14 de dezembro de 2009

O Populismo Radiofônico em Uberaba

O Rádio sempre foi um meio de comunicação de bastante abrangência e, em Uberaba, não foi diferente! Desde o surgimento da primeira emissora, a PRE-5 (atual, Rádio Sociedade AM), na década de 1930, esse veículo de comunicação sempre noticiou, distraiu e cumpriu seu papel social perante os ouvintes. Consequentemente, os locutores criaram uma proximidade muito grande com os espectadores e, claro, ganhando notoriedade, muitos se tornaram bastante populares e se aventuraram pela política, disputando eleições.

Em 1950, o radialista Ataliba Guaritá Neto – o Netinho, que também assinava uma coluna no jornal Lavoura e Comércio – foi o pioneiro, elegendo-se vereador. Oito anos depois, Eurípedes Craide, um jovem narrador esportivo, também chegava ao Legislativo Municipal. Por dois mandatos, esteve na Câmara e foi eleito seis vezes Deputado Estadual.

Jesus Manzano, em 1966, foi eleito vereador e teve mandato por diversas legislaturas, Quatro anos depois, Edson Quirino de Souza, o Edinho, (Filho do casal Toninho e Marieta, artistas da música sertaneja) chegava à Câmara, onde se manteve na vereança até 1983. Em 1988, foi a vez dos radialistas Tony Carlos e Além-Mar Paranhos ocuparem suas cadeiras no poder legislativo. Tony cumpre, atualmente, o quarto mandato.

No ano de 1990, o comunicativo João Batista Rodrigues, da Rádio Sociedade, elegeu-se Deputado Estadual, cumprindo apenas um mandato. Em 1992, Edivaldo Santos e Paulo Silva estreavam na Câmara Municipal, onde permaneceram até 2000.

Em 2008, Almir Silva foi o vereador mais votado em nossa cidade, repetindo o feito de Eurípedes Craide, em 1962, e de Jesus Manzano, em 1976.

Mais do que saber aproveitar favoravelmente a oportunidade de se tornar popular que o rádio oferece, esses radialistas, por meio do microfone, conquistaram simpatia, notoriedade e muitos votos.

Danilo Costa Ferrari

9 de dezembro de 2009

Lançamento do v. 2 do livro "Meu bairro tem história, eu tenho futuro!"


27 de novembro de 2009

LEITURAS INTERESSANTES

As Raparigas da Rua de Baixo





Reynaldo Domingos Ferreira, nascido em Uberaba, é jornalista, advogado, escritor e, entre suas muitas atividades, liderou um grupo de teatro, participou do movimento estudantil, trabalhou nos jornais Estado de SP e Folha de SP e na revista Veja. Mora em Brasília e visita frequentemente o Arquivo Público de Uberaba, onde pesquisa sobre fatos reais para se inspirar e escrever romances.

A obra em destaque conta a história de sua infância em Campo Florido, onde seu pai, Trajano, foi aprovado em concurso da Coletoria Estadual. Nessa cidade, havia a Rua de Baixo, com dois prostíbulos e as raparigas eram... tidas como sérias ameaças à mesmice... das pessoas do local. Na p. 167 há referência a ida da D. Lucília Rosa até sua casa e as questões que surgiram sobre o comunismo, em época de eleições.

O livro situa também Uberaba: [...] houve um tempo [...] em que passávamos a ir de forma mais amiúde a Uberaba, também chamada, na época “terra madrasta”, a cidade, porém, dos meus sonhos, com destaque para o Alto do Fabrício e a Igreja Santa Teresinha, ...simples, pintada de rosa...

Entre as duas cidades, o autor relata fatos e relaciona pessoas que fazem parte da história dessas localidades.


Outras obras do autor, do acervo do APU:

Elegia ao Chapéu (1984)
Dona Bárbara (1986)
A mulher de Lote (2006)
As raparigas da Rua de Baixo II (2008)


25 de novembro de 2009

Convite


A Escola Estadual Paulo José Derenusson desenvolveu o Projeto de Educação Patrimonial "(Re) vivendo a história de Uberaba". A equipe da escola e os alunos pesquisaram muito. Visitem o site e participem, na sexta-feira, de mais uma ação do proejto. O convite está postado no site.
http://www.memoriaviva.hd1.com.br/
Parabéns!

