Senhora d’Abadia reflete a devoção popular a essa Santa, que é padroeira de Uberaba e protetora do povo. A religiosidade do uberabense também se encontra expressa nessa manifestação fervorosa.

A devoção a Nossa Senhora d’Abadia teve origem nas imediações da cidade de Braga, Portugal, e remonta ao Século XII. No Brasil o culto aos santos é uma tradição trazida de Portugal.Com a expansão colonial portuguesa no século XVI foi difundido nas regiões colonizadas.

No Brasil, o culto à Santa iniciou na Bahia e chegou a Uberaba tendo passado por Muquém (Goiás) e Água Suja (Triângulo Mineiro).  



A devoção popular a Nossa Senhora daAbadia iniciou em Uberaba com a construção de uma capela, no Alto da Misericórdia (atual Alto da Abadia), em 1881. Por intermédio do Capitão Eduardo José de Alvarenga Formiga e com o aval da Câmara Municipal, em 11 de agosto de 1881, foi concedida a licença para erigir a capela no Alto da Misericórdia.


    
Igreja Nossa Senhora da Abadia. Década de 1920. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba


Igreja Nossa Senhora da Abadia na década de 1950. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


A primeira missa foi celebrada em 15 de agosto do mesmo ano pelo Cônego Santos, diante de um cruzeiro, levantado no local onde, futuramente, seria construída a capela. Um ano após, em 15 de agosto de 1882, a imagem da Santa foi benta e realizou-se a primeira festa em homenagem a Nossa Senhora da Abadia.

A capela foi entregue, em 1899, aos padres Agostinianos Recoletos que permaneceram no Santuário até 1915. No dia 16 de julho de 1921, por meio de um decreto de Dom Eduardo Duarte e Silva, foi criada a paróquia de Nossa Senhora da Abadia, desmembrada da primeira paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Desejoso de entregar o Alto da Abadia a um Instituto Religioso, o Sr Bispo Dom Frei Luiz Maria Santana convidou os Padres Estigmatinos a aceitarem a missão. Hoje o Majestoso Santuário é administrado pelos Missionários Estigmatinos.

Nossa Senhora d’Abadia é venerada por milhares de fiéis, durante todo ano, especialmente na primeira quinzena de agosto.
No ano de 2007, ano do centenário da Arquidiocese de Uberaba, Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Metropolitano, houve por bem decretar Nossa Senhora d’Abadia como padroeira principal da cidade de Uberaba.

Também o Município de Uberaba, por suas autoridades competentes, através da Lei nº 10.196 de 14/08/2007, instituiu Nossa Senhora d’Abadia como a Padroeira da cidade de Uberaba. 

Igreja da Abadia durante noite da super lua. Imagem: Hermínio Pires, 2014.



Texto: Marta Zednik de Casanova - Superintendente do Arquivo Público de Uberaba

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

As valiosas mangueiras de Alexandre Barbosa


                                      Clique na imagem!


No peculiar texto publicado em 1916 no álbum: Uberaba: a Princesa do Sertão, organizado por Roberto Capri, é apresentada a interessante produção de mangas do engenheiro agrônomo uberabense Alexandre Barbosa.  

No bairro Mercês, às margens da antiga rua Cassu, no entorno onde hoje é a rua que leva seu nome, Alexandre Barbosa cultivava mais de 3000 árvores de inúmeras variedades de manga, nas terras que eram chamadas de Chácara das Mangas. As mangas de Alexandre Barbosa, como diz o texto, eram vendidas em mercados do Rio de Janeiro e São Paulo. Além das frutas, eram distribuídas mudas da espécie. É importante dizer que, desde o final do século XIX,  os triangulinos rumavam a Índia à busca de importar o gado Zebu, a exemplo de  Teóphilo de Godoy, Armel Miranda, Ângelo Costa, João Martins Borges, Alberto Parton, Quirino Pucci, Josias Ferreira de Morais, entre outros que nos anos posteriores a 1916, seguiriam o destino da distante colônia inglesa da Ásia.

Em meio a demais novidades, os importadores de Zebu traziam em sua bagagem, mudas de mangas para Alexandre Barbosa que ainda não eram produzidas no Brasil, o que faria de seu pomar um dos viveiros mais diversificados do país da saborosa fruta. Até hoje ao passar pela rua Alexandre Barbosa, é possível observar em suas laterais algumas mangueiras remanescentes daquela época. Nesse espaço, ele também desenvolveu novas variedades da manga.



 Mas quem foi Alexandre Barbosa?
             
