terça-feira, 9 de abril de 2019

JORNAL “A FLAMA ESPÍRITA”


O prefeito de Uberaba, Paulo Piau Nogueira, e a superintendente do Arquivo Público, Marta Zednik de Casanova, recebem, no dia 1º de abril de 2019, às 14h30m, no gabinete, a doação do acervo do jornal A Flama Espírita, constituído por 8 volumes datados de 1961 a 2003, da União da Mocidade Espírita de Uberaba, mantenedora do jornal, através do seu presidente e diretor, Marcio Roberto Arduini. 

Coleção do jornal "A FLAMA ESPÍRITA" de 1961 a 2002
Agora pertencente ao acervo da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

 O jornal foi fundado em 27 de setembro de 1925, por Arlindo Evangelista, José Humberto da Silva, Ruy Novaes e Hercílio Martins da Costa. Suas edições iniciais estavam direcionadas à literatura, arte e questões sociais.

         No dia 1º de setembro de 1930, o professor Alceu Novaes, Dr. Inácio Ferreira, Dr. José Thomaz de Oliveira e Emmanoel Martins Chaves assumiram a sua direção e mudaram o seu enfoque, dotando-o de uma orientação espírita. Nessa época, o jornal intitulava-se "Flamma".

         Sua circulação era semanal, tinha formato semelhante ao "Standard", pouco difundido na época, cujas dimensões aproximavam ao papel A2.

         Em 1942, teve a sua circulação proibida por tempo indeterminado por determinação do DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, que era um órgão responsável pela censura e repressão durante o governo Vargas.

         Contudo, a Constituição Federativa do Brasil de 1946 revogou essa decisão autoritária, restabelecendo a divulgação pela comunidade kardecista de Uberaba. O jornal voltou a circular, desta vez sob a administração da "União da Mocidade Espírita Uberabense", fundada em 1940.

         Em 1950, de acordo com as normas do Ministério do Trabalho, em virtude de publicação homônima, registrada anteriormente, precisou alterar o nome, ampliando-o para "A Flama Espírita".

         Editava noticiários e o pensamento do universo espírita, onde se destacavam a história e as realizações das associações espíritas da cidade, como Sanatório Espírita de Uberaba, Lar Espírita, Grupo Escola Espírita Professor Chaves, e informações sobre as principais atividades desenvolvidas em Uberaba, como palestras, eventos e conferências. O primeiro congresso espírita do Brasil também recebeu destaque jornalístico no dia 23 de janeiro de 1982, e suas informações podem se tornar objeto de pesquisas de estudantes e historiadores.

         No acervo do jornal, entre outros assuntos de relevância, é possível identificar as principais realizações espíritas da cidade, assim como conhecer personagens de destaque, não só pelas práticas desenvolvidas nas instituições espíritas, como também pela participação na vida social e política de Uberaba, como: Henrique Von Krüger, Fausto de Vito, Inácio Ferreira, Augusto César Vanucci, Odilon Fernandes, Divaldo Pereira Franco, Danival Roberto Alves, Carlos Bacelli, Antuza Martins, Jonas Dutra, Padre Sebastião Carmelita e Ivone Pereira, além do líder Chico Xavier.
Jornal "A Flama Espírita", 23 de janeiro de 1988 e dezembro de 1995

O redator do jornal, Vivaldo Bernardes de Almeida, em uma de suas últimas contribuições à Flama Espírita, demonstrou que os valores morais e espirituais sempre foram marca constante em seu jornalismo. Durante a festa de comemoração de 75 anos de vida do jornal, no ano de 2000, disse que "homens e mulheres, presentes e ausentes - dignificaram, de algum modo, a sua e a nossa 'Flama Espirita'. (A Flama Espírita, Nº 2717, setembro de 2000).


O Jornal A Flama Espírita continua circulando até hoje.


Marta Zednik de Casanova
Superintendente do Arquivo Público de Uberaba


Imagens da cerimônia do recebimento do acervo do Jornal a "A Flama" realizada no Gabinete do Prefeito Paulo Piau.







sexta-feira, 29 de março de 2019

Superintendência do Arquivo Público de Uberaba recebe alunos da Escola Estadual Leandro de Vito



A Superintendência do  Arquivo Público de Uberaba recebeu no dia 26 de março, a visita de 40 alunos da Escola Estadual Leandro de Vito do 9º Ano ao 2º Ano do Ensino Médio, na faixa etária de 16 a 17 anos, com objetivo de conhecerem o trabalho realizado pela instituição.

         Na ocasião conheceram a importância da preservação de documentação histórica, especialmente utilizada como instrumento de pesquisa para estudantes e historiadores.