17 de novembro de 2009

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Uma equipe do Arquivo Púbico de Uberaba, coordenada pelo pesquisador e responsável pelo acervo fotográfico, João Eurípedes de Araújo, produziu, entre 2006 e 2009, o Catálogo para Estudo da Escravidão em Uberaba (1815 – 1888).


O Catálogo – que relaciona cartas de alforria, inventários, certidões de casamento e batismo, contrato de compra e venda, processos criminais e outros documentos, todos referentes à escravidão – foi elaborado exclusivamente a partir de registros que se encontram sob guarda do APU e representa um avanço, uma colaboração preciosa e indispensável para aqueles que se dedicam a esse “encontro do mundo dos vivos com o mundo dos mortos”, e também para aqueles que estudam a temática, buscando a reconstrução da história escravista. Além disso, contribuirá para uma melhor compreensão das relações do passado e do presente, considerando dois importantes acontecimentos: a indicação, no calendário brasileiro, do dia 20 de novembro como “O Dia Nacional da Consciência Negra” e a promulgação da Lei 10.639, que inclui, no ensino fundamental, o estudo da cultura afro-brasileira.

A pesquisa participou do Edital/2009 do Fundo Estadual de Cultura (FEC) e mesmo sem ter sido publicada, propiciou à equipe do APU, convites para a participação em programas de TV e Universidades (UFTM e UFU).

De acordo com José Sérgio Fonseca de Carvalho: “...o reconhecimento de que sem o estudo e a compreensão da cultura afro-brasileira, nunca lograremos compreender como chegamos a ser o que somos...” (2008). É nesse contexto que o APU pretende disponibilizar, assim que possível, esse indispensável instrumento de pesquisa. Aguardem!

13 de novembro de 2009

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

José Eusébio, pertencente à mesma facção política de Guilherme Ferreira, criou uma escola municipal no Bairro Estados Unidos e durante sua gestão:
- o registro da Escola de Farmácia e Odontologia de Uberaba foi cassado. Os alunos, com a perspectiva de serem obrigados a concluir o curso na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, entraram em greve. Apesar dos esforços pessoais de Eusébio, junto ao interventor federal Benedito Valadares, a instituição não foi reaberta;
- em 1935, a Santa Casa de Misericórdia de Uberaba, também conhecida como Sanatório Smith, foi solenemente inaugurada;
- a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro recebeu auxílio financeiro do interventor, adquiriu um terreno para realizar as exposições e conseguiu a aprovação do projeto para a construção do Parque de Exposição.

4 de novembro de 2009

Parabéns APU!


Na foto funcionários do APU repensando relações trabalhista com Nilo Ayer


Os debates e as reflexões acerca das questões referentes à memória e às responsabilidades do município e da comunidade civil mobilizaram os meios acadêmicos, estudantis e políticos de Uberaba, a partir da década de 1950, culminando em uma campanha pela criação de um Arquivo Público Municipal, voltado para a guarda e preservação dos registrados realizados pelos homens no passado.

Em 1951, o Doutor José Soares Bilharinho, então vereador do PSD, solicitou ao Prefeito Municipal de Uberaba, José Pedro Fernandes, “...para adquirir ou reservar no centro da cidade uma área destinada para a construção de uma biblioteca, que além de servir de meios de educação do povo, mantenha ali o serviço de Arquivo Público Municipal, o qual ficaria encarregado de registrar todos os fatos ocorridos no município, registrando as datas e as personalidades...”.

Depois de três décadas, foi criada a Fundação Cultural de Uberaba, em 1982, na gestão do Prefeito  Silvério Cartafina Filho, trazendo à tona as discussões acerca da criação de um Arquivo Municipal.

Na época, o Secretário de Educação e Cultura, Antônio Mendonça Bilharinho, era também o Presidente da Fundação Cultural. Ao ser empossado, solicitou à Câmara Municipal que a documentação do século XIX passasse a pertencer à Fundação para, posteriormente, compor o acervo inicial do Arquivo Público do Município.

Durante o ano de 1983, a Professora Sônia Maria Fontoura desenvolveu – com as alunas do Curso de Magistério, da Escola Estadual Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco – um árduo levantamento de fontes primárias nos Cartórios de 1º e 2º ofícios, da Comarca de Uberaba, fortalecendo ainda mais a ideia de criar um Arquivo Municipal. Entre essas alunas Raquel Blancato e Amábile Beatriz Mendonça que permanecem até hoje trabalhando na instituição.
No dia 04 de maio de 1983, com a presença do Secretário de Estado da Cultura, José Aparecido de Oliveira, o Diretor da Fundação Cultural de Uberaba, Jorge Alberto Nabut, lançou o projeto para a criação do Arquivo Público Municipal, chamando a atenção para a valorização e a importância de se preservar documentos que compõe a história do município.