 Alexandre Barbosa era engenheiro agrônomo, tendo se graduado no Instituto Zootécnico de Uberaba em 1898. Essa foi primeira escola de ensino superior fundada no Triângulo Mineiro.


Alexandre Barbosa. Fonte: Lavoura e Comércio. s/d


Nesta única turma do Instituto Zootécnico de Uberaba, estudaram com Alexandre Barbosa, outras proeminentes figuras do cenário político, intelectual e social de Uberaba, como: Hidelbrando Pontes, Fidélis Reis, José Maria dos Reis e Militino Pinto de Carvalho.

A referência na formação desta brilhante turma foi o diretor e professor do Instituto Zootécnico, Frederich Draenert. Alemão de Weimar, Draenert mudou-se para o Brasil em 1855 quando foi contratado pelo Barão de Paraguassu (Cônsul Geral do Brasil em Hamburgo) para educar os filhos de um dono de engenho na Bahia. Foi professor da Escola técnica da Bahia que ajudou a criar em 1877. Em 1889 foi nomeado consultor técnico do Ministério da Agricultura e, em 1896, chamado para dirigir o Instituto Zootécnico de Uberaba. Escreveu inúmeros artigos científicos, motivo pelo qual teve reconhecimento internacional

  Nas primeiras décadas do século XX Alexandre Barbosa familiarizava-se com o Anarquismo. Nos anos de 1920 integrou-se ao comunismo. Correspondeu com jornais internacionais como L´Humanité na França e produziu inúmeros artigos na imprensa uberabense. Barbosa também foi autor do mais completo dicionário da língua Caiapó que se tem notícia, segundo pesquisas do antropólogo Odair Giraldin. Este pesquisador, professor da Universidade Federal de Goiás, encontrou o dito documento por acaso no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), datado de 1918. O documento produzido por Alexandre Barbosa possibilitou um inédito estudo sobre o assunto. Cf. GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panara: luta e sobrevivência de um povo. 1994. 208 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.



Por Thiago Riccioppo:
 Mestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU, historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e Gerente Executivo da Fundação Museu do Zebu Edilson Lamartine Mendes.


Fontes:


CAPRI, Roberto. Uberaba: a princesa do Sertão.  São Paulo: Capri, Andrade & C. Editores, 1916.


GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panara: luta e sobrevivência de um povo. 1994. 208 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.

MACHADO. Sonaly. História do Instituto Zootécnico de Uberaba: uma instituição de educação rural superior (1892-1912). 2009. 232 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009.

RICCIOPPO FILHO, Plauto. Ensino Superior e Formação de Professores em Uberaba/MG (1881-1938): uma trajetória de avanços e retrocessos. 2007. 508 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Mestrado em Educação, Universidade de Uberaba, Uberaba, 2007.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Superintendência do Arquivo Público de Uberaba disponibiliza documentos do século XIX da CMU


Com a preocupação de viabilizar aos pesquisadores mecanismos que facilitem suas consultas, a Superintendência do Arquivo Público disponibiliza, pela primeira vez após 30 anos de existência, os Anais dos Livros de Atas da Câmara Municipal de Uberaba - Século XIX - 1857 a 1900 - Volume I, que será publicado neste segundo semestre.

De acordo com a superintendente Marta Zednick de Casanova, trata-se de uma produção inédita, muito importante para Uberaba e região. “Um grandioso trabalho em prol da sistematização de fontes para pesquisas, ferramenta fundamental para a historiografia brasileira, principalmente a mineira, acerca das atividades desenvolvidas pelos homens que prestaram serviços públicos para a Câmara Municipal de Uberaba”.

Para a confecção do primeiro volume do livro, foram utilizados exclusivamente fontes dos documentos que se encontram sob a guarda da Superintendência do Arquivo Público.

Como são manuscritos, com escrita de difícil compreensão, um dos aspectos favoráveis da publicação dos Anais é disponibilizar aos pesquisadores uma cópia, na íntegra, de cada sessão das reuniões da Câmara Municipal, em CD-ROW, para facilitar a leitura e o acesso rápido às informações.

Os documentos constam da primeira reunião realizada na Câmara Municipal de Uberaba, no ano de 1837. Ela explica que os livros sob a guarda e preservação da Superintendência do Arquivo Público, não possuem uma sequência exata desde a instalação da Câmara. A Superintendência do Arquivo Público se baseou nos acervos a partir de 1857 por haver uma lacuna documental nos Livros de Atas da Câmara Municipal no período de 1837 a 1857. “Outra lacuna existente no acervo documental se refere ao período de 1880 a 1886. Não sabemos a razão do desaparecimento dos referidos acervos, mas a Superintendência está atenta para recuperar essa importante documentação”, comenta.