         Acompanhados pelo historiador Luiz Cellurale, fizeram uma visita guiada onde puderam visualizar a documentação original preservada pela instituição.













sexta-feira, 15 de março de 2019

TITO SCIHPA, GLÓRIA MÁXIMA DO CINE METRÓPOLE



Até a década de 1980, o Cine Metrópole foi a mais elegante e sofisticada casa de espetáculos de Uberaba. Inaugurado em 1941, funcionava anexo ao imponente Grande Hotel que, na época, detinha simultaneamente os títulos de maior edifício de concreto armado e de melhor hotel do Brasil Central. Ambos eram empreendimentos de Orlando Rodrigues da Cunha, sócio diretor da Empresa Cinematográfica São Luiz e também do hotel. Um espelho do progresso da “Princesinha do Sertão” em uma das épocas de ouro da pecuária do gado Zebu.

Durante décadas, o Metrópole foi palco de grandes eventos na cidade. Nos anos 1950, quando as faculdades uberabenses começaram a formar suas primeiras turmas de alunos, o grande auditório lotava, recebendo as famílias orgulhosas que vinham assistir às cerimônias de colação de grau de seus filhos. Muitas vezes, tendo celebridades nacionais, como Juscelino Kubitscheck e Carlos Lacerda, no papel de paraninfos. Mesmo em dias comuns, as sessões de cinema eram concorridas e as regras da casa exigiam que os frequentadores fossem devidamente trajados: aos homens, era obrigatório paletó e gravata.
A casa também recebia shows de música. Muitos que tiveram a chance de frequentar o cinema devem ter notado uma placa de bronze colocada no elegante hall de entrada com os dizeres: “TITO SCHIPA (glória máxima da Arte Lírica) cantou neste teatro – Grande Hotel – Uberaba, em XVII-VII-MCMXLI”. Dai surgiu uma lenda de que esse famoso tenor italiano teria cantado na inauguração da sala, o que não é verdade. Tanto o hotel como a sala de cinema foram abertos ao público no dia 8 de março de 1941, a apresentação de Schipa se deu dois meses depois, em 17 de maio – como indica a data gravada na placa em algarismos romanos.


Algumas semanas antes dele, já havia se apresentado na casa uma celebridade do canto nacional: Vicente Celestino, conhecido como “a voz orgulho do Brasil”. Nascido no Rio de Janeiro, filho de imigrantes calabreses, Celestino emocionava multidões interpretando com estilo dramático e vozeirão de tenor canções de sua autoria, como O Ébrio e Coração Materno. Fez tanto sucesso em Uberaba que a direção do Metrópole foi obrigada a abrir uma segunda apresentação, no dia seguinte, para atender à demanda do público.


Embora também fosse tenor, Raffaele Attilio Amedeo Schipa era quase o oposto de Celestino. Nascido em 1888 na cidade italiana de Lecce, tinha um estilo de canto extremamente doce e sofisticado. Max Altman, um amante da música erudita que foi diretor do Teatro Municipal de São Paulo, descreveu como surpreendente o fato de que “um ‘tenor ligeiro’, como Schipa, tenha tido uma carreira tão longeva quanto frutífera, quando se inteira que era um cantor com demasiadas limitações vocais. Não possuía uma voz potente nem com tons musculares, tinha dificuldades com o floreado, não alcançava a emitir um dó de peito, faltava fundo a sua voz, e, ainda se fosse pouco, nem sequer contava com uma voz particularmente bela nem com potência. (…) Não obstante, é considerado um gênio. Seu instinto musical o colocou num lugar privilegiado da lírica mundial. Schipa, mais que nenhum outro cantor, soube tirar proveito de seus dons naturais, à base de engenho e inspiração, e criou um estilo original e personalíssimo de interpretação”.

“TITO SCHIPA (glória máxima da Arte Lírica) cantou neste teatro – Grande Hotel – Uberaba, em XVII-VII-MCMXLI”.

O fato é que, em maio de 1941, Tito Schipa era uma astro internacional de primeira grandeza. Cantava em 11 idiomas diferentes, compunha canções em italiano e espanhol, havia gravado dezenas de discos, integrava o elenco da New York Metropolitan Opera e fazia enorme sucesso em nos EUA e em Buenos Aires. Poucos meses depois, tomou uma decisão desastrosa: voltou à Itália natal, onde tornou-se um artista de estimação do líder fascista Benito Mussolini. Embora tenha retornado à Nova York após o fim da Segunda Guerra Mundial, nunca mais fez o mesmo sucesso. Gravou pouco e dedicou-se ao ensino de música, até falecer em dezembro de 1965.


Na época Uberaba tinha 40 mil habitantes, a maior parte de baixo poder aquisitivo, muitos vivendo na zona rural. A decisão de pagar por uma uma apresentação de Schipa – que fazia uma temporada no Brasil – para cantar em uma casa de espetáculos no interior do País com mais de 1500 lugares, foi uma decisão arriscada da Empresa Cinematográfica São Luiz. Os ingressos foram vendidos a 20 mil reis, um bom dinheiro para a época. Não se sabe se a plateia lotou mas, segundo o escritor Guido Bilharinho, o evento teria dado prejuízo aos promotores. Uma ousadia que ficou imortalizada em bronze no saguão de um belo e histórico cinema, abandonado há décadas.


André Borges Lopes