Em 1984, o Professor José Thomaz da Silva Sobrinho, então Secretário de Educação e Cultura, com a ideia de ampliar e criar uma nova política cultural, deu início às atividades de implantação do Arquivo Público de Uberaba (APU). O apoio, orientações e cursos de formação ficaram a cargo do corpo técnico do Arquivo do Município de Rio Claro.

Nesse mesmo ano, o Secretário de Administração, Rômulo de Sousa Figueiredo, autorizou a transferência, para a Fundação Cultural, da primeira remessa de documentos do Poder Público Municipal, com data limite de 1840 a 1973.

Como autarquia vinculada à Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o APU ganhou vida própria aos 04 dias do mês de novembro de 1985, pela Lei Municipal nº 3.656, sancionada pelo Prefeito Municipal Wagner do Nascimento.
Atualmente, o APU é um departamento da Fundação Cultural de Uberaba.

25 de outubro de 2009

Conheçam, divulguem e participem

Blog dos alunos do curso de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)

18 de outubro de 2009

PESQUISADOR, PROFESSOR, SERVIDOR

O Projeto de Lei 7.577/06, de autoria do Senado Federal, com proposição aprovada, institui o dia 8 de julho, como o Dia Nacional do Pesquisador. A data é uma homenagem ao dia em que foi fundada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1948.

O dia 15 de outubro é consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila e foi também a data em que Dom Pedro I decretou a criação do Ensino Elementar no Brasil. Cento e vinte anos depois, no ginásio “Caetaninho”, em São Paulo, quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia dedicado ao descanso, à confraternização e à análise das ações no decorrer do ano escolar. Em 1963, o Decreto Federal 52.682 oficializou nacionalmente o feriado escolar.

Pesquisas confirmam que são duzentos anos de funcionalismo público e a origem desse serviço está na chegada da Família Real. O Brasil se tornou independente, virou império, república e lá estavam os servidores. O Decreto-Lei 5.936 (1943), de Getúlio Vargas, efetivou a data de 28 de outubro como o Dia do Funcionário Público e o novo estatuto, de1990, substituiu o termo funcionário público pela palavra Servidor.

Pesquisador, professor ou servidor, esses profissionais (alguns exercendo as três funções ao mesmo tempo), continuam na luta, tentando das diversas formas possíveis descobrir, preservar, transformar. São pessoas que ainda “...acreditam nos caminhos que seus corações lhes segredam, mesmo quando a realidade insiste em lhes provar o contrário...” (Rosaly Stefani).
Parabéns a todos os pesquisadores, professores e servidores!

17 de outubro de 2009

UBERABA - FRANÇA


Uberaba-França é um caso antigo e podemos confirmar isso por meio dos registros sobre as primeiras impressões a respeito da cidade e da região, feitos por alguns viajantes franceses ou ligados a França, em passagem por aqui, no decorrer do século XIX.

Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire: nascido em Orleans, veio para o Brasil em 1816, acompanhando uma missão extraordinária. Era naturalista e conhecedor da literatura científica e de viagens. Dentre os vários relatos sobre a Farinha Podre, deixou registrado: “... atravessei um pequeno córrego chamado Uberava Falsa, (...) O arraial é composto de umas trinta casas espalhadas nas duas margens do riacho, e todas, sem exceção, haviam sido recém construídas (1819), sendo que algumas ainda estavam inacabadas, quando por ali passei...”. Sua estada no Brasil resultou na obra Viagem à Província de Goiás.

Visconde de Taunay: era filho de franceses e passou por Uberaba, por volta de 1865. De acordo om seus relatos: “...a cidade continua em progresso. Constróem-se casas e há projetos de melhoramentos. As lojas estão bem sortidas, nelas se encontram todos os artigos da vida moderna. (...) Uberaba, situada na aba de extensos chapadões, ergue-se pela encosta de dois deles ...” Seu primeiro livro, La Retraite de Laguna, foi escrito em francês, logo após seu retorno da Guerra do Paraguai, em 1871. Em outras obras de sua autoria, Uberaba também é citada, como no trecho do conto Juca, o Tropeiro, do livro Histórias Brasileiras (1874): “...Uberaba, tão sossegadinha! Longe de tudo e de todos no meio de seus sertões...”

