Prefeitura mantém calendário popular


          Publicado no Porta-Voz do município, a portaria nº 001/20 manteve a eficácia plena do parágrafo 1º - do artigo 6 º da Lei Municipal 12.608, de 20 de outubro de 2011. Essa legislação consolida o calendário popular, permitindo que a população faça uma reflexão sobre a realidade e a cultura negra no âmbito municipal.

          Antes de ser considerado feriado, o dia 13 de Maio era a referência em relação à "libertação dos escravos", graças a um decreto imperial. Contudo, a realidade apontava que a libertação ocorreu depois de lutas e sacrifícios.  

           A data 20 de novembro refere-se a morte do líder Zumbi, do quilombo dos Palmares, que era uma região situada entre os Estados da Bahia e Pernambuco, que servia de abrigo e resistência da comunidade negra diante das investidas dos fazendeiros escravocratas e do governo da época.

        

Capa do livro "Onda Negra, Medo Brando", de Célia Maria de Azevedo


     O Brasil se tornou local de luta e contestação, de tal forma que ficou insustentável a manutenção da escravidão. Surgiram  associações e organizações abolicionistas e os quilombos eram os locais de referência quando as senzalas começaram a ficar vazias.

As revoltas de escravos foram uma das formas de resistência que aconteceram em todo o País. Poderiam ser violentas e resultarem na morte de senhores de escravos e de suas famílias, e muitas procuravam a subversão da ordem. Quanto mais escravos presentes em um região, maiores as chances de que revoltas acontecessem.

Muitas fazendas tornaram-se locais de luta, como foi o caso da região de Ribeirão Preto, que, segundo Célia Maria Marinho de Azevedo, a revolta dos escravos que acabou num derramamento de sangue, o que justifica o título de sua obra: "Onda Negra, Medo Branco". A libertação não foi, e nem poderia ser, uma concessão do governo. Ela foi o resultado do enfrentamento que culminou no fim do processo de escravidão no Brasil.

Depois disso, à semelhança dos hebreus que resistiram 40 anos peregrinando no deserto até atingir a Terra Prometida, o fim da escravidão foi complicado. Sem emprego nas fazendas e sem perspectivas, acabaram povoando a periferia dos grandes centros do País.

Hoje essa luta ensina que os direitos a uma vida digna numa sociedade justa de igualdade social, depende mais da união do povo em torno da causa comum e, principalmente, de muita luta, do que da concessão,  através de decretos, de políticos profissionais. 

A conquista da liberdade não é uma saudade, é uma esperança!

Luiz Henrique Cellurale

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