Para Marta, a publicação é um avanço, uma colaboração importante e indispensável para aqueles que se dedicam à pesquisa e subsidiará aqueles que estudam a temática para a reconstrução da história de Uberaba e Região.

“Esse vasto e importante acervo, organizado em forma de Anais, servirá como fonte preciosa e inesgotável de pesquisas, pois nele encontram-se aspectos históricos da origem e da evolução política, econômica e administrativa do município, além dos registros do dia a dia dos atos do Legislativo de Uberaba”, finaliza. 

Curiosidade - Entre os inúmeros assuntos tratados nos Anais, constam: a Escravidão em Uberaba; a Guerra do Paraguai; a Epidemia da Varíola; a Santa Casa de Misericórdia; o Lazareto (abrigo para pessoas com doenças contagiosas); o Código de Posturas Municipais; a Estrada de Ferro da Companhia Mogiana; a Proclamação da República; o Divórcio; o 2º Batalhão da Brigada de Minas Gerais; a Imigração Estrangeira, a Iluminação Pública (querosene); a Canalização de Água e Esgoto; as Festas Cívicas, Religiosas e Comemorativas; a Cadeia Pública; os Transportes (bonde elétrico ou de tração animal); os Conflitos Políticos; as Instituições de Ensino no perímetro urbano e rural e a Guerra de Canudos.

Fonte:
 Secom Prefeitura de Uberaba



SINOPSE SOBRE AS ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE UBERBA

A OBRA SERÁ PUBLICADA NO 2º SEMESTRE DE 2017


Superintendência do Arquivo Público de Uberaba tem por finalidade orientar, recolher, custodiar, divulgar o patrimônio documental e garantir o pleno acesso à informação pública, suporte para a tomada de decisões governamentais e garantia de direitos individuais e coletivos para o exercício pleno da cidadania em consonância com a Lei de Transparência. Tem desenvolvido diversos trabalhos nas áreas de pesquisas da história da cidade e região e ações educativas junto às escolas de Uberaba. Preserva documentos de valor legal, administrativo e histórico, provenientes de entidades públicas e privadas.

Com a preocupação de viabilizar aos pesquisadores mecanismos que facilitem suas consultas, a Superintendência do Arquivo Público disponibiliza, pela primeira vez após 30 anos de existência, os Anais dos Livros de Atas da Câmara Municipal de Uberaba - Século XIX - 1857 a 1900 - Volume I. Trata-se de uma produção inédita, muito importante para o Município, Região e para a Câmara Municipal, resultado da dedicação e esforço. Um grandioso trabalho em prol da sistematização de fontes para pesquisas, ferramenta fundamental para a historiografia brasileira, principalmente a mineira, acerca das atividades desenvolvidas pelos homens que prestaram serviços públicos para a Câmara Municipal de Uberaba.

A arquivista espanhola – Julia Rodríguez Barredo, na obra “El desafio de Alcobendas”, do autor Miguel Veyrat, p. 22 e 24 diz que:


[…] A série documental mais importante de um Arquivo são os livros de Atas da Câmara Municipal: neles está a vida do município durante um ano,               durante cem anos ou duzentos… e aqueles que têm a sorte de ter todas as Atas da Câmara dos vereadores têm resumidamente a história completa da comunidade.

Julia explica na obra que:

[…] os dados da Câmara Municipal não são anedotas, são decisões administrativas; alguns historiadores, nem todos, recorrem ao anedótico, porém a Câmara Municipal é algo muito sério: Nela realizam coisas com muita veracidade, se escreve tudo de modo muito correto e ficam reconhecidos os acontecimentos da comunidade em cada reunião, inclusive quando os temas são polêmicos, porque as discussões são as que podem dar a temperatura social, política, etc.

O primeiro volume do livro dos Anais da Câmara Municipal utilizou exclusivamente fontes dos documentos que se encontram sob a guarda da Superintendência do Arquivo Público.