Conde D’Eu: genro de Dom Pedro II, hospedou-se na Quinta da Boa Vista, em sua visita à nossa cidade, quando se inaugurou a Estação Mogiana.

Neste ano da França no Brasil, vale destacar que a França, inegavelmente, está enraizada em nossa cultura e ligada à nossa história. Outros franceses para cá vieram, aqui permaneceram e constituíram suas famílias. Na mesma via, uberabenses aportaram no país da Torre Eiffel, motivados por estudo ou parentescos e, de passagem, ou com moradia fixa, ajudaram a consolidar os laços da Princesa do Sertão com a terra de Bonaparte.

Para saber mais sobre a França em Uberaba, leia no Jornal da Manhã, todos os domingos, artigos de autores uberabenses. Já foram publicados artigos de: João Eurípedes Araújo e Iara Fernandes (APU), Guido Bilharinho, Jorge Nabut, Eliane Marquez e Carlos Alberto Leite.

15 de outubro de 2009

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS



Em 1930, o poder legislativo foi extinto pelo movimento revolucionário da Aliança Liberal – responsável pela chegada de Getúlio Vargas à Presidência da República – e manteve o recesso até 1934. O agente executivo, nomeado prefeito pelo interventor do Estado, exercia funções do executivo e do legislativo. Guilherme de Oliveira Ferreira tomou posse no dia 11 de dezembro de 1930, permanecendo no cargo até 26 de janeiro de 1935. A Constituição de 1934 estabelecia dois poderes municipais: o executivo (prefeito, indicado pelos vereadores, eleitos pelo voto popular) e legislativo (Câmara).

Na gestão de Guilherme, destacam-se:
- obras: remodelação do mercado, criação de escolas rurais e urbanas, reforma do telhado da Santa Casa, calçamento e asfaltamento de ruas, tratamento de água e esgoto, construção de avenidas e estradas (Uberlândia, Rio do Peixe, Conceição das Alagoas, Delta Peirópolis), fato pelo qual foi homenageado por condutores e motoristas;
- ações: contrato para a construção de um necrotério, publicação diária do expediente municipal no jornal Lavoura e Comércio, contratação de nova empresa de energia elétrica e de empresas interessadas no fornecimento de água e no serviço de esgoto, ampliação da rede elétrica após o término do contrato da Cia. Força e Luz, instalação de telefonia automática, concurso para professor, criação de caixa escolar para aquisição de material e fardamento de alunos carentes, criação da Guarda Municipal, eliminação da cobrança de taxas de pedágio e organização do atendimento, regularização da documentação e estabelecimento de normas para o funcionamento do Cemitério Municipal;

Na época em que foi prefeito, o Colégio N.S. das Dores foi ampliado, o campo de aviação foi terraplanado, a VASP iniciou sua escala em Uberaba, houve um significativo aumento do número de estudantes (ensino primário e alfabetização), instalaram-se os primeiros telefones automáticos, um hospital da Cruz Vermelha foi montado, no prédio do Grupo Escolar Brasil, para atender os soldados feridos na Revolução de 1930. Além disso, Hildebrando Pontes foi encarregado de escrever um livro sobre a história, as leis vigentes e os principais dados estatísticos do município e criou-se o Comitê dos Revolucionários, que congregava os políticos locais, regionais, estaduais e federais e depôs Júlio Prestes, substituindo-o por Getúlio Vargas.

Faleceu na década de 1940.

13 de outubro de 2009

LEITURAS INTERESSANTES

A cidade perdida: anotações sobre o cotidiano – meio ambiente, política e educação.



Renato Muniz Barretto de Carvalho é uberabense, escritor, professor universitário e incansável combatente a favor da preservação ecológica.

O livro apresenta um conjunto de artigos publicados no Jornal de Uberaba, cuja preocupação central é o meio-ambiente e as condições de vida da cidade. Nas palavras de Renato: “...O homem social, ser coletivo, dividido em classes sociais, ser possuidor de uma história uma geografia próprias (...) segmentos socias, são e devem ser responsabilizados por suas ações e as consequências delas...” Além da questão ambiental, e não desvinculada dela, o autor também apresenta reflexões sobre a política, preservação e memória e a educação.

No texto “Uberaba e seus cursos d’água” o escritor afirma que: “...o processo de crescimento e expansão urbana de Uberaba ocasionou a ocupação de importantes manaciais cuja degradação pode comprometer gravemente a qualidade de vida de muitos uberabenses. A cidade tem uma localização privilegiada quanto aos recursos hídricos. (...) O caso dos córregos que nascem na cidade, ou que por ela passam, constituem, hoje, objeto de nossa preocupação. A situação de degradação de quase todos é preocupante. Considere-se o caso do córrego do Cachimbo, no Fabrício, próximo à rua Carlos Tasso R. da Cunha, do córrego Sucuri, das Toldas, Caçu, entre outros...” e conclui, dizendo: “...os problemas do meio ambiente e de saneamento são integrados, e envolvem toda a população.”


Marise Diniz


Outras obras do autor no acervo do APU:
Crônicas impertinentes (2008)

8 de setembro de 2009

LEITURAS INTERESSANTES


lero-lero

Antônio Carlos de Brito – Cacaso – nasceu em Uberaba, em 1944, porém, ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se graduou em Filosofia pela UFRJ e atuou como professor, na PUC/RJ, e como crítico literário. Faleceu em 1987.

Foi um grande letrista. Sua música “O dia do juízo”, em parceria com Sueli Costa, ganhou o primeiro lugar no festival da cidade de Lambari/MG e outras letras de sua autoria ainda são interpretadas por grandes cantores brasileiros. A música “Faca a face”, também em parceria com Sueli Costa, foi um grande sucesso da cantora Simone (São as trapaças da sorte/ são as graças da paixão/ para se combinar comigo tem que ter opinião...).

A música lero-lero, mesmo nome de um dos seus livros de poemas, foi cantada por Edu Lobo (“Sou brasileiro/ de estatura mediana/ gosto muito de fulana/ mas sicrana é quem me quer/ porque no amor quem perde quase sempre ganha...)

Em seus poemas percebe-se uma preocupação com a ordem histórica e com a tradição cultural do país.

TEMPO

Um dia nos lembramos deste tempo se lembrança
houver
que estivemos nesta sala que algumas vezes nos
tocamos
éramos mais felizes mais moços
um dia nos levaremos deste tempo se levar
houver


Outras obras no acervo do APU:
Grupo Escolar (1974)
Mar de Mineiro (1982)
Beijo na Boca (1983)

Marise Diniz

17 de agosto de 2009

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - DE 1837 AOS DIAS ATUAIS

O médico Olavo Rodrigues da Cunha foi o mais jovem Agente Executivo de Uberaba, aos 26 anos de idade, e substituiu seu pai, Agente Executivo da gestão anterior.

Entre 1927 e 1928, a cidade vivia uma efervescência de inaugurações, ampliações, fusões de indústrias e outros acontecimentos. Nessa época, surgiram: a Escola de Farmácia e Odontologia, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba e o Liceu de Artes e Ofícios; os terrenos necessários à abertura da avenida margeando o Córrego das Lages foram legalmente desapropriados, o escudo do município foi aprovado, as fábricas de tecido Caçu e Uberaba fundem-se, formando a Companhia Fabril do Triângulo Mineiro e uma lei municipal aprova a planta do Bairro São Benedito.

Em 1928, Olavo escreveu um minucioso relatório sobre sua gestão para rebater a propaganda negativa contra sua administração. Durante seu governo: instalou-se a Guarda Municipal, as dívidas com impostos dos contribuintes reconhecidamente pobres foram perdoadas, um prédio escolar foi construído à Rua Padre Zeferino, o Beco da Liberdade (entre a Vigário Silva e a Carlos Rodrigues da Cunha) foi fechado e os terrenos para o prolongamento da rua Segismundo Mendes foram desapropriados, aprovou-se o regulamento sobre a instalação de aparelhos para o fornecimento de gasolina e óleo, liberou-se verba para o Asilo São Vicente, um terreno para a construção do novo quartel do 4° Batalhão foi doado, houve isenção de imposto para a implantação de novas indústrias e concessão de terrenos e favores para estimular a plantação de amoreiras e a criação de bicho da seda, a caravana universitária mineira, que visitava a cidade em propaganda do voto secreto, foi recebida oficialmente e o ensino municipal foi reorganizado.

Faleceu em abril de 1998.

16 de agosto de 2009

UBERABA NA FRANÇA

Neste 2009, ano da França no Brasil, o Professor André Azevedo participou, na Université Paris V (Sorbonne), do congresso "Centre d'Étude sur l'Actuel et le Quotidien", com uma comunicação oral relacionada à história de Uberaba e a Orlando Ferreira. Para ver sua atuação, acesse: http://www.historiadeuberaba.blogspot.com/

O Arquivo Público o parabeniza, André, e sabe que essa foi apenas umas das suas várias participações de sucesso em grandes eventos culturais!