A primeira reunião realizada na Câmara Municipal de Uberaba aconteceu no ano de 1837. Os livros de Atas da Câmara Municipal de Uberaba, referentes ao século XIX, sob a guarda e preservação da Superintendência do Arquivo Publico, não possuem uma sequência exata desde a instalação da Câmara. A Superintendência do Arquivo Público se baseou nos acervos a partir de 1857 por haver uma lacuna documental nos Livros de Atas da Câmara Municipal no período de 1837 a 1857. Outra lacuna existente no acervo documental se refere ao período de 1880 a 1886. Não sabemos a razão do desaparecimento dos referidos acervos, mas a Superintendência está atenta para recuperar essa importante documentação.

A coleção que faz parte do acervo da Superintendência do Arquivo Público e que constitui o primeiro volume do Livro dos Anais da Câmara Municipal referente ao século XIX é a seguinte: Livro número I (07/01/1857 a 02/03/1871); Livro número II (17/04/1871 a 24/02/1879); Livro número III (24/05/1887 a 23/02/1900) e Livro número IV (30/01/1900 a 09/03/1905).

A publicação dos Anais dos Livros de Atas da Câmara Municipal de Uberaba – Século XIX – 1857 a 1900 – Volume I é um avanço, uma colaboração importante e indispensável para aqueles que se dedicam à pesquisa e subsidiará aqueles que estudam a temática para a reconstrução da história de Uberaba e Região.

O acervo da Superintendência do Arquivo Público compõe-se, no que se refere ao tema proposto, de cento e sessenta e nove livros com datas limite de 1857 a 1993 e o primeiro volume dos Anais da Câmara, que é a proposta deste projeto, abrange o período de 1857 a 1900. Como são manuscritos, com escrita de difícil compreensão, um dos aspectos favoráveis da publicação dos Anais é disponibilizar aos pesquisadores uma cópia, na íntegra, de cada sessão das reuniões da Câmara Municipal, em CD-ROW, para facilitar a leitura e o acesso rápido às informações.

Esse vasto e importante acervo, organizado em forma de Anais, servirá como fonte preciosa e inesgotável de pesquisas, pois nele encontram-se aspectos históricos da origem e da evolução política, econômica e administrativa do município, além dos registros do dia a dia dos atos do Legislativo de Uberaba. Os assuntos tratados nos Anais são inúmeros e importantes para a pesquisa histórica. Entre eles destacam-se: a Escravidão em Uberaba; a Guerra do Paraguai; a Epidemia da Varíola; a Santa Casa de Misericórdia; o Lazareto (abrigo para pessoas com doenças contagiosas); o Código de Posturas Municipais; a Estrada de Ferro da Companhia Mogiana; a Proclamação da República; o Divórcio; o 2º Batalhão da Brigada de Minas Gerais; o Instituto Zootécnico; a Imigração Estrangeira, a Iluminação Pública (querosene); a Canalização de Água e Esgoto; as Festas Cívicas, Religiosas e Comemorativas; a Cadeia Pública; os Transportes (bonde elétrico ou de tração animal); os Conflitos Políticos; as Instituições de Ensino no perímetro urbano e rural e a Guerra de Canudos.

O trabalho concretizado pela Superintendência do Arquivo Público de Uberaba na preservação documental e difusão da história, possibilita a publicação da valorosa obra Anais dos Livros de Atas da Câmara Municipal de Uberaba - Século XIX - 1857 a 1900 - Volume I, um grande legado às gerações futuras.


Marta Zednik de Casanova
Superintendente do Arquivo Público de Uberaba


PRIMEIRA ATA DA CÂMARA MUNICIPAL DE UBERABA (09 de Junho de 1837)
   






Fonte: Ata de reunião da Câmara Municipal de Uberaba, de 09 de Junho de 1837

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"EXPLODE CORAÇÃO COLORADO!" - Flamengo 4 x 2 Uberaba: uma outra história


No ano de centenário do Uberaba Sport Club, nada melhor do que acompanhar o depoimento de Ruy Trida Júnior sobre o histórico jogo em que o "Colorado" vencia no primeiro tempo o Flamengo em pleno Maracanã, partida realizada no ano de 1981. Era um momento ímpar do futebol uberabense no Campeonato Brasileiro, valendo a Taça Ouro.


Eu tinha 11 anos de idade e não perdia um jogo sequer do Colorado. Meu pai, diferente de mim, nunca se interessou por futebol. Mas o convite para aquela excursão parecia irrecusável. Conhecer os pontos turísticos do Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, por apenas alguns cruzeiros, era bom demais para ser verdade. É claro, tinha o jogo. Uberaba e... quem mesmo??? Para o “seu” Ruy Trida, tradicional motorista de táxi da Praça Rui Barbosa, Zico, Tita e Júnior eram no máximo alguns apelidos, iguais a tantos que os meninos colocam uns nos outros nas peladas Brasil afora.