13 de agosto de 2009

CATIRA



Originalmente a Catira nasceu na zona rural onde, após um dia de trabalhos em mutirão, servem-se refeições e bebidas a todos os participantes, num evento animado com danças e batuques.

Com o passar do tempo, os meeiros, agregados, empregados e empreiteiros que formavam a população rural foram se transferindo para a zona urbana e, consequentemente, levaram consigo a Catira.

Uma das características dessa manifestação cultural é a tradição familiar, pois as crianças aprendem a tocar e a dançar acompanhando os adultos, desde a infância. O principal instrumento é a viola, semelhante ao violão, porém menor, com dez ou doze cordas e de confecção artesanal. Na dança, os componentes ficam sempre um de frente para o outro, os sapateios e as palmas acompanham a batida da viola e um marcador comanda as mudanças de posição.

No passado, não só os mutirões, mas também as Festa de Reis, Juninas, ou casamentos eram pretextos para se dançar a Catira e muitos violeiros uberabenses – como Manuelzinho com suas “moda” e seus “verso dobrado” e “recortado” – deixaram canções que perduram até hoje.

Leia mais nos Cadernos de Folclore, ano I, n° 3, 1993 – publicação do APU – no qual há informações sobre a história da zona rural, os tipos de casa, a migração para as periferias da cidade, além de um glossário com os termos próprios dos catireiros.

10 de agosto de 2009

FOLIA DE REIS - HISTÓRIA E TRADIÇÃO EM UBERABA

A tradição das Folias remonta ao nascimento de Cristo, quando Baltazar, Gaspar e Melchior, conhecidos como os Três Reis Magos, ofereceram a Jesus: extrato de mirra, uma planta usada como remédio e muito perfumada; ouro, símbolo da riqueza, e insenso, que expressa o desapego, a humildade e a esperança.

O objetivo do cortejo é reproduzir a viagem dos Magos a Belém, ao encontro do Filho de Deus. Geralmente, ele é o resultado de uma promessa, na qual o folião, para obter a graça, se compromete a organizá-lo.

Os foliões reunem-se nas vésperas de Natal, rezam, cantam ladainhas e oram diante do presépio. Depois de abençoada a bandeira, iniciam a peregrinação que dura até o dia 06 de janeiro, dia de Reis.

Para saber mais, visite o Arquivo Público de Uberaba e pesquise nos “Cadernos de Folclore” ano I, janeiro de 1993, uma publicação do APU.

4 de agosto de 2009

VISITAS AO APU

O mês de julho, apesar do recesso escolar, esteve bem movimentado no APU.

Recebemos visitas: de professores-pesquisadores que aproveitaram o “descanso” para complementarem seus estudos ou para trazerem sua contribuição por meio de artigos ou propostas de projetos em parceria; do secretário da Educação Marcos Juliano Bordon; do jornalista, escritor e amigo da casa, Jorge Alberto Nabut, que numa feliz coincidência, esteve no Arquivo no mesmo dia e hora em que nos visitava o Senhor Aziz Fakhoury e os dois puderam trocar reminiscências sobre a família.

Para o Arquivo, é uma honra receber todos que aqui vêm em busca do aperfeiçoamento de seus estudos, de informações sobre a família, o município e outras, ou que aqui chegam movidos pelo apreço à instituição ou pela curiosidade em conhecer o acervo.

Sejam sempre bem-vindos!

Legenda das fotos:

1 - Professor Florisvaldo Paulo Ribeiro Júnior, do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), autor da monografia “A conquista da liberdade", da dissertação de mestrado “De batuques e trabalhos resistência negra e a experiência do cativeiro – Uberaba 1956/1901" e da tese “O mundo do trabalho na ordem republicana: a invenção do trabalhador nacional. Minas Gerais, 1888-1928”.

2 – Senhor Aziz Fakhoury, Jorge Nabut, Iara (funcionária) e o Secretário da Educação, Marcos Juliano Bordon.

3 - José Perez de Lima Neto, diretor internacional da Université Catholique de l’Ouest (UCO) e professor da École Supérieure d’Agriculture (ESA) em Angers (França), acompanhado de Lélia Bruno, diretora do Arquivo.