O ônibus, contratado pelo Sr. Olímpio, já falecido, saiu da Praça Rui Barbosa, por volta das 21 horas do dia anterior ao jogo. Chegaram à cidade maravilhosa no meio da manhã e não perderam tempo. A visita à praia de Copacabana foi muito legal (muitas mulheres seminuas, e que a Dona Vera, por Deus, não soubesse disso). Depois uma visita ao Pão de Açúcar, outra ao Cristo Redentor e, por fim o Maracanã.

Misturados à torcida rubro-negra, os corajosos torcedores do Uberaba não puderam comemorar a bela exibição e os dois gols do Colorado no primeiro tempo, marcados por Paulo Luciano e Serginho. Para o meu pai, até aí, nada de mais. Ele nem sabia quem era quem. Mas aquele segundo tempo foi horrível. Não porque o Uberaba tivesse levado quatro gols. O duro foi abraçar toda aquela multidão em vermelho e preto a cada gol marcado. Quanto suor, lágrimas, risos e amizade sincera. O ônibus tomou o rumo do Triângulo Mineiro logo após o final do jogo e meu pai, ainda fascinado com as maravilhas do Rio de Janeiro, só tinha uma certeza: Nunca mais pisaria em um estádio de futebol!


Paulo Luciano, autor do primeiro gol do Colorado
Ficha Técnica:

Flamengo 4 x 2 Uberaba (MG)

Campeonato Brasileiro de 1981 – Taça de Ouro Data: 01/04/1981
Estadio: Maracanã - Rio de Janeiro

Flamengo: Raul, Carlos Alberto, Luís Pereira, Marinho e Júnior; Vitor, Adílio e Zico (Fumanchu); Tita (Ronaldo), Nunes e Carlos Henrique.

Uberaba: Diron, Celso, Rafael, Tim e Aldeir; Vandinho, Joãozinho e Paulo Luciano; Ilton Serginho e Ney.
Gols: Paulo Luciano (20’), Serginho (37’), Tita (2), Marinho e Nunes.


Veja no vídeo, os melhores momentos da partida:



E por falar de lutas e glórias do Colorado, a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba irá lançar neste ano com chave de ouro, o livro  que narrará as histórias fantásticas dos 100 anos do Uberaba Sport Club. Aguarde! 


Veja como o jogo foi noticiado pelo jornal Lavoura e Comércio em Uberaba:






Fonte: Lavoura e Comércio, 02 de abril de 1981. nº 20.851

terça-feira, 25 de julho de 2017

O dia em que Uberaba foi destaque no jornal The New York Times



26 de abril de 1952

O dia em que Uberaba foi destaque no New York Times.

Em 26 de abril de 1952 o mais importante jornal dos EUA estampava em suas páginas:

TUMULTOS EM PROTESTOS CONTRA IMPOSTOS LIDERADOS POR COMUNISTAS CAUSA PREJUÍZO DE US$ 6.000.000.

Coletorias de impostos e outros prédios foram depredados em cidade de Minas Gerais.

De fato, ocorrera uma importante revolta em Uberaba, iniciada por uma greve de caminhoneiros e protestos de pequenos comerciantes contra um arrocho na fiscalização e o aumento dos impostos estaduais, ordenado pela gestão do então governador Juscelino Kubitscheck. Havia na cidade uma crescente animosidade contra o governo mineiro, que recolhia os impostos mas pouco investia na região do Triângulo.

Em 24 de abril de 1952, a tensão explodiu na forma de violentos protestos e quebra-quebra. O edifício das Coletorias Estadual e Federal foram vandalizados, assim como os postos de cobrança de impostos nas entradas da cidade e outros prédios públicos. Arquivos e equipamentos da coletoria foram queimados ou atirados no canal do Córrego das Lajes.

O 4º Batalhão de Polícia não deu conta de controlar a multidão e temia-se que as manifestações se espalhassem por outros municípios mineiros. A revolta só terminou com a chegada em aviões de tropas enviadas de Belo Horizonte, que ocuparam as ruas do centro de Uberaba portando fuzis e metralhadoras com munição real.

No pesado clima de Guerra Fria dos anos 1950, a culpa pelos protestos foi jogada nas costas dos suspeitos de sempre: os terríveis comunistas. No rescaldo, a polícia abriu inúmeros processos e dezenas de pessoas – muitas delas identificadas pelas fotografias dos tumultos – foram presas por subversão e vandalismo. Um dos meus tio-avôs, irmão de minha avó Guiomar, passou uma temporada na velha cadeia defronte ao Mercado.