4 – funcionários do Arquivo com Mozart Lacerda Filho, psicólogo, historiador e professor do Colégio José Ferreira e da Faculdade de Talentos Humanos (FACTHUS).

Agosto - mês do Folclore

Moçambique"Camisa verde e branco" (latas na canela: gumga)

Congada "Batalhão do Norte"
Moçambique e Congos – História e Tradição em Uberaba

Essas manifestações folclóricas são identificadas em etapas: Reinado, na qual acontece o Cortejo Real, do Rei e da Rainha, festeiros do ano; o Fitão e a Missa em Ação de Graças na qual são sorteados os novos Reis.

O agrupamento de congadeiros, moçambiqueiros ou vilões em torno das bandeiras dos Santos Padroeiros é chamado de Terno ou Guarda, formado por soldados, oficiais e dançadores. Os ternos Moçambique e Congo se diferem pelas vestimentas, pelos instrumentos e pela caracterização.

A Congada – que mostra uma admiração pela República – segue o ritmo do Congo e o estilo de Quartel, em homenagem a Marechal Deodoro da Fonseca. Em Uberaba, destaca-se o terno do Senhor Sebastião Mapuaba.

O Moçambique é uma dança sapateada e o vilão usa a sanfona como instrumento diferenciador. Cada terno tem sua cor característica e um dos mais conhecidos na cidade é o de Manoel Nazareth de Oliveira, Zinego.
Mais informações nos Cadernos de Folclore, publicados pelo APU e à disposição dos pesquisadores.

23 de julho de 2009

Arquivo em Revista

Artigo do APU, "A ação educativa do Arquivo Público de Uberaba: um relato de experiências" foi publicado na revista Registro, periódico editado pelo Arquivo Público Municipal de Indaiatuba/SP.
O texto discorre sobre as ações pedagógicas que visam a formação do cidadão comprometido com a preservação histórica, arquitetônica e cultural. O APU envolve a comunidade, principalmente estudantes, nessas ações e incentiva a pesquisa, usando como fonte o acervo da instituição. Além disso, estimula a ampliação do conhecimento e do próprio acervo, tornando os documentos conhecidos e de domínio público.

22 de julho de 2009

O TRANSPORTE COLETIVO EM UBERABA

Essa modalidade de transporte, em Uberaba, teve início no começo da década de 1940 e foi consolidada com a inauguração da primeira Estação Rodoviária, em 1945, na Praça da Bandeira (atual Praça Doutor Jorge Frange), no bairro São Benedito.

Os pioneiros do transporte coletivo municipal foram os empresários Agesípolis Duarte Villela, por meio da empresa Rex, e Manoel Alcalá, cuja empresa tinha o seu nome, que já atuavam no transporte coletivo intermunicipal. No ínicio da década de 1950, Osvaldo Ribeiro do Nascimento, popularmente chamado de Espeto, comprou a firma de Alcalá que passou a se chamar Empresa de Tranportes Líder.

Na primeira metade da década de 1960, surgiu a Transportes Urbano Limitada (TUL), criada por Francisco Lopes Velludo. Vale ressaltar que cada empresa ficava com determinadas linhas, portanto, nesse período, Uberaba contou com 3 empresas em atividades no transporte urbano.
Na segunda metade da década de 1960, a TUL incorporou as empresas Rex e Líder, monopolizou o ramo e manteve o nome “Líder”. Posteriormente, essa empresa – que atuou no transporte coletivo, em nossa cidade, até 1990 –foi vendida para 10 sócios. Por divergências entre o municipio e a empresa, a partir dessa data até os nossos dias, a Transmil é a concessionária do Transporte Coletivo em Uberaba.


Danilo Costa Ferrari

LEITURAS INTERESSANTES


A História Viva de Uberaba

Natural de Itabira, Minas Gerais, o autor, Décio Bragança Silva, é uberabense de coração. Seminarista de formação franciscana, aos 12 anos, já lecionava e é conhecido por sua maneira irreverente de ensinar. Para ele, a verdadeira educação é aquela que vem seguida pela libertação através do amor. Lecionou nos Colégios: Marista Diocesano e Nossa Senhora das Dores, na Faculdade de Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino (FISTA) e, hoje, atua na Universidade de Uberaba (UNIUBE).

Nesta obra, Décio relembra o projeto “Encontros – O pensamento Vivo de...”, um dos vários da área de extensão da UNIUBE, cujo objetivo era recontar a história de Uberaba por meio das pessoas. “Afinal, é o homem que faz a história”.

Na apresentação, Lídia Prata conta que, durante 40 semanas, Décio ouviu algumas das mais expressivas personalidades uberabenses e essas entrevistas – contendo interessantes depoimentos, sequenciados nos itens: infância, família, escola e professores, profissão, o amor, o homem e temas particulares de domínio de cada entrevistado – foram publicadas, aos domingos, no Jornal da Manhã e retratam o pensamento vivo daqueles que fazem a história desta cidade. O livro reúne todo o trabalho desenvolvido em 1993.

Além dos depoimentos, o livro apresenta os capítulos: “O pensamento vivo dos jovens sobre o amor” e “O pensamento vivo de professores sobre a educação”, “As pessoas por uberabense” e a preferência musical dos entrevistados.

A capa do livro é a reprodução da pintura de Anatólio Magalhães “A praça em três tempos”, exposta na Câmara Municipal de Uberaba.

Outras obras no acervo do APU:
Diário de um libertário (2007)

Marise Diniz

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Filho de Manoel Rodrigues da Cunha, que pertenceu à primeira Câmara Municipal de Uberaba, ao lado do Capitão Domingos da Silva e Oliveira, irmão de Major Eustáquio. Foi agropecuarista, constituinte estadual (1894), vereador e agente executivo (1927) e um dos fundadores do Clube da Lavoura e Comércio de Uberaba e do Jornal Lavoura e Comércio (1899). Viúvo de D. Mariana, casou-se com Elvira Castro Cunha e teve 13 filhos.

Como Agente Executivo, desapropriou o Cine São Luís, posteriormente adquirido por sua família e executou reparos no telhado do Mercado, inaugurado em sua administração.

Durante sua gestão, em 1924, foi fundada a Escola Técnica de Comércio José Bonifácio. Em 1925, época em que fraudes eram comuns, a polícia percorria as ruas, amedrontando os eleitores no período da eleição de dois candidatos a vereador. Leopoldino fechou a Câmara em prol da autonomia do município e contra a tirania do Estado, dizendo: Eu não entrego o que é do povo para ninguém. Seus adversários arrombaram a porta e destituíram Alexandre Barbosa e Lucas Borges. O Cine Teatro Royal foi inaugurado, o primeiro trem da Estrada de Ferro Oeste de Minas chega à cidade e o uberabense Alaor Prata era o prefeito do Rio de Janeiro, nomeado pelo Presidente da República.

13 de julho de 2009

Férias de julho

O bairro rural de Peirópolis localiza-se a 20 Km de Uberaba, às margens da BR 262, sentido Araxá. A primeira atividade do vilarejo foi a extração de calcário.

No final da década de 1940, com a descoberta dos fósseis, o local passou a ser bastante visitado por estudantes e interessados em Paleontologia. Em 1992, foi fundado o Museu dos Dinossauros.

Além de ser uma referência nacional na área da paleontologia, é um lugar agradável onde se pode passear e descansar, pois oferece pousadas, restaurantes e cachoeiras. Todo o conjunto arquitetônico foi tombado, em 1994, pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (CONPHAU).

Peirópolis foi uma indicação de Jaki. Obrigado pela participação!
Divulgue e volte sempre ao blog!

9 de julho de 2009

Férias de julho: indique pontos turísticos


Indicamos 4 pontos a serem visitados em Uberaba e você pode indicar outros que publicaremos no BLOG:

Mercado Municipal: fundado em 1924, é centro comercial, lugar de encontros para prosear, aos domingos, comer pastel, apreciar quitutes e doces mineiros. No piso superior, as artesãs trabalham com o tear e pode-se observar todo o processo artesanal, além de outros trabalhos artísticos. Em 1994, foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (CONPHAU)

Igreja Santa Rita: sua construção iniciou-se em 1854 e terminou em 1874. É o único bem tombado no Triângulo Mineiro, pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), em 1939.

Igreja Nossa Senhora da Abadia: foi construída, primeiramente, uma capela, em 1889. No dia 15 de agosto, acontece a festa religosa mais tradicional da cidade. Em 1940, foi construída a torre e nela fica a imagem de N.S. da Abadia.

Igreja São Domingos: a construção datada de 1904, teve como base a pedra tapiocanga, pedra avermelhada, própria da nossa região. Foi a primeira igreja dominicana no Brasil. Em 2003, foi tombada pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (CONPHAU).