De quebra, inúmeros comerciantes da cidade se livraram de recolher impostos vencidos, alegando que seus livros-caixa haviam sido destruídos nos protestos. Juscelino, velha raposa política, reconciliou-se com a cidade alguns anos depois quando – num gesto de grande simbologia – transformou o antigo prédio da cadeia na sede da federalizada Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro.

A reportagem publicada nos EUA está disponível nos arquivos do NYT, onde é possível comprar e baixar uma cópia PDF da edição histórica por módicos U$ 3.95.


Por André Borges Lopes


sexta-feira, 21 de julho de 2017

A tragédia do Bar do Antero em Uberaba no ano de 1969


Imagem do bar do Antero. Fonte: Lavoura e Comércio

10 de abril de 1969. 4 da tarde, mais ou menos. Fazia a programação da 7 Colinas. O barulho foi ensurdecedor, como uma bomba de alto efeito explosivo. Um cogumelo de fumaça preta pelo bairro Estados Unidos. Gritei a plenos pulmões para o repórter Paulo Nogueira, na redação. Paulinho, num pé cá outro lá, “voando” pelas escadarias da rádio, instalada na avenida Fidélis Reis, gravador às mãos, subiu, como foguete, a avenida Presidente Vargas, cruzou a praça Comendador Quintino e, em minutos, esta defronte a horrenda tragédia. O vai e vem das pessoas, gritos lancinantes ecoavam na esquina das ruas Martim Francisco e Padre Zeferino.


 Em meio a fumaça preta, poeira por todos os lados, telhas e tijolos amontoados, pedaços de madeira, vidros estilhaçados, gente trombando em gente, pessoas gritando a procura de corpos dilacerados; o desespero tomou conta dos vizinhos e pessoas que passavam pelo local. Na esquina, um buraco enorme, causado pela explosão, uma fumaceira e inócuo de fogo que a todos assustava. Paulo Nogueira, no centro da tragédia, transmitia a noticia.


 Policia e bombeiros, logo chegaram. Uberaba entrou em pânico. Nunca acontecera tragédia de tamanha proporção. O estrondo foi ouvido em quase todos os bairros. O “bar do Antero”, tradição na cidade, ponto preferido de uma maioria boêmia da cidade, fora pelos ares. A explosão foi tão violenta que, além do “Antero”, completamente destruído. Foram também atingidos o “Bazar Dominique”, a “Barbearia Colares”, o armarinho “Amigos da Época” e uma casa comercial de cereais e transportes.


 Nas imediações foram parcialmente atingidos, a “Farmácia Globo”, “Calçados Colombo”, o bazar das”Miudezas”, bazar “São Geraldo” e algumas residências da rua Martim Francisco. Faleceram no local, José Cussi Neto(26). Lauro Lombardi(25), Ivone Alves(28). Gilberto Colares (25), Isaura Soares (25) e os garotos Douglas Cruz(11) e Mário Edson Cury(5). No dia seguinte, faleceu a oitava vítima, Antônio Cury. O “Lavoura e Comércio” relatou: “ indescritível o quadro após a explosão.


 Centenas de pessoas desesperadas à procura de seus entes queridos, rompendo cordões de isolamento, tentando localizar parentes sob os escombros. Gemidos, choro, apelos angustiantes, embaralhadas com a segurança militar”. Ainda do “Lavoura”, edição do dia 12,4.” A explosão, segundo Éden Borges, auxiliar da farmácia do Babá, à época noivo de Ivone Borges, uma das vitimas fatais, teria ocorrido no transporte de uma caixa de pólvora para fabricar bombinhas, pois, um dos transportadores estava fumando”. Outra versão corrente na ocasião é que, nos fundos do bar, havia um depósito de bananas de dinamite…


O certo é que, passados quase meio século da tragédia, apesar de minuciosas investigações policiais e técnicas, não se chegou ao laudo definitivo que motivou a tragédia.


Por Luiz Gonzaga Oliveira - Jornalista



quarta-feira, 19 de julho de 2017

CAMINHOS DA HISTÓRIA nº 5 - A história do jogador Jucapato


Em homenagem aos 100 anos do Uberaba Sport Club, a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba publica o volume número 5 de "Caminhos do Tempo" para contar a história do jogador "Jucapato", um dos ícones mais famosos do time a marcar a história do futebol uberabense. Confira: